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sexta-feira, 30 de setembro de 2011

Programação para o mês de Outubro/2011

Outubro – Mês Missionário
“MISSÃO NA ECOLOGIA”

01 – Santa Terezinha do Menino Jesus

01 Visita da imagem de Nossa Senhora de Fátima na Igreja Matriz São José

02 – Santos Anjos da Guarda

03 a 12 – Novena e Festa da Padroeira no Santuário Nacional de Nossa Senhora da Conceição Aparecida

04 – São Francisco de Assis

05 – São Benedito

07 – Nossa Senhora do Rosário

08 – Dia do Nascituro

08 a 12 – Festa de Nossa Senhora Aparecida na Igreja Matriz São José, Salesópolis-SP

12 – Solenidade de Nossa Senhora Aparecida, Rainha e Padroeira do Brasil

15 a 22 – Visita da imagem de Santana na Igreja Matriz São José

16 – Santa Edwiges

23 – Dia Mundial das Missões

24 – Dia Nacional da Juventude

25 – 180 anos de Erecção da Capela Curada de São José do Paraitinga (1831), hoje Paróquia São José, Salesópolis-SP

25 – Santo Antonio de Santana Galvão

28 – São Simão e São Judas Tadeu

domingo, 25 de setembro de 2011

Homilia do Papa Bento XVI no Aeroporto Turístico de Friburgo


Homilia do Papa Bento XVI no Aeroporto Turístico de Friburgo
Viagem Apostólica à Alemanha (22-25 de setembro de 2011)
25 de setembro de 2011

Amados irmãos e irmãs,

Com particular emoção volto aqui para celebrar a Eucaristia, a Ação de Graças, com tanta gente vinda de diversas partes da Alemanha e dos países limítrofes. A nossa ação de graças, queremos dirigi-la sobretudo a Deus, em Quem vivemos e nos movemos; mas quero agradecer também a todos vós pela vossa oração em favor do Sucessor de Pedro, para que ele possa continuar a desempenhar o seu ministério com alegria e segura esperança, confirmando os irmãos na fé.

"Ó Deus, que manifestais a vossa onipotência sobretudo com a misericórdia e o perdão…": rezamos na coleta de hoje. Na primeira leitura, ouvimos dizer como Deus, na história de Israel, manifestou o poder da sua misericórdia. A experiência do exílio babilonense fizera o povo cair numa crise de fé: Por que sucedera aquela desgraça? Seria Deus verdadeiramente poderoso?

Há teólogos que, à vista de todas as coisas terríveis que acontecem hoje no mundo, dizem que Deus não pode ser onipotente. Diversamente, nós professamos Deus, o Onipotente, o Criador do céu e da terra. Sentimo-nos felizes e agradecidos por Ele ser onipotente; mas devemos, ao mesmo tempo, dar-nos conta de que Ele exerce o seu poder de maneira diferente de como costumam fazer os homens. Ele próprio impôs um limite ao seu poder, ao reconhecer a liberdade das suas criaturas. Sentimo-nos felizes e agradecidos pelo dom da liberdade; mas, quando vemos as coisas tremendas que sucedem por causa dela, assustamo-nos. Mantenhamos a confiança em Deus, cujo poder se manifesta sobretudo na misericórdia e no perdão. E estejamos certos, amados fiéis, de que Deus deseja a salvação do seu povo. Deseja a nossa salvação. Sempre, mas sobretudo em tempos de perigo e transtorno, Ele está perto de nós, o seu coração comove-se por nós, inclina-se sobre nós. Para que o poder da sua misericórdia possa tocar os nossos corações, requer-se a abertura a Ele, é preciso a disponibilidade de abandonar o mal, levantar-se da indiferença e dar espaço à sua Palavra. Deus respeita a nossa liberdade; não nos constrange.

No Evangelho, Jesus retoma este tema fundamental da pregação profética. Narra a parábola dos dois filhos que são convidados pelo pai para irem trabalhar na vinha. O primeiro filho respondeu: "'Não quero'. Depois, porém, arrependeu-se e foi" (Mt 21, 29). O outro, ao contrário, disse ao pai: "'Eu vou, senhor.' Mas, de fato, não foi" (Mt 21, 30). À pergunta de Jesus sobre qual dos dois cumprira a vontade do pai, os ouvintes respondem: "O primeiro" (Mt 21, 31). A mensagem da parábola é clara: Não são as palavras que contam, mas o agir, os atos de conversão e de fé. Jesus dirige esta mensagem aos sumos sacerdotes e aos anciãos do povo, isto é, aos peritos de religião no povo de Israel. Estes começam por dizer "sim" à vontade de Deus; mas a sua religiosidade torna-se rotineira, e Deus já não os inquieta. Por isso sentem a mensagem de João Batista e a de Jesus como um incômodo. E assim o Senhor conclui a sua parábola com estas palavras drásticas: "Os publicanos e as mulheres de má vida vão antes de vós para o Reino de Deus. João Batista veio ao vosso encontro pelo caminho que leva à justiça, e não lhe destes crédito, mas os publicanos e as mulheres de má vida acreditaram nele. E vós, que bem o vistes, nem depois vos arrependestes, acreditando nele" (Mt 21, 31-32). Traduzida em linguagem do nosso tempo, a frase poderia soar mais ou menos assim: agnósticos que, por causa da questão de Deus, não encontram paz e pessoas que sofrem por causa dos nossos pecados e sentem desejo dum coração puro estão mais perto do Reino de Deus de quanto o estejam os fiéis rotineiros, que na Igreja já só conseguem ver o aparato sem que o seu coração seja tocado pela fé.

Assim, a palavra de Jesus deve fazer-nos refletir; antes, deve abalar a todos nós. Isto, porém, não significa de modo algum que todos quantos vivem na Igreja e trabalham para ela se devam considerar distantes de Jesus e do Reino de Deus. Absolutamente, não! Antes, este é o momento bom para dizer uma palavra de profunda gratidão a tantos colaboradores, contratados ou voluntários, sem os quais a vida nas paróquias e na Igreja inteira seria impensável. A Igreja na Alemanha possui muitas instituições sociais e caritativas, onde se cumpre o amor do próximo de forma eficaz, mesmo socialmente e até aos confins da terra. Quero exprimir a minha gratidão e o meu apreço a todos quantos estão empenhados na Cáritas alemã ou noutras organizações, ou então que disponibilizam generosamente o seu tempo e as suas forças para tarefas de voluntariado na Igreja. Tal serviço requer, primariamente, uma competência objetiva e profissional; mas, no espírito do ensinamento de Jesus, exige-se algo mais, ou seja, o coração aberto, que se deixa tocar pelo amor de Cristo, e deste modo é prestado ao próximo, que precisa de nós, mais do que um serviço técnico: o amor, no qual se torna visível ao outro o Deus que ama, Cristo. Neste sentido, interroguemo-nos: Como é a minha relação pessoal com Deus na oração, na participação na Missa dominical, no aprofundamento da fé por meio da meditação da Sagrada Escritura e do estudo do Catecismo da Igreja Católica? Queridos amigos, em última análise, a renovação da Igreja só poderá realizar-se através da disponibilidade à conversão e duma fé renovada.

No Evangelho deste domingo, fala-se de dois filhos, mas misteriosamente por detrás deles há ainda um terceiro filho. O primeiro filho diz "não", mas depois cumpre a vontade do pai. O segundo filho diz "sim", mas não faz o que lhe foi ordenado. O terceiro filho diz "sim" e faz também o que lhe foi ordenado. Este terceiro filho é o Filho Unigênito de Deus, Jesus Cristo, que aqui nos reuniu a todos. Ao entrar no mundo, Ele disse: "Eis que venho (…) para fazer, ó Deus, a vossa vontade" (Heb 10, 7). Este "sim", Ele não se limitou a pronunciá-lo, mas cumpriu-o. Diz-se no hino cristológico da segunda leitura: "Ele, que era de condição divina, não quis ter a exigência de ser posto ao nível de Deus. Antes, a Si próprio Se despojou, tomando a condição de escravo, ficando semelhante aos homens. Tido no aspecto como simples homem, ainda mais Se humilhou a Si mesmo, obedecendo até à morte e morte na cruz" (Flp 2, 6-8). Em humildade e obediência, Jesus cumpriu a vontade do Pai, morreu na cruz pelos seus irmãos e irmãs e redimiu-nos da nossa soberba e obstinação. Agradeçamos-Lhe pelo seu sacrifício, ajoelhemos diante do seu Nome e, juntamente com os discípulos da primeira geração, proclamemos: "Jesus Cristo é Senhor, para glória de Deus Pai" (Fl 2, 11).

A vida cristã deve medir-se continuamente pela de Cristo: "Tende entre vós os mesmos sentimentos que havia em Cristo Jesus"» (Fl 2, 5) – escreve São Paulo ao introduzir o hino cristológico. E, alguns versículos antes, exorta: "Se há em Cristo alguma consolação, algum conforto na caridade; se existe alguma participação nos dons do Espírito Santo, alguns sentimentos de ternura e misericórdia, então completai a minha alegria, mantendo-vos unidos nos mesmos sentimentos: conservai a mesma caridade, uma alma comum, um mesmo e único sentir" (Fl 2, 1-2). Assim como Cristo estava totalmente unido ao Pai e era-Lhe obediente, assim também os seus discípulos devem obedecer a Deus e manter entre si um mesmo sentir. Queridos amigos, com Paulo ouso exortar-vos: Tornai plena a minha alegria, permanecendo firmemente unidos em Cristo! A Igreja na Alemanha vencerá os grandes desafios do presente e do futuro e continuará a ser fermento na sociedade, se os sacerdotes, as pessoas consagradas e os leigos que acreditam em Cristo, na fidelidade à vocação específica de cada um, colaborarem em unidade; se as paróquias, as comunidades e os movimentos se apoiarem e enriquecerem mutuamente; se os batizados e os crismados, em união com o Bispo, mantiverem alta a chama de uma fé intacta e, por ela, deixarem iluminar a riqueza dos seus conhecimentos e capacidades. A Igreja na Alemanha continuará a ser uma bênção para a comunidade católica mundial, se permanecer fielmente unida aos Sucessores de São Pedro e dos Apóstolos, se tiver a peito de variados modos a cooperação com os países de missão e se nisto se deixar "contagiar" pela alegria na fé das jovens Igrejas.

Com a exortação da unidade, Paulo associa o apelo à humildade: "Não façais nada por rivalidade, nem por vanglória; mas, por humildade, considerai os outros superiores a vós mesmos, sem olhar cada um aos seus próprios interesses, mas aos interesses dos outros" (Fl 2, 3-4). A vida cristã é uma "existência-para": um viver para o outro, um compromisso humilde a favor do próximo e do bem comum. Amados fiéis, a humildade é uma virtude que hoje não goza de grande estima. Mas os discípulos do Senhor sabem que esta virtude é, por assim dizer, o óleo que torna fecundos os processos de diálogo, fácil a colaboração e cordial a unidade. Humilitas, a palavra latina donde deriva "humildade", tem a ver com humus, isto é, com a aderência à terra, à realidade. As pessoas humildes vivem com ambos os pés na terra; mas sobretudo escutam Cristo, a Palavra de Deus, que ininterruptamente renova a Igreja e cada um dos seus membros.

Peçamos a Deus a coragem e a humildade de prosseguirmos pelo caminho da fé, de nos saciarmos na riqueza da sua misericórdia e de mantermos o olhar fixo em Cristo, a Palavra que faz novas todas as coisas, que é para nós "o caminho, a verdade e a vida" (Jo 14, 6), que é o nosso futuro. Amém.

BENEDICTUS, PP XVI
 

sábado, 24 de setembro de 2011

Homilia do Papa Bento XVI na Santa Missa na Praça da Catedral de Erfurt


Homilia de Bento XVI na Praça da Catedral de Erfurt
Viagem Apostólica à Alemanha (22-25 de setembro de 2011)
24 de setembro de 2011


Amados irmãos e irmãs,

"Louvai o Senhor em todo o tempo, porque Ele é bom": assim cantamos antes do Evangelho. Sim, temos verdadeiramente motivos para agradecer a Deus com todo o coração. Nesta cidade, se recuarmos com o pensamento até 1981, o ano jubilar de Santa Isabel, há trinta anos – eram os tempos da República Democrática Alemã –, quem teria imaginado que o muro e o arame farpado nas fronteiras cairiam poucos anos depois? E, se recuarmos ainda mais – cerca de setenta anos – até 1941, até ao tempo do nacional-socialismo, quem seria capaz de predizer que o chamado "Reich milenário" ficaria reduzido a cinzas apenas quatro anos mais tarde?

Amados irmãos e irmãs, aqui na Turíngia, na República Democrática Alemã de então, tivestes de suportar uma ditadura "pardacenta" [nazista] e uma "vermelha" [comunista], cujo efeito sobre a fé era parecido com o que tem a chuva ácida. Desse tempo, há ainda muitas consequências tardias a debelar, sobretudo no âmbito intelectual e religioso! Hoje, a maioria das pessoas nesta terra vive longe da fé em Cristo e da comunhão da Igreja. Mas as últimas duas décadas mostram também experiências positivas: um horizonte mais largo, um intercâmbio para além das fronteiras, uma certeza confiante de que Deus não nos abandona e nos guia por caminhos novos. "Onde há Deus, há futuro".

Todos nós estamos convencidos de que a nova liberdade ajudou a dar à vida dos homens uma dignidade maior e a abrir novas e variadas possibilidades. E do ponto de vista da Igreja podemos também assinalar, com gratidão, muitas facilitações: novas possibilidades para as atividades paroquiais, a restauração e o alargamento de igrejas e centros paroquiais, iniciativas diocesanas de caráter pastoral ou cultural. Mas estas possibilidades trouxeram-nos também um crescimento na fé? Não será talvez preciso procurar as raízes profundas da fé e da vida cristã noutra realidade bem diversa da liberdade social? Houve muitos católicos resolutos que permaneceram fiéis a Cristo e à Igreja, precisamente na difícil situação de uma opressão exterior. Aceitaram arcar com desvantagens pessoais, para viverem a própria fé.

Quero aqui agradecer aos sacerdotes e aos seus colaboradores e colaboradoras de então. De modo particular, quero recordar a pastoral dos refugiados imediatamente depois da II Guerra Mundial: então muitos clérigos e leigos realizaram grandes coisas para atenuar a penosa situação dos prófugos e dar-lhes uma nova Pátria. Por fim, dirijo um sincero agradecimento aos pais que, no meio da diáspora e num ambiente político hostil à Igreja, educaram os seus filhos na fé católica. Por exemplo, merecem ser recordadas, com gratidão, as Semanas Religiosas para as crianças durante as férias, e também o trabalho frutuoso das Casas para a juventude católica Sankt Sebastian, em Erfurt, e Marcel Callo, em Heiligenstadt. Especialmente em Eichsfeld, houve muitos cristãos católicos que resistiram à ideologia comunista. Queira Deus recompensar abundantemente a perseverança na fé. O corajoso testemunho e a paciente confiança na providência de Deus são como uma semente preciosa que promete fruto abundante para o futuro.

A presença de Deus manifesta-se, de maneira particularmente clara, nos seus Santos. O seu testemunho de fé pode, também hoje, dar-nos a coragem para um novo despertar. Aqui pensemos sobretudo nos Santos Padroeiros da diocese de Erfurt: Isabel da Turíngia, Bonifácio e Kilian. Isabel veio de um país estrangeiro, da Hungria, para Wartburg na Turíngia. Levou um vida de intensa oração, associada com a penitência e a pobreza evangélica. Regularmente, descia do seu castelo até à cidade de Eisenach para lá cuidar pessoalmente dos pobres e dos doentes. Foi breve a sua vida nesta terra – chegou apenas à idade de vinte e quatro anos –, mas o fruto da sua santidade foi imenso. Santa Isabel goza de grande estima também entre os cristãos evangélicos; pode ajudar-nos a todos a descobrir a plenitude da fé transmitida e a traduzi-la na nossa vida diária.

Para as raízes cristãs do nosso país, remete também a fundação da diocese de Erfurt, no ano 742, por São Bonifácio. Este fato constitui simultaneamente a primeira menção escrita que há da cidade de Erfurt. Aquele Bispo missionário viera da Inglaterra e trabalhou em estreita ligação com o Sucessor de São Pedro. Veneramo-lo como o «Apóstolo da Alemanha»; morreu mártir. Dois dos seus companheiros, que partilharam com ele o testemunho do sangue pela fé cristã, estão aqui sepultados na Catedral de Erfurt: são os Santos Eoban e Adelar.

Antes dos missionários anglo-saxões, tinha já trabalhado na Turíngia São Kilian, um missionário itinerante que provinha da Irlanda. Juntamente com dois companheiros, morreu mártir em Würzburg, porque criticara o comportamento moralmente transviado do duque da Turíngia, lá residente. Por fim, não quero esquecer São Severo, o Padroeiro da Severikirche, aqui na Praça da Catedral: no século IV, era Bispo de Ravena; no ano 836, os seus restos mortais foram trazidos para Erfurt, para enraizar mais profundamente a fé cristã nesta região.

Que têm em comum estes Santos? Como podemos descrever a faceta particular da sua vida, tornando-a fecunda para nós? Sim, os Santos mostram-nos que é possível e que é bom viver, de modo radical, a relação com Deus, colocando Deus no primeiro lugar e não como uma realidade entre as outras. Os Santos põem em evidência o fato de que foi Deus que tomou a iniciativa de Se dirigir a nós; em Jesus Cristo, manifestou-Se e manifesta-Se a nós. Cristo vem ao nosso encontro, fala a cada indivíduo e convida-o a segui-Lo. Esta possibilidade foi valorizada pelos Santos: a partir do íntimo de si mesmos, propenderam por assim dizer para Ele no diálogo íntimo da oração, e d’Ele receberam a luz que lhes desvendou a vida verdadeira.

Essencialmente, a fé é sempre também um acreditar junto com os outros. O fato de poder crer devo-o, antes de mais nada, a Deus que Se dirige a mim e, por assim dizer, «acende» a minha fé. Mas, de um modo muito concreto, devo a minha fé também àqueles que vivem ao meu redor e que acreditaram antes de mim e acreditam juntamente comigo. Este «com», sem o qual não pode haver qualquer fé pessoal, é a Igreja. E esta Igreja não se detém diante das fronteiras dos países; demonstra-o as nacionalidades dos Santos que há pouco mencionei: Hungria, Inglaterra, Irlanda e Itália. Daqui se vê como é importante a permuta espiritual, que se dilata através da Igreja inteira. Se nos abrirmos à fé integral ao longo de toda a história e nos seus testemunhos em toda a Igreja, então a fé católica tem um futuro, mesmo como força pública na Alemanha. Ao mesmo tempo as figuras dos Santos que recordamos mostram-nos a grande fecundidade de uma vida santa, deste amor radical a Deus e ao próximo. Os Santos, apesar de serem poucos, mudam o mundo .

Assim as mudanças políticas do ano 1989, no vosso país, não foram motivadas apenas pelo desejo de bem-estar e liberdade de ir e vir, mas também, e de modo decisivo, pelo anseio de veracidade. Este anseio foi mantido desperto, para além do mais, por pessoas que se devotaram totalmente ao serviço de Deus e do próximo e estavam dispostas a sacrificar a própria vida . Tais pessoas e os Santos recordados dão-nos a coragem para tirarmos proveito da nova situação. Não queremos esconder-nos numa fé apenas privada, mas queremos administrar responsavelmente a liberdade alcançada.

À semelhança dos Santos Kilian, Bonifácio, Adelar, Eoban e Isabel da Turíngia, queremos ir, como cristãos, ao encontro dos nossos concidadãos e convidá-los a descobrirem conosco a plenitude da Boa Nova. Então seremos semelhantes ao famoso sino da catedral de Erfurt que se chama «Glorioso». É considerado o maior sino medieval do mundo que oscila livremente. É um sinal palpável do nosso profundo enraizamento na tradição cristã, mas também um sinal para nos pormos a caminho empenhando-nos na missão. O referido sino tocará também hoje no fim da Missa solene. Possa então estimular-nos para, a exemplo dos Santos, tornarmos visível e audível o testemunho de Cristo no mundo em que vivemos. Amém.

BENEDICTUS, PP XVI
 

Imagem de Nossa Senhora Aparecida despede-se de Salesópolis através de procissão fluvial

Assista a reportagem da TV Diário, afiliada da Rede Globo em Mogi das Cruzes-SP, sobre a despedida da imagem de Nossa Senhora Aparecida da cidade de Salesópolis e a procissão fluvial pela represa do Rio Tietê.

sexta-feira, 23 de setembro de 2011

Discurso do Papa Bento XVI nas Vésperas Marianas em Etzelsbach na Alemanha


Discurso de Sua Santidade o Papa Bento XVI nas Vésperas Marianas
Viagem Apostólica à Alemanha (22-25 de setembro de 2011)
Wallfahrtkapelle (Capela da peregrinação), Etzelsbach-Alemanha
23 de setembro de 2011


Queridos irmãos e irmãs,

Agora fica realizado o meu desejo de visitar Eichsfeld e de agradecer, juntamente convosco, à Virgem Maria aqui em Etzelsbach. "Aqui, no amado vale tranquilo" – como diz um cântico de peregrinos – e "sob as velhas tílias", Maria dá-nos segurança e nova força. Em duas ímpias ditaduras que se propuseram tirar aos homens a sua fé tradicional, o povo de Eichsfeld estava seguro de encontrar aqui, no santuário de Etzelsbach, uma porta aberta e um lugar de paz interior. Esta amizade particular com Maria, uma amizade que cresceu com tudo isso, queremo-la continuar inclusive com a celebração das Vésperas Marianas de hoje.

Em todos os tempos e lugares, quando os cristãos se dirigem a Maria, deixam-se espontaneamente guiar pela certeza de que Jesus não pode recusar os pedidos que Lhe apresenta sua Mãe; e apoiam-se na confiança inabalável de que Maria é ao mesmo tempo também nossa Mãe: uma Mãe que experimentou o maior sofrimento de todos, que conhece juntamente conosco todas as nossas dificuldades e pensa, de modo maternal, à superação das mesmas. No decorrer dos séculos, quantas pessoas foram em peregrinação a Maria, para encontrar - como aqui em Etzelsbach - diante da imagem de Nossa Senhora das Dores, consolação e conforto!

Contemplemos a sua imagem! Uma mulher de meia-idade, com as pálpebras pesadas pelo longo pranto e, ao mesmo tempo, o olhar sonhador perdido lá longe, como se estivesse a meditar em seu coração tudo o que acontecera. Nos seus joelhos, repousa o corpo sem vida do Filho; Ela abraça-o, delicadamente e com amor, como um precioso dom. No corpo nu do Filho, vemos os sinais da crucifixão. O braço esquerdo do Crucificado pende verticalmente para baixo. Quem sabe esta escultura da Pietà estivesse originariamente posta sobre um altar, como muitas vezes acontecia. Assim, o Crucificado apontaria, com o seu braço estendido, para o que sucede no altar, onde o santo sacrifício por Ele realizado se faz presente na Eucaristia.

Uma particularidade da imagem miraculosa de Etzelsbach é a posição do Crucificado. Na maior parte das representações da Pietà, Jesus morto jaz com a cabeça virada para a esquerda. Deste modo, o observador pode ver a ferida no lado do Crucificado; aqui em Etzelsbach, ao contrário, a ferida está escondida, justamente porque o cadáver está virado para o outro lado. Parece-me que, em tal representação, se esconde um profundo significado, que só se desvenda numa atenta contemplação: na imagem miraculosa de Etzelsbach, os corações de Jesus e da sua Mãe estão voltados um para o outro; estão junto um do outro. Trocam entre si o seu amor. Sabemos que o coração é também o órgão de uma sensibilidade mais delicada pelo outro, bem como o órgão da compaixão íntima. No coração de Maria, há o espaço para o amor que o seu divino Filho quer dar ao mundo.

A devoção mariana concentra-se na contemplação da relação entre a Mãe e o seu Filho divino. Os fiéis encontraram sempre novos aspectos e títulos que são capazes de nos descerrar mais profundamente este mistério, como, por exemplo, a imagem do Coração Imaculado de Maria como símbolo da unidade profunda e sem reservas com Cristo no amor. Não é a auto-realização que opera o verdadeiro desenvolvimento da pessoa – um dado que hoje é proposto como modelo da vida moderna, mas que pode facilmente mudar-se numa forma de refinado egoísmo –, mas sim a atitude do dom de si, que se orienta para o coração de Maria e, deste modo, também para o coração do Redentor.

"Nós sabemos que tudo concorre para o bem daqueles que amam a Deus, daqueles que são chamados segundo o seu desígnio" (Rm 8, 28): ouvimo-lo há pouco na leitura. Em Maria, Deus fez concorrer tudo para o bem, e não cessa de fazer com que, por meio de Maria, o bem se espalhe ainda mais no mundo. Da Cruz, do trono da graça e da redenção, Jesus deu aos homens como Mãe a sua própria Mãe, Maria. No momento do seu sacrifício pela humanidade, Ele, de certo modo, torna Maria medianeira do fluxo de graça que provém da Cruz. Junto da Cruz, Maria torna-se companheira e protetora dos homens ao longo do caminho da sua vida. «Cuida, com amor materno, dos irmãos de seu Filho que, entre perigos e angústias, caminham ainda na terra, até chegarem à pátria bem-aventurada» (Lumen Gentium, 62). É verdade! Na vida, atravessamos vicissitudes várias, mas Maria intercede por nós junto de seu Filho e comunica-nos a força do amor divino.

A nossa confiança na eficaz intercessão da Mãe de Deus e a nossa gratidão pela ajuda incessantemente experimentada encerram em si mesmas, de algum modo, o impulso para levar a reflexão mais além das necessidades de momento. Verdadeiramente que quer dizer-nos Maria, quando nos salva do perigo? Quer ajudar-nos a compreender a grandeza e a profundidade da nossa vocação cristã. Com delicadeza materna, quer-nos fazer compreender que toda a nossa vida deve ser uma resposta ao amor rico de misericórdia do nosso Deus. Como se nos dissesse: Compreende que Deus, o Qual é a fonte de todo o bem e nada mais quer senão a tua felicidade, tem o direito de exigir de ti uma vida que se abandone, sem reservas e com alegria, à sua vontade e se esforce por que os outros façam o mesmo também. «Onde há Deus, há futuro». Com efeito, onde deixarmos que o amor de Deus atue plenamente na nossa vida, aí se abre o céu. Aí é possível plasmar o presente de forma tal que corresponda sempre mais à Boa Nova de Nosso Senhor Jesus Cristo. Aí as pequenas coisas da vida diária têm o seu sentido, e os grandes problemas encontram aí a sua solução. Amém.

BENEDICTUS, PP XVI

fonte: Canção Nova

quinta-feira, 22 de setembro de 2011

Reportagem da TV Diário sobre a chegada da imagem de Nossa Senhora Aparecida em Salesópolis

Assista o vídeo da reportagem da TV Diário, da cidade de Mogi das Cruzes, sobre a chegada da imagem de Nossa Senhora Aparecida à Igreja Matriz São José e o Projeto Tietê Esperança Aparecida.

Observe-se no vídeo Pe Edinei Maia dos Santos, Pe Luciano Batata, Pe Palmiro Carlos Paes e Pe Antonio Agostinho Frasson,CSsR que veio do Santuário Nacional de Aparecida para trazer a imagem da Padroeira do Brasil e abençoar a Nascente do Rio Tietê.

Homilia do Papa Bento XVI na Santa Missa no Estádio Olímpico de Berlim


Homilia do Papa Bento XVI
Viagem Apostólica à Alemanha (22-25 de setembro de 2011)
Olympiastadion, Berlim-Alemanha
22 de setembro de 2011


Venerados irmãos no Episcopado,
Amados irmãos e irmãs,

O olhar pela ampla circunferência do estádio olímpico, que vós encheis hoje em tão grande número, gera em mim grande alegria e confiança. Com afecto saúdo a todos vós: os fiéis da arquidiocese de Berlim e das outras dioceses alemãs, bem como os numerosos peregrinos vindos dos países vizinhos. Há quinze anos, pela primeira vez, veio um Papa à capital federal de Berlim. Perdura viva em todos nós a recordação da visita do meu venerado Predecessor, o Beato João Paulo II, e da beatificação do Arcipreste da Catedral de Berlim, Bernhard Lichtenberg – juntamente com a de Karl Leisner – que se deu precisamente aqui, neste lugar.

Pensando nestes Beatos e em toda a série dos Santos e Beatos, podemos compreender o que significa viver como ramos da videira verdadeira, que é Cristo, e dar muito fruto. O Evangelho de hoje trouxe-nos à mente a imagem desta planta, que se alcandora frondosa no oriente e é símbolo de força vital, uma metáfora da beleza e dinamismo da comunhão de Jesus com os seus discípulos e amigos.

Na parábola da videira, Jesus não diz: «Vós sois a videira»; mas: «Eu sou a videira, vós os ramos» (Jo 15, 5). Isto significa: «Assim como os ramos estão ligados à videira, assim também vós pertenceis a Mim! Mas, pertencendo a Mim, pertenceis também uns aos outros». E, neste pertencer um ao outro e a Ele, não se trata de qualquer relação ideal, imaginária, simbólica, mas é – apetece-me quase dizer – um pertencer a Jesus Cristo em sentido biológico, plenamente vital. É a Igreja, esta comunidade de vida com Ele e de um para o outro, que está fundada no baptismo e se vai aprofundando cada vez mais na Eucaristia. «Eu sou a videira verdadeira»: isto na realidade, porém, significa: «Eu sou vós, e vós sois Eu» - uma identificação inaudita do Senhor connosco, a sua Igreja.

Uma vez, às portas de Damasco, o próprio Cristo perguntou a Saulo, o perseguidor da Igreja: «Porque Me persegues?» (Act 9, 4). Deste modo, o Senhor exprime a comunhão de destino que deriva da íntima comunhão de vida da sua Igreja com Ele, o Cristo ressuscitado. Ele continua a viver na sua Igreja neste mundo. Ele está connosco, e nós estamos com Ele. «Porque Me persegues?»: destas palavras se conclui que é a Jesus que ferem as perseguições contra a sua Igreja. E, ao mesmo tempo, não estamos sozinhos quando somos oprimidos por causa da nossa fé. Jesus está connosco.

Na parábola, Jesus começa dizendo: «Eu sou a videira verdadeira, e o meu Pai é o agricultor» (Jo 15, 1), explicando que o vinhateiro toma a tesoura, corta os ramos secos e poda aqueles que produzem fruto para que dêem mais fruto. Dizendo isto mesmo com a imagem do profeta Ezequiel, que escutámos na primeira leitura, Deus quer tirar do nosso peito o coração morto, de pedra, para nos dar um coração vivo, de carne (cf. Ez 36, 26). Quer dar-nos vida nova, pujante de força. Cristo veio chamar os pecadores; são estes que precisam do médico, não os sãos (cf. Lc 5, 31-32). Deste modo, como diz o Concílio Vaticano II, a Igreja é o «universal sacramento de salvação» (LG 48), que existe para os pecadores, a fim de lhes abrir o caminho da conversão, da cura e da vida. Esta é a verdadeira e grande missão da Igreja, que Cristo lhe conferiu.

Alguns olham para Igreja, detendo-se no seu aspecto exterior. Então ela aparece-lhes apenas como uma das muitas organizações presentes numa sociedade democrática; e, segundo as normas e leis desta, se deve depois avaliar e tratar inclusive uma figura tão difícil de compreender como é a «Igreja». Se depois se vem juntar ainda a experiência dolorosa de que, na Igreja, há peixes bons e maus, trigo e joio, e se o olhar se fixa nas realidades negativas, então nunca mais se desvenda o grande e profundo mistério da Igreja.

Consequentemente deixa de assomar qualquer alegria pelo facto de se pertencer a uma tal videira que é «Igreja». Crescem insatisfação e descontentamento, se não virem realizadas as próprias ideias superficiais e erróneas de «Igreja» e os próprios «sonhos de Igreja»! Então cessa também aquele jubiloso cântico «Agradeço ao Senhor que por graça me chamou à sua Igreja» que gerações de católicos cantaram com convicção.

E, no seu discurso, o Senhor continua dizendo: «Permanecei em Mim, que Eu permaneço em vós. Tal como o ramo não pode dar fruto por si mesmo, mas só permanecendo na videira, assim também acontecerá convosco, se não permanecerdes em Mim (…), pois, sem Mim – poder-se-ia traduzir também: fora de Mim –, nada podeis fazer» (Jo 15, 4-5).

Cada um de nós vê-se aqui confrontado com tal decisão. E o Senhor, na sua parábola, insiste na seriedade da mesma: «Se alguém não permanecer em Mim, é lançado fora, como um ramo, e seca. Esses são apanhados e lançados ao fogo, e ardem» (Jo 15, 6). A este respeito, observa Santo Agostinho: «Ao ramo toca uma coisa ou outra: ou a videira ou o fogo; se [o ramo] não estiver na videira, estará no fogo; por conseguinte, para que não esteja no fogo, fique na videira» (In Joan. Ev. tract. 81, 3: PL 35, 1842).

A escolha aqui pedida faz-nos compreender, de modo insistente, o significado existencial da nossa opção de vida. Ao mesmo tempo a imagem da videira é um sinal de esperança e confiança. Ao encarnar-Se, o próprio Cristo veio a este mundo para ser o nosso fundamento. Em cada necessidade e aridez, Ele é a fonte que dá a água da vida que nos sacia e fortalece. Ele mesmo carrega sobre Si todo o pecado, medo e sofrimento e, por fim, nos purifica e transforma misteriosamente em vinho bom. Em tais momentos de necessidade, às vezes sentimo-nos como que sob uma prensa, à semelhança dos cachos de uva que são completamente esmagados. Mas sabemos que, unidos a Cristo, nos tornamos vinho generoso.

Deus sabe transformar em amor mesmos as coisas pesadas e acabrunhadoras da nossa vida. Importante é «permanecermos» na videira, em Cristo. Neste breve trecho, o evangelista usa uma dúzia de vezes a palavra «permanecer». Este «permanecer-em-Cristo» caracteriza o discurso inteiro. No nosso tempo de inquietação e indiferença, em que tanta gente perde a orientação e o apoio; em que a fidelidade do amor no matrimónio e na amizade se tornou tão frágil e de breve duração; em que nos apetece gritar, em nossa necessidade, como os discípulos de Emaús: «Senhor, fica connosco, porque anoitece (cf. Lc 24, 29), sim, é escuro ao nosso redor!»; aqui o Senhor ressuscitado oferece-nos um refúgio, um lugar de luz, de esperança e confiança, de paz e segurança. Onde a secura e a morte ameaçam os ramos, aí, em Cristo, há futuro, vida e alegria.

Permanecer em Cristo significa, como já vimos, permanecer na Igreja. A comunidade inteira dos crentes está firmemente unida em Cristo, a videira. Em Cristo, todos nós estamos conjuntamente unidos. Nesta comunidade, Ele sustenta-nos e, ao mesmo tempo, todos os membros se sustentam uns aos outros. Juntos resistem às tempestades e oferecem protecção uns aos outros. Não cremos sozinhos, mas cremos com toda a Igreja.

Como anunciadora da Palavra de Deus e dispensadora dos sacramentos, a Igreja une-nos com Cristo, a videira verdadeira. A Igreja, como «a plenitude e o completamento do Redentor» [Pio XII, Mystici corporis, AAS 35 (1943), p. 230: «plenitudo et complementum Redemptoris»], é para nós penhor da vida divina e medianeira dos frutos de que fala a parábola da videira. A Igreja é o dom mais belo de Deus. Por isso, diz Santo Agostinho, «cada um possui o Espírito Santo na medida em que ama a Igreja de Cristo» (In Ioan. Ev. tract. 32, 8: PL 35, 1646). Com a Igreja e na Igreja, podemos anunciar a todos os homens que Cristo é a fonte da vida, que Ele está presente, que é a realidade grande por que anelamos. Dá-Se a Si mesmo. Quem crê em Cristo, tem um futuro. Porque Deus não quer aquilo que é árido, morto, artificial, e que no fim é deitado fora, mas quer as coisas fecundas e vivas, a vida em abundância.

Amados irmãos e irmãs! Desejo a todos vós que possais descobrir cada vez mais profundamente a alegria de estar unidos com Cristo na Igreja, que possais encontrar nas vossas necessidades conforto e redenção e que vos torneis cada vez mais o delicioso vinho da alegria e do amor de Cristo para este mundo. Amen.

BENEDICTUS, PP XVI

quarta-feira, 21 de setembro de 2011

Projeto Tietê Esperança Aparecida

Programação do Projeto Tietê Esperança Aparecida

22 de Setembro de 2011 - Quinta-feira
09h - Santa Missa no Santuário Nacional de Nossa Senhora Aparecida
12h - Chegada da imagem à cidade no campo da Sociedade Esportiva Salesopolense, em seguida a imagem seguirá em carreata até a Nascente do Rio Tietê e depois chegará na Igreja Matriz de São José.
19h30 - Santa Missa na Igreja Matriz São José

23 de Setembro de 2011 - Sexta-feira
18h30 - Carreata até o Distrito Nossa Senhora dos Remédios
19h30 - Santa Missa

24 de Setembro de 2011 - Sábado
07h30 - Missa na Igreja Matriz São José, celebrada pelo Pe Palmiro Carlos Paes, idealizador do Projeto Tietê Esperança Aparecida.
08h30 - Procissão Fluvial, saindo da Repressa do Aterrado, até a Barragem de Ponte Nova, de onde seguirá em carreta até Biritiba Mirim.

sábado, 17 de setembro de 2011

Discurso do Papa Bento XVI aos bispos de recente nomeação


Discurso de Sua Santidade o Papa Bento XVI aos bispos de recente nomeação
Castel Gandolfo, 15 de setembro de 2011

Caros irmãos no episcpado,

Como o cardeal Oullet mencionou, há 10 anos, os bispos de recente nomeação se encontram em Roma para realizar uma peregrinação à Tumba de São Pedro e para refletir sobre seus principais compromissos do ministério episcopal. Este encontro, promovido pela Congregação para os bispos e pela Congregação das Igrejas Orientais, se insere entre as iniciativas para a formação permanente prevista na Exortação apostólica pós sinodal Pastores gregis. Também vós, a pouco tempo da vossa consagração episcopal, sois convidados a renovar a profissão da vossa fé diante do túmulo dos Apóstolos e a vossa adesão confiante a Jesus Cristo, com o impulso do amor do mesmo Apóstolo, intensificando os vínculos de comunhão com o Sucessor de Pedro e com os irmãos bispos.

A este aspecto interior da iniciativa, se une uma forte experiência de colegialidade afetiva. O bispo, como sabeis, não é um homem solitário, mas está inserido naquele corpus episcoporum proveniente da sucesão apostólica até os nossos dias, ligando-se a Jesus, "Pastor e Bispos das nossas almas". A fraternidade episcopal que viveis nestes dias, se prolongue no sentir e no agir cotidiano do vosso serviço ajudando-vos a trabalhar sempre em comunhão com o Papa e com os vossos irmãos de episcopado, procurando cultivar também a amizade entres vós e os vossos sacerdotes. Neste espirito de comunhão e de amizade, vos acolho com grande afeto, bispos do Rito Latino e do Rito Oriental, saudando em cada um de vós, as Igrejas confiadas aos vossos cuidados pastorais, com um pensamento particular voltado àqueles que estão sofrendo, em modo especial no Oriente Médio. Agradeço ao Cardeal Marc Ouellet, prefeito da Congregação para os bispos, pelas palavras a mim dirigidas em vosso nome e pelo livro e o Cardeal Leonardo Sandri, prefeito da Congregação para as Igrejas Orientais.

O encontro anual com os bispos nomeados no decorrer do ano, me deu a possibilidade de sublinhar alguns aspectos do ministério episcopal. Hoje gostaria de refletir brevemente convosco sobre a importância da acolhida, por parte dos bispos, dos carismas que o Espírito suscita para a edificação da Igreja. A consagração episcopal vos conferiu a plenitude do Sacramento da Ordem, que, na comunidade eclesial, se coloca a serviço do sacerdócio comum dos fiéis, do crescimento espiritual e da santidade dos mesmos.

O sacerdócio ministerial, de fato, como sabeis, tem o objetivo e a missão de fazer acontecer o sacerdócio dos fiéis, que, na força do batismo, participam a seu modo, ao único sacerdócio de Cristo, como afirma a Constituição Conciliar Lumen Gentium: "O sacerdócio comum dos fiéis e o sacerdocio ministerial e hierárquico, mesmo que se diferenciem essencialmente e não somente em relação ao grau, são, todavia, ordenados um para o outro, a fim que um e outro, cada um ao seu modo, participem ao único sacerdócio de Cristo". Por esta razão, os bispos têm a tarefa de estarem atentos e trabalhar a fim que os batizados possam crescer na graça e segundo os carismas que o Espirito Santo suscita nos seus corações e nas suas comunidades.

O Concílio Vaticano II recordou que o Espírito Santo, enquanto unifica na comunhão e no ministério da Igreja, provê e dirige com os diversos dons hierárquicos e carismáticos e a embeleza com seus frutos. A recente Jornada Mundial da Juventude demonstrou mais uma vez, a fecundidade e a riqueza dos carismas na Igreja e a unidade eclesial de todos os fiéis reunidos ao redor do Papa e dos bispos. Uma vitalidade que reforça a obra de evangelização e a presença da Igreja no mundo. E vejamos, podemos quase tocar o Espírito Santo que também hoje é presente na Igreja, o qual cria carismas e cria unidade.

O dom fundamental ao qual sois chamados a alimentar os fiéis confiados aos vossos cuidados pastorais é antes de tudo, aquele da filiação divina, que é a participação de cada um na comunhão trinitária. O essencial é que nos tornemos realmente filhos e filhas no Filho. O batismo, que constitui os homens "filhos no Filho" e membros da Igreja, é a raiz e a fonte de todos os outros dons carismáticos. Com o vosso ministério de santificação vós educais os fiéis a participar sempre mais intensamente do ofício sacerdotal, profético e real de Cristo, ajudando-os a edificar a Igreja, segundo os dons recebidos de Deus, em modo ativo e corresponsável. De fato, devemos sempre ter consciência que os dons do Espírito, extraordinários ou simples e humildes que sejam, são sempre dados gratuitamente para a edificação de todos. O bispo, enquanto sinal visível da unidade da sua Igreja particular, tem a missão de unificar e harmonizar a diversidade carismática na unidade da Igreja, favorecendo a reciprocidade entre o sacerdócio ordenado e sacerdócio batismal.

Acolhais, portanto, os carismas com gratidão para a santificação da Igreja e a vitalidade do apostolado! E este acolhimento e gratidão em relação ao Espirito Santo, que opera também hoje entre nós, são inseparáveis do discernimento,que é exatamente a missão do bispo, como orientou o Concílio Vaticano II, que confiou ao ministério pastoral, o juízo sobre a genuinidade dos carismas e sobre seus serviços ordinários, sem extinguir o Espirito Santo, mas examinando e julgando aquilo que é bom. Isto me parece importante: de uma parte não extinguir, mas por outro lado, distinguir, ordenar e julgar examinando. Por isto deve estar sempre claro que nenhum carisma dispensa a referência e a submissão aos Pastores da Igreja. Acolhendo, julgando e ordenando os diversos dons e carismas, o bispo presta um grande e precioso serviço ao sacerdócio dos fiéis e à vitalidade da Igreja, que resplenderá como esposa do Senhor, revestida da santidade dos seus filhos.

Este articulado e delicado ministério requer ao bispo de alimentar com cuidado a própria vida espiritual. Somente assim cresce o dom do discernimento. Como afirma a Exortação Apostólica Pastores gregis, o bispo se torna pai exatamente porque é plenamente um filho da Igreja. Por outro lado, munido pela plenitude do Sacramento da Ordem, é mestre, santificador e Pastor que age em nome e na pessoa de Cristo. Estes dois aspectos inseparáveis o chamam a crescer como filho e como Pastor no seguimento de Cristo, de modo que, a sua santidade pessoal, manifeste a santidade objetiva recebida com a consagração episcopal, já que a santidade objetiva do sacramento e a santidade pessoal do bispo caminham juntas.

Vos exorto, pois, caros irmãos, a permanecer sempre na presença do Bom Pastor e a assimilar sempre mais os seus sentimentos e as suas virtudes humanas e sacerdotais, mediante a oração pessoal que deve acompanhar as vossas jornadas apostólicas. Na intimidade com o Senhor encontrareis conforto e sustento para o vosso ministério. Não tenhais medo de confiar ao coração de Jesus Cristo todas as vossas preocupações, certos que Ele cuida de vocês, como já ensinava o apóstolo Pedro. A oração seja sempre nutrida da meditação da Palavra de Deus, do estudo pessoal, do recolhimento e do justo repouso, a fim que possais com serenidade saber escutar e acolher aquilo que Espirito diz às Igrejas e conduzir todos à unidade da fé e do amor.

Com a santidade da vossa vida e a caridade pastoral sereis exemplo e ajuda aos sacerdotes, vossos primeiros indispensáveis colaboradores. Será vossa principal atenção crescer na corresponsabilidade como sábios guias dos fiéis, que convosco são chamados a edificar a comunidade, com os seus dons, os seus carismas, com o testemunho da vida deles, para que na comunhão da Igreja dê testemunho em Jesus Cristo, a fim que o mundo creia. E esta proximidade aos sacerdotes, hoje, com tantos problemas, é de grandíssima importância.

Confiando o vosso ministério à Maria, Mãe da Igreja, que está diante d povo de Deus repleta dos dons do Espírito Santo, dirijo com afeto a cada um de vocês, às vossas dioceses e particularmente aos vossos sacerdotes, a Benção Apostólica. Obrigado.

BENEDICTUS, PP XVI



quinta-feira, 15 de setembro de 2011

Nossa Senhora das Dores

"Quero ficar junto à cruz, velar contigo a Jesus e o teu pranto enxugar!"

Assim, a Igreja reza a Maria neste dia, pois celebramos sua compaixão, piedade; suas sete dores cujo ponto mais alto se deu no momento da crucifixão de Jesus. Esta devoção deve-se muito à missão dos Servitas – religiosos da Companhia de Maria Dolorosa – e sua entrada na Liturgia aconteceu pelo Papa Bento XIII.

A devoção a Nossa Senhora das Dores possui fundamentos bíblicos, pois é na Palavra de Deus que encontramos as sete dores de Maria: o velho Simeão, que profetiza a lança que transpassaria (de dor) o seu Coração Imaculado; a fuga para o Egito; a perda do Menino Jesus; a Paixão do Senhor; crucifixão, morte e sepultura de Jesus Cristo.

Nós, como Igreja, não recordamos as dores de Nossa Senhora somente pelo sofrimento em si, mas sim, porque também, pelas dores oferecidas, a Santíssima Virgem participou ativamente da Redenção de Cristo. Desta forma, Maria, imagem da Igreja, está nos apontando para uma Nova Vida, que não significa ausência de sofrimentos, mas sim, oblação de si para uma civilização do Amor.

Nossa Senhora das Dores, rogai por nós!

quarta-feira, 14 de setembro de 2011

Exaltação da Santa Cruz


A Festa da Exaltação da Santa Cruz, que celebramos hoje, 14 de setembro, é a Festa da Exaltação do Cristo vencedor. Para nós cristãos, a cruz é o maior símbolo de nossa fé, cujos traços sobre nós invocamos desde o início do dia, quando levantamos, até o fim da noite ao deitarmos. Quando somos apresentados à comunidade cristã, na cerimônia batismal, o primeiro sinal de acolhida é o sinal da cruz traçado em nossa fronte pelo padre, pais e padrinhos, sinalando-nos para sempre com Cristo.

Nos reunimos com todos os santos, neste dia, para exaltar a Santa Cruz, que é fonte de santidade e símbolo revelador da vitória de Jesus sobre o pecado, a morte e o demônio; também na Cruz encontramos o maior sinal do amor de Deus, por isso :

"Nós, porém, pregamos um Messias crucificado, escândalo para os judeus, loucura para os pagãos " (I Cor 1,23)

Esta festividade está ligada à dedicação de duas importantes basílicas construídas em Jerusalém por ordem de Constantino, filho de Santa Helena. Uma, construída sobre o Monte do Gólgota e outra, no lugar em que Cristo Jesus foi sepultado e ressuscitado pelo poder de Deus.

A dedicação destas duas basílicas remonta ao ano 335, quando a Santa Cruz foi exaltada ou apresentada aos fiéis. Encontrada por Santa Helena, foi roubada pelos persas e resgatada pelo imperador Heráclio. Graças a Deus a Cruz está guardada na tradição e no coração de cada verdadeiro cristão, por isso neste dia, a Igreja nos convida a rezarmos: "Do Rei avança o estandarte, fulge o mistério da Cruz, onde por nós suspenso o autor da vida, Jesus. Do lado morto de Cristo, ao golpe que lhe vibravam, para lavar meu pecado o sangue e a água jorravam. Árvore esplêndida bela de rubra púrpura ornada dos santos membros tocar digna só tu foste achada".

"Viva Jesus! Viva a Santa Cruz!"

Santa Cruz, sede a nossa salvação!

terça-feira, 13 de setembro de 2011

Acolhida da Cruz da Jornada Mundial da Juventude na Diocese de Mogi das Cruzes

ACOLHIDA DA CRUZ DA JORNADA MUNDIAL DA JUVENTUDE BRASIL 2013
DIOCESE DE MOGI DAS CRUZES
25 de Setembro de 2011

Chegada Oficial: Catedral de Santana às 16h
Celebração Eucarística às 19h presidida por Dom Airton José dos Santos

INFORMAÇÕES
Pe. Reginaldo Martins da Silva
Assessor Diocesano do Setor Juventude
naldmartin@gmail.com - Telefone: (11) 4638-2205

PROGRAMAÇÃO DIOCESANA

25 de Setembro de 2011 - Domingo

12h Concentração para recepção da Cruz na Paróquia Nossa Senhora das Graças em Itaquaquecetuba; Em seguida haverá uma carreata em direção a Paróquia Nossa Senhora D’ajuda;
13h Concentração na Paróquia Jesus Divino Mestre (Jd. São Carlos) com a reflexão do tema “Anunciação”;
13h30 Continuação da carreata em direção a Paróquia Cristo Redentor do Homem;
14h Chegada ao Aterro Sanitário em Itaquaquecetuba com a oração do Oficio da Juventude;
15h Saída da carreata em direção ao Presídio em Suzano;
15h45 Oração e reflexão no presídio com o tema: “Nascimento de Jesus”;
16h30 Saída da carreata em direção a Catedral Diocesana Sant’ana;
17h Chegada oficial da cruz e do ícone na Praça da Matriz; Evangelizashow com os ministérios de música da diocese;
18h15 Oração do Terço mariano
19h00 Celebração Eucarística presidida pelo bispo diocesano Dom Airton José dos Santos
20h30 Caminhada Luminosa
21h Parada frente a Santa Casa de Misericórdia com a reflexão a “Paixão de Jesus”;
21h30 Continuação da caminhada e parada na Praça e evangelização com os jovens;
22h Encerramento com a benção na Paróquia Nossa Senhora do Socorro.

26 de Setembro de 2011 - Segunda-feira

07h Na Catedral Diocesana Sant’ana Oração das Laudes;
08h Momento Mariano (Oração do Terço);
09h Celebração Eucarística com a presença das escolas municipais de Mogi das Cruzes;
10h30 Saída em carreata para Diocese de Santos;

domingo, 11 de setembro de 2011

Homilia do Papa Bento XVI no 25º Congresso Eucarístico Nacional da Itália

HOMILIA NO ENCERRAMENTO DO XXV CONGRESSO EUCARÍSTICO NACIONAL
Visita Pastoral a Ancona (Itália)
Domingo, 11 de setembro de 2011


Caríssimos irmãos e irmãs!

Há seis anos, a primeira viagem apostólica do meu pontificado na Itália conduziu-me a Bari, para o 24º Congresso Eucarístico Nacional. Hoje, venho para concluir solenemente o 25º, aqui em Ancona. Agradeço ao Senhor por esses intensos momentos eclesiais que reforçam o nosso amor à Eucaristia e nos veem unidos em torno à Eucaristia! Bari e Ancona, duas cidades às margens do mar Adriático; duas cidades ricas de história e de vida cristã; duas cidades abertas ao Oriente, à sua cultura e à sua espiritualidade; duas cidades que os temas dos Congressos Eucarísticos contribuíram para aproximar: em Bari, tínhamos feito memória de como "sem o Domingo não podemos viver"; hoje, o nosso reencontro acontece sob o lema "Eucaristia para a vida cotidiana".

Antes de oferecer-vos alguma reflexão, gostaria de agradecer-vos por essa vossa coral participação: em vós, abraço espiritualmente toda a Igreja que está na Itália. Dirijo uma agradecida saudação ao presidente da Conferência Episcopal, Cardeal Angelo Bagnasco, pelas cordiais palavras que me dirigiu também em nome de todos vós; ao meu Legado a esse Congresso, Cardeal Giovanni Battista Re; ao Arcebispo de Ancona-Osimo, Dom Edoardo Menichelli, aos Bispos da Metropolìa, das Marche e àqueles inúmeros vindos de toda parte do país. Juntamente com eles, saúdo os sacerdotes, os diáconos, os consagrados e as consagradas, e os fiéis leigos, entre os quais vejo muitas famílias e muitos jovens. A minha gratidão vai também às Autoridades civis e militares e a quantos, de modos diversos, contribuíram para o bom êxito desse evento.

"Essa palavra é dura! Quem o pode admitir?" (Jo 6,60). Diante do discurso de Jesus sobre o pão da vida, na Sinagoga de Cafarnaum, a reação dos discípulos, muitos dos quais abandonaram Jesus, não está muito distante das nossas resistências diante do dom total que Ele faz de si mesmo. Porque acolher verdadeiramente esse dom significa perder-se, deixar-se envolver e transformar, até ao ponto de viver d'Ele, como nos recordou o apóstolo Paulo na segunda Leitura: "Se vivemos, vivemos para o Senhor; se morremos, morremos para o Senhor. Quer vivamos quer morramos, pertencemos ao Senhor" (Rm 14,8).

"Essa palavra é dura!"; é dura porque muitas vezes confundimos a liberdade com a ausência de vínculos, com a convicção de podermos agir sozinhos, sem Deus, visto como um limite à liberdade. É essa uma ilusão que não demora em tornar-se uma desilusão, gerando inquietude e medo e levando, paradoxalmente, a lamentar as cadeias do passado: "Oxalá tivéssemos sido mortos pela mão do Senhor no Egito..." – diziam os hebreus no deserto (Êx 16,3), como escutamos. Na verdade, só na abertura a Deus, no acolhimento de seu dom, nos tornamos verdadeiramente livres, livres da escravidão do pecado, que desfigura o rosto do homem, e capazes de servir ao verdadeiro bem dos irmãos.

"Essa palavra é dura!"; é dura porque o homem cai frequentemente na ilusão de poder "transformar as pedras em pão". Após ter colocado Deus de lado, ou tê-Lo tolerado como uma escolha particular que não deve interferir na vida pública, certas ideologias tentaram organizar a sociedade com a força do poder e da economia. A história nos mostra, de forma dramática, como o objetivo de garantir a todos desenvolvimento, bem-estar material e paz prescindindo de Deus e da sua revelação resultaram em um dar aos homens pedras no lugar de pão. O pão, queridos irmãos e irmãs, é "fruto do trabalho do homem", e nessa verdade está contida toda a responsabilidade confiada às nossas mãos e à nossa inventividade; mas o pão é também, e antes disso, "fruto da terra ", que recebe do alto sol e chuva: é dom a se pedir, que tolhe toda a soberba e nos faz invocar com a confiança dos humildes: "Pai (...), dá-nos hoje o nosso pão de cada dia "(Mt 6, 11).

O homem é incapaz de se dar a vida por si mesmo, ele se compreende somente a partir de Deus: é a relação com Ele que dá consistência à nossa humanidade e torna boa e justa a nossa vida. No Pai nosso, pedimos que seja santificado o Seu nome, que venha o Seu reino, que se cumpra a Sua vontade. É antes de tudo o primado de Deus que devemos recuperar no nosso mundo e na nossa vida, porque é esse primado que nos permite reencontrarmos a verdade daquilo que somos, e é no conhecer e seguir a vontade de Deus que encontramos o nosso verdadeiro bem. Dar tempo e espaço a Deus, para que seja o centro vital da nossa existência.

De onde partir, como da fonte, para recuperar e reafirmar o primado de Deus? Da Eucaristia: aqui Deus se faz tão próximo a ponto de se fazer nosso alimento, aqui Ele se torna força no caminho muitas vezes difícil, aqui se faz presença amiga que transforma. Já a Lei dada por meio de Moisés era considerada como "pão do céu", graças ao qual Israel torna-se o povo de Deus, mas, em Jesus, a palavra última e definitiva de Deus se faz carne, nos vem ao encontro como Pessoa. Ele, Palavra eterna, é o verdadeiro maná, é o pão da vida (cf. Jo 6,32-35) e cumprir as obras de Deus é crer n'Ele (cf. Jo 6,28-29). Na Última Ceia, Jesus resume toda a sua existência em um gesto que se inscreve na grande bênção pascal a Deus, gesto que Ele vive enquanto Filho como ação de graças ao Pai pelo seu imenso amor. Jesus parte o pão e o partilha, mas com uma profundidade nova, porque Ele doa a si mesmo. Toma o cálice e o compartilha para que todos o possam beber, mas com esse gesto Ele dá a "nova aliança no seu sangue", dá a si mesmo. Jesus antecipa o ato de amor supremo, em obediência à vontade do Pai: o sacrifício da Cruz. A vida lhe será tolhida sobre a Cruz, mas já agora Ele lha oferece por si mesmo. Assim, a morte de Cristo não é reduzida a uma execução violenta, mas é transformada por Ele em um livre ato de amor, de autodoação, que atravessa vitoriosamente a própria morte e reafirma a bondade da criação nascida das mãos de Deus, humilhada pelo pecado e finalmente redimida. Esse imenso dom está a nós acessível no Sacramento da Eucaristia: Deus se dá a nós, para abrir a nossa existência a Ele, para envolvê-la no mistério de amor da Cruz, para torná-la participante do mistério eterno do qual provimos e para antecipar a nova condição da vida plena em Deus, na expectativa da qual vivemos.

Mas o que comporta para a nossa vida cotidiana esse partir da Eucaristia para reafirmar o primado de Deus? A comunhão eucarística, queridos amigos, arranca-nos do nosso individualismo, comunica-nos o espírito do Cristo morto e ressuscitado, conforma-nos a Ele; une-nos intimamente aos irmãos naquele mistério de comunhão que é a Igreja, onde o único Pão faz de muitos um só corpo (cf. 1 Cor 10,17), realizando a oração da comunidade cristã das origens reportada no livro da Didaché: "Como esse pão partido era espalhado sobre as colinas e recolhido tornava-se uma coisa só, assim a tua Igreja dos confins da Terra é reunida no teu Reino" (IX, 4). A Eucaristia sustenta e transforma toda a vida cotidiana. Como recordei na minha primeira Encíclica, na comunhão eucarística, está contido o ser amado e o amar, por sua vez, os outros. Uma Eucaristia que não se traduza em amor concretamente vivido é, em si mesma, fragmentária" (Deus caritas est, 14).

A bimilenária história da Igreja é constelada de santos e santas, cuja existência é sinal eloquente de como exatamente da comunhão com o Senhor, da Eucaristia nasce um novo e intenso assumir de responsabilidade em todos os níveis da vida comunitária, nasce portanto um desenvolvimento social positivo, que tem ao centro a pessoa, especialmente aquela pobre, doente ou marginalizada. Nutrir-se de Cristo é o caminho para não permanecer estranhos ou indiferentes às sortes dos irmãos, mas entrar na mesma lógica do amor e de dom do sacrifício da Cruz; que sabe ajoelhar-se diante da Eucaristia, quem recebe o corpo do Senhor não pode não ser atento, na trama ordinária dos dias, às situações indignas do homem, e sabe chorar em primeira pessoa pelo necessitado, sabe partilhar o próprio pão com o faminto, partilhar a água com o sedento, revestir quem está nu, visitar o doente e o encarcerado (cf. Mt 25,34-36). Em cada pessoa saberá ver aquele mesmo Senhor, que não hesitou em dar completamente a si mesmo por nós e para a nossa salvação. Uma espiritualidade eucarística, portanto, é o verdadeiro antídoto ao individualismo e ao egoísmo que frequentemente caracterizam a vida cotidiana, leva à redescoberta da gratuidade, da centralidade das relações, a partir da família, com particular atenção a curar as feridas dos desgregados. Uma espiritualidade eucarística é alma de uma comunidade eclesial que supera divisões e contraposições e valoriza a diversidade de carismas e ministérios, colocando-os a serviço da unidade da Igreja, da sua vitalidade e da sua missão. Uma espiritualidade eucarística é caminho para restituir dignidade aos dias do homem e, portanto, ao seu trabalho, na busca da sua conciliação com os tempos de descanso e da família e no compromisso em superar a incerteza da insegurança e o problema do desemprego. Uma espiritualidade eucarística nos ajudará também a abordar as diferentes formas de fragilidade humana, conscientes de que não ofuscam o valor da pessoa, mas requerem proximidade, acolhida e auxílio. Do Pão da vida buscará vigor uma renovada capacidade educativa, atenta a testemunhar os valores fundamentais da existência, do saber, do patrimônio espiritual e cultural; a sua vitalidade nos fará habitar na cidade dos homens com a disponibilidade de gastar-nos no horizonte do bem comum para a construção de uma sociedade mais justa e fraterna.

Queridos amigos, repartamos desta terra marchigiana com a força da Eucaristia em uma constante osmose entre o mistério que celebramos e os âmbitos do nosso cotidiano. Não há nada de autenticamente humano que não encontre na Eucaristia a forma adequada para ser vivido em plenitude: a vida cotidiana torna-se, portanto, lugar do culto espiritual, para viver em todas as circunstâncias o primado de Deus, no interior da relação com Cristo e como oferta ao Pai (cf. Exortação Apostólica pós-sinodal Sacramentum caritatis, 71). Sim, "não só de pão vive o homem, mas de cada palavra que sai da boca de Deus" (Mt 4,4): nós vivemos da obediência a essa palavra, que é pão vivo, até entregarmo-nos, como Pedro, com a inteligência do amor: "Senhor, a quem iremos? E nós cremos e sabemos que tu és o Santo de Deus!" (Jo 6,68-69).

Como a Virgem Maria, tornemo-nos também nós "ventre" disponível para oferecer Jesus ao homem do nosso tempo, revelando o desejo profundo daquela salvação que vem somente d'Ele. Bom caminho, com Cristo Pão da vida, a toda a Igreja que está na Itália!


BENEDICTUS, PP XVI
 
fonte: Canção Nova
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