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sábado, 19 de março de 2011

19 de Março - Solenidade de São José, Esposo da Virgem Maria e Patrono Universal da Igreja

Celebramos 19 de Março, Solenidade de São José, Esposo da Virgem Maria e Patrono Universal da Igreja, escolhido por Deus como protetor da Sagrada Família, Padroeiro de Salesópolis, de nossa Igreja Matriz e de nossa Paróquia, nossa cidade que em sua origem chama-se São José do Paraitinga, pois o Glorioso São José foi escolhido por Deus como protetor e intercessor de nosso povo.

São José é o intercessor pela boa-morte porque ele morreu acalentado por Jesus e pela Virgem Maria, com quem teve a graça de habitar no mesmo lar.

São José também é padroeiro de muitas cidades, paróquias, igrejas, seminários, dioceses e arquidioceses espalhadas no Brasil e no mundo. Celebramos também o onomástico de S.S. Papa Bento XVI, pois seu nome de batismo é Joseph Ratzinger. Rogamos a intercessão de São José por toda a Igreja Católica, pelas vocações sacerdotais, pelos pais de família, pelos trabalhadores, por nossa cidade de Salesópolis, pelos agonizantes e todos os cristãos do mundo inteiro.

Qual a missão especial de José com relação a Maria? Consistiu ela sobretudo em preservar a virgindade e a honra de Maria, contraindo com a futura Mãe de Deus um verdadeiro matrimônio, mas absolutamente santo. Conforme relata o Evangelho de São Mateus (1, 20): “O anjo do Senhor, que apareceu em sonho a José lhe diz: “José, filho de Daví, não temas receber Maria como tua esposa, pois o que nela se gerou é obra do Espírito Santo”. Maria é perfeitamente sua esposa. Trata-se de um matrimônio verdadeiro , mas inteiramente celeste e que devia ter fecundidade inteiramente divina. A plenitude inicial de graça dada à Virgem em vista da maternidade divina fazia apelo em certo sentido ao mistério da Encarnação. “A virgindade de Maria atraiu Jesus do céu… Se sua pureza a tornou fecunda, não hesitarei, no entanto, em afirmar que José teve sua parte nesse grande milagre. Pois tal pureza angélica, apanágio da divina Maria, foi também o desvelo do justo José”.

Era a união sem mácula e inteiramente respeitosa com a criatura mais perfeita que jamais existira, em ambiente extremamente simples, qual o de um pobre artesão de aldeia. Assim, José se aproximou mais intimamente do que qualquer outro santo daquela que é a Mãe de Deus, daquela que é também a Mãe espiritual de todos os homens e dele próprio José, daquela que é Co-Redentora, Mediadora universal, dispensadora de todas as graças. Por todos esses títulos José amou Maria com o mais puro e devotado amor; era de certo um amor teologal, porquanto ele amava a Virgem em Deus e por Deus, por toda a glória que ela dava a Deus. A beleza de todo o universo nada era em face da sublime união dessas duas almas, união criada pelo Altíssimo, que encantava os anjos e ao próprio Senhor enchia de júbilo.
Qual foi a missão excepcional de José perante o Senhor? Em verdade, o Verbo de Deus feito carne foi confiado a ele, José, de preferência a qualquer outro justo dentre os homens de todas as gerações. O santo velho Simeão teve o menino Jesus em seus braços por alguns instantes e viu nele a salvação dos povos ― “lumen ad revelationem gentium” ― mas José velou todas as horas, noite e dia, sobre a infância de Nosso Senhor. Muitas vezes teve em suas mãos aquele em quem via seu Criador e Salvador. Recebeu dele graças sobre graças durante os vários anos em que viveu com ele na maior intimidade do dia-a-dia. Viu-o crescer. Contribuiu para sua educação humana. Jesus lhe foi submisso. É comumente chamado de “pai nutrício do Salvador”; porém em certo sentido foi mais que isso, pois como nota Santo Tomás é acidentalmente que após o casamento um homem se vem a tornar “pai nutrício” ou “pai adotivo”, enquanto que não foi absolutamente de forma acidental que José ficou encarregado de zelar por Jesus. Ele foi criado e posto no mundo precisamente para tal fim. Esta foi a sua predestinação. Foi em vista de tal missão divina que a Providência lhe concedeu todas as graças recebidas desde a infância: graça de piedade profunda, de virgindade, de prudência, de fidelidade perfeita. Sobretudo, nos desígnios eternos de Deus, toda a razão de ser da união de José com Maria era a proteção e a educação do Salvador; Deus lhe deu um coração de pai para velar pelo menino Jesus. Esta é a missão principal de José, em vista da qual ele recebeu uma santidade proporcionada a seu papel no mistério da Encarnação, mistério que domina a ordem da graça e cujas perspectivas são infinitas.

A Santa Missa da Solenidade de São José nos apresenta as seguintes leituras:

I Leitura 2Samuel 7,4-5.12-14.16: São José é o "pai adotivo" do Salvador da humanidade, Nosso Senhor Jesus Cristo;

Salmo Responsorial 88 (89): "Eis que sua descendência durará eternamente"

II Leitura Romanos 4,13.16-18.22: São José entrou sua confiança inteiramente em Deus;

Evangelho Mateus 1, 16.18-21.24: Se Maria é a escolhida, São José também é o escolhido por Deus como protetor e guia da Sagrada Família, também disse seu "sim" a Deus a quem entregou-se inteiramente.

Ladainha de São José

Senhor, tende piedade de nós.
Jesus Cristo, tende piedade de nós.
Senhor, tende piedade de nós.

Jesus Cristo, ouvi-nos.
Jesus Cristo, atendei-nos.

Deus, Pai dos Céus, tende piedade de nós.
Deus Filho, Redentor do mundo, tende piedade de nós.
Deus Espírito Santo, tende piedade de nós.
Santíssima Trindade, que sois um só Deus, tende piedade de nós.
Santa Maria, rogai por nós.
São José,
Ilustre filho de David,
Luz dos Patriarcas,
Esposo da Mãe de Deus,
Casto guarda da Virgem,
Sustentador do Filho de Deus,
Zeloso defensor de Jesus Cristo,
Chefe da Sagrada Família,
José justíssimo,
José castíssimo,
José prudentíssimo,
José fortíssimo,
José obedientíssimo,
José fidelíssimo,
Espelho de paciência,
Amante da pobreza,
Modelo dos operários,
Honra da vida de família,
Guarda das virgens,
Sustentáculo das famílias,
Alívio dos miseráveis,
Esperança dos doentes,
Patrono dos moribundos,
Terror dos demônios,
Protetor da Santa Igreja,

Cordeiro de Deus, que tirais os pecados do mundo,
R/. perdoai-nos, Senhor.

Cordeiro de Deus, que tirais os pecados do mundo,
R/. atendei-nos, Senhor.

Cordeiro de Deus, que tirais os pecados do mundo,
R/. tende piedade de nós.

V/. Ele constituiu-o senhor da sua casa.
R/. E fê-lo príncipe de todos os seus bens.

Oremos. Ó Deus, que por inefável providência Vos dignastes escolher a São José por esposo de vossa Mãe Santíssima; concedei-nos, Vo-lo pedimos, que mereçamos ter por intercessor no Céu, aquele que veneramos na Terra como protetor. Vós que viveis e reinais por todos os séculos dos séculos. Amém.

José, o Justo

Os últimos Papas foram unânimes na devoção a São José. Em 1870, Pio IX o proclamou Patrono da Igreja Católica, com festa a ser celebrada em 19 de março. Em 1889, Leão XIII publicou a primeira encíclica sobre São José, propondo seu exemplo de santidade como modelo para todos os fiéis. Em 1955, Pio XII estabeleceu a celebração da memória de São José Operário em 1º de maio. Em 1961, João XXIII confiou o Concilio Vaticano II ao patrocínio de São José e inseriu seu nome no Cânon Romano. João Paulo II, em Exortação Apostólica de 1989, destacou a figura e a missão de S. José na vida de Cristo e da Igreja, realçando sua participação no mistério da Encarnação.

Na piedade popular sua figura sempre esteve presente. Nos séc. XVII e XVIII surgiram na Europa, inúmeros escritos devocionais e tratados teológicos sobre São José. Nesse período, marcado “pelo advento do Iluminismo [...] São José foi redescoberto como o mestre da vida interior, vivida na família, no silêncio do trabalho e na cotidianidade da vida do dia-a-dia” (L. Boff. São José: a personificação do pai. Campinas: Verus, 2005).

Desde o sec. XVI surgiram na Igreja quase duas centenas de Congregações Religiosas, masculinas e femininas, sob o patrocínio de S. José. Milhões de pessoas no mundo levam seu nome (como o Papa Bento XVI, batizado Joseph), além de inumeráveis paróquias, escolas, cidades, lugares, instituições.

Contudo, da história de José há apenas breves relatos na Bíblia, nos quais ele aparece sempre em estreita relação com Jesus e Maria. De sua origem sabe-se apenas que era da linhagem de Davi; sobre sua infância, juventude e morte não há registros. Não era escriba nem fariseu; não pertencia à classe sacerdotal ou levítica; não servia à burocracia estatal como os cobradores de impostos e saduceus. Tampouco pertencia aos grupos judaicos piedosos da época, como essênios ou zelotes.

José era um homem simples, de Nazaré, lugarejo do interior sem importância. Era construtor-artesão, profissão igualmente simples. O construtor basicamente era um carpinteiro, que trabalhava com madeira, pedras e ferro, construindo móveis, casas, enxadas e outros utensílios. Por certo Jesus trabalhou com ele na carpintaria durante muito tempo, pois seus conterrâneos em Nazaré, escandalizados com o seu ensinamento, se indagavam: “Esse homem não é o filho do carpinteiro?” (Mt 13,55) ou “Esse homem não é o carpinteiro, o filho de Maria?” (Mc 6,3).

Chama atenção o silêncio de José: não se encontra nenhuma palavra dele nos Evangelhos. Seu silêncio, no entanto, é eloquente. “Sua fala não é por palavras, mas por atitudes, gestos, compromissos de pai e de esposo” (Ibid. p. 172). Seu testemunho de pai zeloso e esposo fiel é seu discurso. Enquanto Maria deu a vida a Jesus, José, com sua paternidade, o inseriu na história judaica, educou, introduziu nas tradições do seu povo.

O Evangelho de Mateus (1,19) elogia José chamando-o JUSTO, conceito que na cultura judaica se aplica “à pessoa que dá o valor exato às pessoas e às coisas; que age com retidão; que ama o direito e observa as leis” (Ibid. p. 59). Justo é aquele cujo testemunho de integridade irradia na comunidade e se torna referência para os outros.

João XXIII invocou a proteção de São José para o Concilio e bem sabemos da riqueza de seus frutos para a Igreja e o mundo. Por isso, na festa litúrgica de São José, esposo da Virgem Maria, invocamos confiantes sua proteção para o Brasil, para as famílias, crianças, jovens, professores, estudantes, trabalhadores, autoridades. Que aprendamos com São José a virtude da justiça, tão necessária aos nossos dias!

Texto "José, o Justo" do Padre João Batista Cesário, coordenador da Pastoral Universitária PUC-Campinas - fonte: Salvem a Liturgia


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