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quarta-feira, 30 de junho de 2010

Em sua Catequese Semanal Papa Bento XVI fala sobre São José Cafasso


Bollettino della Sala Stampa della Santa Sede
(tradução de Leonardo Meira - equipe CN Notícias)

Queridos irmãos e irmãs,

concluímos há pouco o Ano Sacerdotal: um tempo de graça, que trouxe e trará frutos preciosos à Igreja; uma oportunidade para recordar na oração todos aqueles que responderam a esta particular vocação. Nos acompanharam neste caminho, como modelos e intercessores, o Santo Cura d'Ars e outras figuras de santos sacerdotes, verdadeiras luzes na história da Igreja. Hoje, como anunciei na quarta-feira passada, desejo recordar um outro, que se destaca no grupo dos "Santos sociais" na Turim do século XIX: trata-se de São José Cafasso.

Sua memória aparece necessária porque, na semana passada, recorria o 150º aniversário de sua morte, ocorrida em Turim em 23 de junho de 1860, na idade de 49 anos. Além disso, me apraz recordar que o Papa Pio XI, em 1º de novembro de 1924, aprovando os milagres para a canonização de São João Vianney e publicando o decreto de autorização para a beatificação de Cafasso, aproximou essas duas figuras de sacerdotes com as seguintes palavras "Não é sem uma especial e benéfica disposição da Divina Bondade que assistimos a este surgir no horizonte da Igreja Católica de novos astros, o pároco d'Ars e o Venerável Servo de Deus, José Cafasso. Exatamente essas duas belas, queridas, providencialmente oportunas figuras são-nos hoje apresentadas; pequena e humilde, pobre e simples, mas, entretanto, gloriosa a figura do pároco d'Ars, e a outra bela, grande, complexa, rica figura de sacerdote, professor e formador de sacerdotes, o Venerável José Cafasso". Trata-se de circunstâncias que nos oferecem a ocasião para conhecer a mensagem, viva e atual, que emerge da vida deste santo. Ele não foi pároco como o cura d'Ars, mas foi sobretudo formador de párocos e padres diocesanos, também de padres santos, entre os quais São João Bosco. Não fundou, como outros santos sacerdotes do século XIX piemontês, institutos religiosos, porque a sua "fundação" foi a "escola de vida e de santidade sacerdotal" que realizou, com o exemplo e o ensinamento, no "Internato Eclesiástico de São Francisco de Assis", em Turim.

José Cafasso nasceu em Castelnuovo d'Asti, no mesmo lugar de São João Bosco, em 15 de janeiro de 1811. É o terceiro de quatro filhos. A última, a irmã Marianna, será a mãe do Beato José Allamano, fundador dos Missionários e Missionárias da Consolata. Nasce na Piemonte do século XIX, caracterizada por graves problemas sociais, mas também por muitos santos que se comprometiam a saná-las. Eles estavam ligados entre si através de um amor total a Cristo e uma profunda caridade pelos pobres: a graça do Senhor sabe difundir e multiplicar as sementes da santidade! Cafasso completou os estudos secundários e o biênio de filosofia no Colégio de Chieri e, em 1830, ingressou no Seminário Teológico, onde, em 1833, foi ordenado sacerdote. Quatro meses mais tarde ingressou no lugar que, para ele, se tornará a fundamental e única "etapa" de sua vida sacerdotal: o "Internato Eclesiástico de São Francisco de Assis", em Turim. Ali entrado para se aperfeiçoar na pastoral, colocou à disposição seus talentos de diretor espiritual e seu grande espírito de caridade. O Internato, na verdade, não era sobretudo uma escola de teologia moral, onde os sacerdotes jovens, provenientes sobretudo do campo, aprendiam a confessar e pregar, mas era também uma verdadeira escola de vida sacerdotal, onde os presbíteros se formavam na espiritualidade de Santo Inácio de Loyola e na teologia moral e pastoral do grande Bispo Santo Afonso Maria de Ligório. O tipo de padre que Cafasso encontrou no Internato e que ele próprio contribuiu para reforçar - sobretudo como Reitor - era aquele do verdadeiro pastor, com uma rica vida interior e um profundo zelo no cuidado pastoral: fiéis à oração, engajados na pregação, na catequese, dedicados à celebração da Eucaristia e ao ministério da confissão, segundo o modelo encarnado de São Carlos Borromeu, São Francisco de Sales e promovido pelo Concílio de Trento. Uma feliz expressão de São João Bosco resume o significado do trabalho educativo naquela Comunidade: "no Internato, aprendia-se a ser sacerdotes".

São José Cafasso tratou de aplicar esse modelo na formação dos jovens sacerdotes, a fim de que, por sua vez, se tornassem formadores de outros sacerdotes, religiosos e leigos, segundo uma especial e eficaz cadeia. Da sua cátedra de teologia moral, educava para serem bons confessores e diretores espirituais, preocupados pelo verdadeiro bem espiritual da pessoa, animados pelo grande equilíbrio no sentir a misericórdia de Deus e, ao mesmo tempo, um agudo e vivo sentido do pecado. Eram três as virtudes principais do Cafasso professor, como recorda São João Bosco: prudência, calma e cautela. Para ele, a verificação do ensinamento transmitido era constituída pelo ministério da confissão, ao qual ele próprio dedicava muitas horas do dia; a ele recorriam bispos, sacerdotes, religiosos, leigos eminentes e pessoas simples: a todos sabia oferecer o tempo necessário. De muitos, pois, que se tornaram santos e fundadores de institutos religiosos, ele foi um sábio conselheiro espiritual. O seu ensinamento nunca foi abstrato, com base sobretudo nos livros que se utilizavam naquele tempo, mas nascia da experiência viva da misericórdia de Deus e do profundo conhecimento da alma humana, adquirido ao longo do tempo transcorrido no confessionário e na direção espiritual: a sua era uma verdadeira escola de vida sacerdotal.

O seu segredo era simples: ser um homem de Deus; fazer, nas pequenas ações diárias, "aquilo que pode resultar na maior glória de Deus e na salvação das almas". Amava de modo total o Senhor, era animado por uma fé profundamente enraizada, sustentada por uma profunda e prolongada oração, vivia uma sincera caridade para com todos. Conhecia a teologia moral, mas conhecia também as situações e os corações das pessoas, das quais se fazia encarregado, como o bom pastor. Quantos tiveram a graça de lhe serem próximos foram transformados em outros tantos bons pastores e válidos confessores. Indicava com clareza a todos os sacerdotes a santidade a se alcançar no próprio ministério pastoral. O beato padre Clemente Marchisio, fundador das Filhas de São José, afirmava: "Entrei no Internato sendo um grande arteiro e um cabeça de vento, sem saber o que significava dizer ser padre, e saí totalmente diferente, compreendendo plenamente acerca da dignidade do sacerdote". Quantos sacerdotes foram por ele formados no Internato e, depois, seguiram-no espiritualmente! Entre esses - como já disse - emerge São João Bosco, que o teve como diretor espiritual por 25 anos, de 1835 a 1860: primeiro como clérigo, depois como sacerdote e, finalmente, como fundador. Todas as escolhas fundamentais da vida de São João Bosco tiveram como conselheiro e guia São José Cafasso, mas de um modo bem preciso: Cafasso nunca tentou formar em Dom Bosco um discípulo "à sua imagem e semelhança", e Dom Bosco não copiou a Cafasso; o imitou certamente nas virtudes humanas e sacerdotais - definindo-o "modelo de vida sacerdotal" -, mas de acordo com as suas próprias atitudes pessoais e a própria vocação peculiar; um sinal de sabedoria do mestre espiritual e de inteligência do discípulo: o primeiro não se impôs sobre o segundo, mas o respeitou na sua personalidade e o ajudou a ler qual era a vontade de Deus sobre ele. Queridos amigos, é este um ensinamento precioso para todos aqueles que estão comprometidos na formação e educação das jovens gerações e é, também, uma forte lembrança de o quanto é importante ter um guia espiritual na própria vida, que ajude a compreender o que Deus quer de nós. Com simplicidade e profundidade, o nosso Santo afirmava: "Toda a santidade, a perfeição e o lucro de uma pessoa está no fazer perfeitamente a vontade de Deus [...]. Felizes nós se, de fato, ao buscar assim o nosso coração no de Deus, ao unir totalmente os nossos desejos, a nossa vontade à sua, cheguemos a formar um coração e uma vontade somente: desejar o que Deus quer, querê-lo daquele modo, naquele tempo, naquela circunstância que deseja Ele e desejar tudo isso não por nenhuma outra coisa a não ser porque Deus o quer".

Mas um outro elemento caracteriza o ministério do nosso Santo: a atenção aos últimos, em particular aos encarcerados, que na Turim do século XIX viviam em lugares desumanos e desumanizantes. Também neste delicado serviço, realizado durante mais de vinte anos, ele sempre foi o bom pastor, compreensivo e compassivo: qualidade percebida pelos detentos, que acabavam por serem conquistados pelo verdadeiro amor, cuja origem era o próprio Deus. A simples presença de Cafasso fazia o bem: serenava, tocava os corações endurecidos pelos acontecimentos da vida e, sobretudo, iluminava e balançava as consciências indiferentes. Nos primeiros tempos de seu ministério em meio aos presos, ele recorria muitas vezes a grandes pregações, que chegavam a envolver quase toda a população carcerária. Com o passar do tempo, privilegiou as pequenas catequeses, feitas nos colóquios e nos encontros pessoais: respeitoso dos acontecimentos de cada um, afrontava os grandes temas da vida cristã, falando da confiança em Deus, da adesão à Sua vontade, da utilidade da oração e dos sacramentos, e cujo ponto de chegada era a Confissão, o encontro com Deus feito por nós misericórdia infinita. Os condenados à morte eram objeto de especialíssimo cuidado humano e espiritual. Ele acompanhou ao patíbulo, depois de ter-lhes confessado e administrado a Eucaristia, 57 condenados à morte. Os acompanhava com profundo amor até o último suspiro de sua existência terrena.

Morreu em 23 de junho de 1860, depois de uma vida ofertada inteiramente ao Senhor e consumida pelo próximo. O meu predecessor, o Venerável Servo de Deus Papa Pio XII, em 9 de abril de 1948, proclamou-o patrono das prisões italianas, e com a Exortação apostólica Menti nostrae, de 23 de Setembro de 1950, o propôs como modelo aos sacerdotes comprometidos na Confissão e direção espiritual.

Queridos irmãos e irmãs, São José Cafasso seja uma lembrança para todos a intensificar o caminho rumo à perfeição da vida cristã, a santidade; em particular, recorde aos sacerdotes a importância de dedicar tempo ao Sacramento da Reconciliação e à direção espiritual, e a todos a atenção que devemos ter com relação aos necessitados. Ajude-nos por intercessão da Bem-Aventurada Virgem Maria, da qual São José Cafasso era devotíssimo e que chamava de "nossa querida Mãe, nossa consolação, nossa esperança".

Benedictus, P.P. XVI

terça-feira, 29 de junho de 2010

Homilia do Santo Padre Bento XVI na Solenidade de São Pedro e São Paulo, na Basílica de São Pedro, no Vaticano


Bollettino della Sala Stampa della Santa Sede

(tradução de Leonardo Meira - equipe CN Notícias)

Queridos irmãos e irmãs!

Os textos bíblicos desta Liturgia Eucarística da Solenidade dos Santos Apóstolos Pedro e Paulo, na sua grande riqueza, ressaltam um tema que se poderia resumir assim: Deus está próximo de seus fiéis servidores e os livra de todo o mal, e livra a Igreja das forças negativas. É o tema da liberdade da Igreja, que apresenta um aspecto histórico e um outro mais profundamente espiritual.

Esta temática atravessa toda a Liturgia da Palavra de hoje. A primeira e a segunda Leitura falam, respectivamente, de São Pedro e de São Paulo, salientando exatamente a ação libertadora de Deus sobre eles. Especialmente o texto dos Atos dos Apóstolos descreve com abundância de detalhes a intervenção do anjo do Senhor, que soltou Pedro das correntes e o conduziu para fora do cárcere de Jerusalém, onde o havia aprisionado, sob rígida vigilância, o rei Herodes (cf. At 12, 1-11 ). Paulo, por sua vez, escrevendo a Timóteo quando sente que está perto o fim de sua vida terra, faz um balanço final do qual emerge que o Senhor esteve sempre perto de si, o livrou de muitos perigos e ainda o libertará, introduzindo-o em seu Reino eterno (cf. II Tm 4, 6-8.17-18). O tema é reforçado pelo Salmo Responsorial (Sal 33), e encontra um particular desenvolvimento também no trecho evangélico da confissão de Pedro, lá onde Cristo promete que as forças do inferno não prevalecerão sobre sua Igreja (cf. Mt 16, 18).

Observando-se bem, nota-se, com relação a esta temática, uma certa progressão. Na primeira Leitura, é narrado um episódio que mostra a intervenção específica do Senhor para libertar Pedro da prisão; na segunda, Paulo, com base em sua extraordinária experiência apostólica, afirma estar convencido de que o Senhor, que já o havia livrado "da boca do leão", o livrará de "todo o mal", abrindo-lhe as portas do Céu; no Evangelho, ao contrário, não se fala mais dos Apóstolos individualmente, mas da Igreja no seu conjunto e da sua proteção com relação às forças do mal, entendida em sentido amplo e profundo. Desse modo, vemos que a promessa de Jesus - "as forças do inferno não prevalecerão" sobre a Igreja - compreende, sim, as experiências históricas de perseguição sofridas por Pedro e Paulo e outras testemunhas do Evangelho, mas vai além, desejando assegurar a proteção sobretudo contra as ameaças de ordem espiritual; segundo o que Paulo escreve na Carta aos Efésios: "Pois não é contra homens de carne e sangue que temos de lutar, mas contra os principados e potestades, contra os príncipes deste mundo tenebroso, contra as forças espirituais do mal (espalhadas) nos ares" (Ef 6, 12).

Com efeito, se pensamos nos dois milênios de história da Igreja, podemos observar que - como havia prenunciado o Senhor Jesus (cf. Mt 10, 16-33) - nunca faltaram para os cristãos as provações, que em alguns períodos e lugares assumiram o caráter de verdadeiras e próprias perseguições. Essas, no entanto, apesar do sofrimento que provocam, não constituem o perigo mais grave para a Igreja. O dano maior, de fato, provém daquilo que polui a fé e a vida cristã dos seus membros e das suas comunidades, afetando a integridade do Corpo Místico, enfraquecendo a sua capacidade de profecia e testemunho, manchando a beleza de seu rosto. Essa realidade é atestada já no epistolário [cartas] paulino. A Primeira Carta aos Coríntios, por exemplo, responde exatamente a alguns problemas de divisões, incoerências, infidelidade ao Evangelho, que ameaçam seriamente a Igreja. Mas também a Segunda Carta a Timóteo - da qual ouvimos uma parte - fala sobre os perigos dos "últimos tempos", identificando-os com atitudes negativas que pertencem ao mundo e podem contagiar a comunidade cristã: egoísmo, vaidade, orgulho, apego ao dinheiro, etc. (cf. 3, 1-5). A conclusão do Apóstolo é reconfortante: os homens que fazem o mal - escreve - "não irão longe, porque será manifesta a todos a sua insensatez" (3, 9). Existe, portanto, uma garantia de liberdade assegurada por Deus à Igreja, liberdade seja dos laços materiais que procuram impedir ou coagir a missão, seja dos males espirituais e morais, que podem afetar a autenticidade e credibilidade.

O tema da liberdade da Igreja, garantida por Cristo a Pedro, tem também uma relevância específica para o rito da imposição do pálio, que hoje renovamos para trinta e oito Arcebispos Metropolitanos, aos quais dirijo a minha mais cordial saudação, estendendo-a com afeto àqueles que quiseram acompanhá-los nesta peregrinação. A comunhão com Pedro e seus sucessores, de fato, é garantia de liberdade para os pastores da Igreja e para a própria Comunidade a eles confiada. E isso em ambos os planos destacados nas reflexões precedentes. No plano histórico, a união com a Sé Apostólica assegura às Igrejas particulares e às Conferências Episcopais a liberdade com relação aos poderes locais, nacionais ou supranacionais, que podem, em certos casos, obstaculizar a missão da Igreja. Além disso, e mais essencialmente, o ministério petrino é garantia de liberdade no sentido da plena adesão à verdade, à autêntica tradição, de tal forma que o Povo de Deus seja preservado de erros concernentes à fé e à moral. Daí que o fato de, todo o ano, os novos Metropolitanos virem a Roma para receber o Pálio das mãos do Papa deva ser compreendido no seu significado próprio, como gesto de comunhão, e o tema da liberdade da Igreja nos oferece uma chave de leitura particularmente importante. Isso aparece de modo evidente no caso das Igrejas marcadas pela perseguição, ou sujeitas a interferências políticas ou outras duras provações. Mas isso não é menos relevante no caso de Comunidades que padecem a influência de doutrinas enganadoras, ou de tendências ideológicas e práticas contrárias ao Evangelho. O pálio, assim, torna-se, neste sentido, um compromisso de liberdade, analogamente ao "jugo" de Jesus, que Ele convida a tomar, cada um sobre seus próprios ombros (cf. Mt 11, 29-30). Como o mandamento de Cristo - embora exigente - é "doce e leve" e, ao invés de pesar sobre quem o leva, o levanta, assim o vínculo com a Sé Apostólica - embora desafiador - sustenta o Pastor e a porção da Igreja confiada aos seus cuidados, tornando-lhes mais livres e mais fortes.

Uma última indicação gostaria de trazer da Palavra de Deus, em particular da promessa de Cristo de que os poderes do inferno não prevalecerão sobre sua Igreja. Essas palavras podem ter também um significativo valor ecumênico, a partir do momento que, como citei há pouco, um dos efeitos típicos da ação do Maligno é exatamente a divisão no interior da comunidade eclesial. As divisões, de fato, são sintomas da força do pecado, que continua a agir nos membros da Igreja mesmo após a redenção. Mas a palavra de Cristo é clara: "Non praevalebunt - não prevalecerão" (Mt 16, 18). A unidade da Igreja está enraizada na sua união com Cristo, e a causa da plena unidade dos cristãos - sempre a se buscar e renovar, de geração em geração - é, então, sustentada pela sua oração e sua promessa. Na luta contra o espírito do mal, Deus nos doou em Jesus o "advogado" defensor, e, depois da sua Páscoa, "um outro Paráclito" (cf. Jo 14, 16), o Espírito Santo, que permanece conosco para sempre e conduz a Igreja rumo à plenitude da verdade (cf. Jo 14,16; 16, 13), que é também a plenitude da caridade e da unidade. Com esses sentimentos de confiante esperança, tenho o prazer de saudar a Delegação do Patriarcado de Constantinopla, que, segundo o belo costume das visitas recíprocas, participa nas celebrações dos Santos Patronos de Roma. Juntos, rendamos graças a Deus pelos progressos nas relações ecumênicas entre católicos e ortodoxos, e renovemos o compromisso de corresponder generosamente à graça de Deus, que nos conduz à plena comunhão.

Queridos amigos, saúdo cordialmente a cada um de vós: Senhores Cardeais, Irmãos nos Episcopado, Senhores Embaixadores e Autoridades civis, em particular o Prefeito de Roma, sacerdotes, religiosos e fiéis leigos. Obrigado pela vossa presença. Os santos Apóstolos Pedro e Paulo alcancem para vós um amar sempre mais e mais a Santa Igreja, corpo místico de Cristo o Senhor e mensageira de unidade e de paz para todos os homens. Vos alcancem também o oferecer com alegria para a própria santidade e missão as fadigas e sofrimentos suportados pela fidelidade ao Evangelho. A Virgem Maria, Rainha dos Apóstolos e Mãe da Igreja, assista sempre a vós, em particular sobre o ministério dos Arcebispos Metropolitanos. Com o seu celeste auxílio, possais sempre viver e agir naquela liberdade que Cristo nos conquistou. Amém.

Benedictus, P.P. XVI

segunda-feira, 28 de junho de 2010

Papa Bento XVI presidiu Primeiras Vésperas da Solenidade de São Pedro e São Paulo em Roma


(Roma, 28/6/2010) Bento XVI presidiu esta tarde na Basílica de São Paulo fora de muros as primeiras Vésperas da solenidade dos Santos Apóstolos Pedro e Paulo. Presente também uma delegação do Patriarcado ecuménico de Constantinopla enviada por Bartolomeu I.

Na sua homilia o Papa fez uma reflexão na perspectiva da vocação missionaria da Igreja.

Recordou os seus predecessores Paulo VI e João Paulo II que deram um grande impulso á missão da Igreja, uma herança que recolheu, salientando hoje na Basílica de São Paulo que a Igreja é no mundo uma imensa força renovadora, não certamente graças ás suas forças, mas pela força do Evangelho, onde sopra o Espírito Santo de Deus, o Deus criador e redentor do mundo.

“Também o homem do terceiro milénio - disse Bento XVI – deseja uma vida autentica e plena, precisa de verdade, de liberdade profunda, de amor gratuito. Também nos desertos do mundo secularizado, a alma do homem tem sede de Deus, do Deus vivo. Por isso João Paulo II escreveu: a missão de Cristo Redentor, confiada à Igreja, está ainda bem longe do seu pleno cumprimento., e acrescentou: uma visão de conjunto da humanidade mostra que tal missão está ainda no começo, e que devemos empenhar-nos com todas as forças no seu serviço”.

Existem regiões do mundo , acrescentou depois Bento XVI, que ainda esperam uma primeira evangelização, outras que a receberam, mas precisam de um trabalho mais aprofundado; outras ainda nas quais o Evangelho lançou raízes desde há muito tempo, dando lugar a uma tradição cristã, mas onde nos últimos séculos - com dinâmicas complexas –o processo de secularização produziu uma grave crise do sentido da fé cristã e da pertença á Igreja.

Nesta perspectiva - salientou o Papa – decidi criar um novo organismo, na forma de Conselho Pontificio , com a tarefa principal de promover una renovada evangelização nos Países onde já ressoou o primeiro anuncio da fé e estão presentes Igrejas de antiga fundação, mas que estão a viver uma progressiva secularização da sociedade e uma espécie de eclipse do sentido de Deus, que constituem um desafio a encontrar meios adequados para repropor a verdade perene do Evangelho de Cristo.

A concluir Bento XVI afirmou que o desafio da nova evangelização interpela a Igreja e pede também que se prossiga com empenho a procura da unidade plena entre os cristãos

A melhor catequese é a Eucaristia bem celebrada

(Roma, 16/6/2010) Nesta terça feira á noite Bento XVI deixou o Vaticano, para ir à Basílica de São João de Latrão, e como Bispo de Roma, abrir o Congresso Diocesano cujo tema este ano é “Os seus olhos abriram-se, reconheceram-no e anunciaram-no. A Eucaristia dominical e o testemunho da caridade”.

Ao chegar à Basílica Lateranense, o Papa fez inicialmente uma oração e depois da saudação do Cardeal-Vigário, Agostinho Vallini, proferiu o seu discurso.

A melhor catequese é a Eucaristia bem celebrada, salientou Bento XVI, dirigindo-se aos padres, diáconos e leigos da diocese de Roma congregados na Basílica de São João de Latrão (g.n.).

Na celebração – explicou - não inventamos nada, mas entramos numa realidade que nos precede, que abraça céu e terra.

Daqui o convite a seguir as prescrições litúrgicas dos padres da Igreja.No itinerário de educação á fé – acrescentou – está sublinhado que no Sacramento da Eucaristia, Cristo está real e substancialmente presente.

A dimensão vertical – observou depois o Papa referindo-se tanto á Missa como á própria vida das comunidades cristãs – eleva também a dimensão horizontal, isto é o empenho no campo social.

Pelo contrário, quando prevalece esta ultima perde-se o sentido da celebração comunitária. Alimentando-nos com o Corpo de Cristo, de facto, nós cristãos abandonamos a lógica do mundo para assumir a lógica divina do dom e da gratuidade. E a força difusiva do bem pode transformar-nos e fazer partir uma mudança autentica e permanente da sociedade, nas mentes e nos corações.

Jesus - prosseguiu depois Bento XVI- veio revelar-nos o amor do Pai e que o homem sem amor não pode viver.

Para o Papa, redescobrir esta verdade na Celebração Eucarística, livra-nos do activismo estéril e direcciona-nos para um testemunho autentico do Evangelho. A fé nunca pode ser pressuposta, porque cada geração precisa de receber este dom mediante o anuncio do Evangelho e de conhecer a verdade que Cristo nos revelou. Portanto a Igreja está sempre empenhada a propôr a todos o depósito da fé; nele está contida também a doutrina sobre a Eucaristia que hoje infelizmente não é suficientemente compreendida no seu valor profundo e na sua importância para a vida dos crentes. Por isso é importante que um conhecimento mais aprofundado do mistério do Corpo e do Sangue do Senhor, seja advertido como uma exigência pelas comunidades cristãs de Roma - salientou Bento XVI

domingo, 27 de junho de 2010

13º Domingo do Tempo Comum

Celebramos o 13º Domingo do Tempo Comum e o evangelho de Lucas mostra Jesus em caminho, a passagem proclamada hoje é o início da segunda parte do evangelho, quando Jesus decide ir a Jerusalém e envia os discípulos para preparar os lugares por onde Ele mesmo passaria, anunciando a boa-nova.

O seguimento de Jesus nos apresenta muitas exigências, “Essas exigências podem parecer duras demais, mas na realidade exprimem a novidade e a prioridade absoluta do Reino de Deus que se faz presente na Pessoa mesma de Jesus Cristo. Em última análise, trata-se daquela radicalidade que é devido ao Amor de Deus, ao qual Jesus mesmo por primeiro obedece. Quem renuncia a tudo, até mesmo a si mesmo, para seguir Jesus, entra em uma nova dimensão da liberdade, que São Paulo define “caminhar segundo o Espírito” (Papa Bento XVI, Angelus, 27/06/2010).

A Liturgia da Missa de hoje nos apresenta as seguintes Leituras:

1ª Leitura 1Reis 19, 26.19-21: Eliseu é ungido por Elias e põe-se a serviço dele;

Salmo Responsorial 15 (16): "Ó Senhor, sois minha herança para sempre!"

2ª Leitura Gálatas 5, 1.13-18: Fomos libertados para o exercício da liberdade;

Evangelho Lucas 9, 51-62: As exigências do seguiento de Jesus

sexta-feira, 25 de junho de 2010

Parabéns Dom Airton


Nossas felicitações a nosso Bispo Diocesano Sua Excia. Rvma. Dom Airton José dos Santos pela passagem, hoje, dia 25 de junho, do seu aniversário natalício! Rogamos a Deus que o conserve e lhe dê muita saúde para exercer seu ministério episcopal.

 
Missa pelo aniversário natalicio de Dom Airton José dos Santos
Bispo Diocesano de Mogi das Cruzes
Se celebrará na Catedral de Sant´Ana, em Mogi das Cruzes
Na Sexta-Feira, dia 25 de junho.
Horário: 19:30 horas.
Assista com seus familiares e amigos!

quinta-feira, 24 de junho de 2010

Solenidade da Natividade de São João Batista


Com muita alegria, a Igreja, solenemente, celebra o nascimento de São João Batista. Santo que, juntamente com a Santíssima Virgem Maria, é o único a ter o aniversário natalício recordado pela liturgia.

São João Batista nasceu seis meses antes de Jesus Cristo, seu primo, e foi um anjo quem revelou o seu nome ao seu pai, Zacarias, que há muitos anos rezava com sua esposa para terem um filho.

Estudiosos mostram que possivelmente depois de idade adequada, João teria participado da vida monástica de uma comunidade rigorista, na qual, à beira do Rio Jordão ou Mar Morto, vivia em profunda penitência e oração. Pode-se chegar a essa conclusão a partir do texto de Mateus: "João usava um traje de pêlo de camelo, com um cinto de couro à volta dos rins; alimentava-se de gafanhotos e mel silvestre".

O que o tornou tão importante para a história do Cristianismo é que, além de ser o último profeta a anunciar o Messias, foi ele quem preparou o caminho do Senhor com pregações conclamando os fiéis à mudança de vida e ao batismo de penitência (por isso “Batista”). Como nos ensinam as Sagradas Escirturas: "Eu vos batizo na água, em vista da conversão; mas aquele que vem depois de mim é mais forte do que eu: eu não sou digno de tirar-lhe as sandálias; ele vos batizará no Espírito Santo" (Mateus 3,11).

Os Evangelhos nos revelam a inauguração da missão salvífica de Jesus a partir do batismo recebido pelas mãos do precursor João e da manifestação da Trindade Santa.

São João, ao reconhecer e apresentar Jesus como o Cristo, continuou sua missão em sentido descendente, a fim de que somente o Messias aparecesse. Grande anunciador do Reino e denunciador dos pecados, ele foi preso por não concordar com as atitudes pecaminosas de Herodes, acabando decapitado devido ao ódio de Herodíades, que fora esposa do irmão deste [Herodes], com a qual este vivia pecaminosamente.

O grande santo morreu na santidade e reconhecido pelo próprio Cristo: "Em verdade eu vos digo, dentre os que nasceram de mulher, não surgiu ninguém maior que João , o Batista" (Mateus 11,11).

São João Batista, rogai por nós!

A Liturgia da Missa do dia 24 de Junho nos apresenta as seguintes Leituras:

1ª Leitura Isaías 49, 1-6: O Senhor chamou o profeta desde o ventre de sua mãe;

Salmo Responsorial 138 (139): "Eu vos louvo e vos dou graças, ó Senhor, porque de modo admirável me formastes!"

2ª Leitura Atos 13, 22-26: João anunciou o Cristo presente;

Evangelho 1, 57-66.80: O nascimento e a vida do Precursor admirava a todos.

domingo, 20 de junho de 2010

Papa Bento XVI ordenou 14 novos sacerdotes para a Diocese de Roma


Neste Domingo, dia 20 de Junho de 2010, Sua Santidade Bento XVI conferiu a Ordenação Presbiteral a 14 diáconos da diocese de Roma, na Basílica de São Pedro, no Vaticano. Leia trechos da homilia do Santo Padre:

“Só quem tem um relacionamento íntimo com o Senhor é abraçado por Ele, pode levá-Lo aos outros, pode ser enviado. Trata-se de ‘permanecer com ele’ sempre no exercício do ministério sacerdotal; deve ser a sua parte central inclusive e, sobretudo, nos momentos difíceis, quando parece que as ‘coisas a serem feitas’ devem ter prioridade. Em qualquer lugar estejamos, o que quer que façamos, devemos sempre permanecer com Ele."

“O sacerdócio não pode jamais representar um caminho para obter segurança na vida ou conquistar uma posição social. Quem aspira ao sacerdócio para aumentar seu prestígio pessoal e seu poder não entendeu o significado da raiz deste ministério. Quem quer antes de tudo realizar a sua ambição e alcançar o sucesso será sempre um escravo de si mesmo e da opinião pública. Para ser respeitado, deverá bajular; deverá dizer o que as pessoas gostam; deverá adaptar-se às modas e opiniões e privar-se da relação vital com a verdade, reduzindo-se a condenar amanhã o que elogiou hoje. Um homem que constrói assim a sua vida, um sacerdote que vê o seu ministério nesses termos, não ama verdadeiramente a Deus e aos outros, mas apenas a si mesmo e paradoxalmente, acaba por se perder”.

“Queridos, o caminho indicado pelo Evangelho de hoje é o caminho de sua espiritualidade e de sua ação pastoral, de sua eficácia e firmeza, mesmo nas situações mais cansativas e áridas. É a única estrada segura para encontrar a verdadeira alegria. Que Maria, a serva do Senhor, que conformou sua vontade à de Deus, a mulher que gerou Cristo e o doou ao mundo, seguindo-o aos pés da Cruz em um supremo ato de amor, os acompanhe a cada dia em sua vida e em seu ministério. Graças ao carinho desta Mãe, delicada e forte, vocês poderão ser felizes e fiéis ao múnus que hoje, como presbíteros, vocês recebem: o de conformar-se a Cristo Sacerdote, que soube obedecer ao desejo do Pai e amar o homem até o fim”.

12º Domingo do Tempo Comum

Celebramos o 12º Domingo do Tempo Comum, a Liturgia da Missa deste Domingo nos coloca uma questão desafiadora: quem é Jesus para nós!

Já era tempo de os discípulos terem uma opinião formada sobre Jesus. Não havia dificuldade em dizer o que o povo andava pensando e falando dele. Mas Jesus queria deles uma declaração pessoal de fé que os comprometesse para sempre: "E vós quem dizeis que eu sou?"

A resposta de Pedro é uma resposta que vem do Espírito Santo, é uma reposta sobrenatural, "Tu és o Cristo de Deus!" Vemos isso no evangelho de Mateus, quando Jesus diz: "não foi carne e sangue que te revelou isso, mas meu Pai que está no céu."

A liturgia da Missa deste Domingo nos apresenta as seguintes Leituras:

1ª Leitura Zacarias 12, 10-11; 13,1: o que sentimos ao ver a violência fazendo tantas vítimas?

Salmo Responsorial 62 (63): "A minha alma tem sede de vós, como a terra sedenta, ó meu Deus!

2ª Leitura Gálatas 3, 26-29: superar em Cristo todas as discriminações;

Evangelho Lucas 9, 18-24: a profissão de fé em Jesus nos leva ao compromisso com Ele.

domingo, 13 de junho de 2010

11º Domingo do Tempo Comum


Neste 11º Domingo do Tempo Comum, celebrado neste dia 13 de Junho de 2010, vemos Jesus que perdoa porque nos ama. O amor de Deus é maior que nossos pecados, e por isso Ele acolhe e perdoa o penitente arrependido e a pessoa que ama.

A passagem do Evangelho deste Domingo nos coloca diante do perdão que é do tamanho do amor de quem perdoa e de quem é perdoado, peçamos a Deus que nos dê a graça de o amar, e que nosso amor seja muito grande, porque precisamos de grand perdão para nossos grandes pecados.

A Liturgia da Missa deste Domingo nos apresenta as seguintes leituras:

1ª Leitura 2Samuel 12, 7-10.13: O amor de Deus supera todo o nosso pecado;

Salmo Responsorial 31 (32): "Eu confessei, afinal, meu pecado e perdoastes, Senhor, minha falta."

2ª Leitura Gálatas 2, 16.19-21: A fé em Cristo nos leva a agir como Ele;

Evangelho Lucas 7, 36-8,3: O perdão e amor andam de mãos dadas.

13 de Junho: Dia de Santo Antônio de Pádua


Neste dia, 13 de Junho, celebramos a memória do popular santo – doutor da Igreja – que nasceu em Lisboa, em 1195, e morreu nas vizinhanças da cidade de Pádua, na Itália, em 1231, por isso é conhecido como Santo Antônio de Lisboa ou de Pádua. O nome de batismo dele era Fernando de Bulhões y Taveira de Azevedo.

Ainda jovem pertenceu à Ordem dos Cônegos Regulares, tanto que pôde estudar Filosofia e Teologia, em Coimbra, até ser ordenado sacerdote. Não encontrou dificuldade nos estudos, porque era de inteligência e memória formidáveis, acompanhadas por grande zelo apostólico e santidade. Aconteceu que em Portugal, onde estava, Antônio conheceu a família dos Franciscanos, que não só o encantou pelo testemunho dos mártires em Marrocos, como também o arrastou para a vida itinerante na santa pobreza, uma vez que também queria testemunhar Jesus com todas as forças.

Ao ir para Marrocos, Antônio ficou tão doente que teve de voltar, mas providencialmente foi ao encontro do "Pobre de Assis", o qual lhe autorizou a ensinar aos frades as ciências que não atrapalhassem os irmãos de viverem o Santo Evangelho. Neste sentido, Santo Antônio não fez muito, pois seu maior destaque foi na vivência e pregação do Evangelho, o que era confirmado por muitos milagres, além de auxiliar no combate à Seita dos Cátaros e Albigenses, os quais isoladamente viviam uma falsa doutrina e pobreza. Santo Antônio serviu sua família franciscana através da ocupação de altos cargos de serviço na Ordem, isto até morrer com 36 anos para esta vida e entrar para a Vida Eterna.

Santo Antônio, rogai por nós!

Papa Bento XVI encerrou o Ano Sacerdotal no Vaticano: "Portanto, o sacerdócio não é um simples "ofício", mas sim um sacramento: Deus se vale de um homem com suas limitações para estar, através dele, presente entre os homens e atuar em seu favor. Esta audácia de Deus, que se abandona nas mãos dos seres humanos; que, embora conhecendo nossas debilidades, considera aos homens capazes de atuar e apresentar-se em seu lugar, esta audácia de Deus é realmente a maior grandeza que se oculta na palavra "sacerdócio".


Sexta-feira, 11 de junho de 2010

Homilia de Bento XVI no encerramento do Ano Sacerdotal

Bollettino della Sala Stampa della Santa Sede
(tradução de Leonardo Meira - equipe CN Notícias)

Queridos irmãos no ministério sacerdotal,
Queridos irmãos e irmãs,

o Ano Sacerdotal que celebramos, 150 anos depois da morte do santo Cura d'Ars, modelo do ministério sacerdotal em nossos dias, chega ao seu fim. Nos deixamos guiar pelo Cura d'Ars para compreender de novo a grandeza e a beleza do ministério sacerdotal. O sacerdote não é simplesmente alguém que detém um ofício, como aqueles de que toda a sociedade necessita, para que possam se cumprir nela certas funções. Ao contrário, o sacerdote faz o que nenhum ser humano pode fazer por si mesmo: pronunciar em nome de Cristo a palavra de absolvição de nossos pecados, transformando assim, a partir de Deus, a situação de nossa vida. Pronuncia sobre as oferendas do pão e do vinho as palavras de ação de graças de Cristo, que são palavras de transubstanciação, palavras que tornam presente a Ele mesmo, o Ressuscitado, seu Corpo e seu sangue, transformando assim os elementos do mundo; são palavras que abrem o mundo a Deus e o unem a Ele. Portanto, o sacerdócio não é um simples "ofício", mas sim um sacramento: Deus se vale de um homem com suas limitações para estar, através dele, presente entre os homens e atuar em seu favor. Esta audácia de Deus, que se abandona nas mãos dos seres humanos; que, embora conhecendo nossas debilidades, considera aos homens capazes de atuar e apresentar-se em seu lugar, esta audácia de Deus é realmente a maior grandeza que se oculta na palavra "sacerdócio". Que Deus nos considere capazes disso; que, por isso, chame a seu serviço a homens e, assim, una-se a eles a partir de dentro, isso é o que quisemos novamente considerar e compreender durante esse Ano. Queríamos despertar a alegria de que Deus esteja tão próximo a nós, e a gratuidade pelo fato de que Ele se confie a nossa debilidade; que Ele nos guie e nos ajude dia após dia. Queríamos também, assim, ensinar de novo aos jovens que esta vocação, esta comunhão de serviço por Deus e com Deus, existe; mais ainda, que Deus está esperando nosso "sim". Junto com a Igreja, quisemos destacar novamente que temos que pedir a Deus esta vocação. Peçamos trabalhadores para a messe de Deus, e esta oração a Deus é, ao mesmo tempo, um chamamento de Deus ao coração dos jovens que se consideram capazes disso mesmo para o que Deus os considera capazes. Era de se esperar que ao "inimigo" não fosse prazeroso perceber que o sacerdócio brilhara novamente; ele teria preferido vê-lo desaparecer, para que, ao final, Deus fosse retirado do mundo. E assim ocorreu que, precisamente neste ano de alegria pelo sacramento do sacerdócio, vieram à luz os pecados dos sacerdotes, sobretudo o abuso de crianças, no qual o sacerdócio, que leva a cabo a solicitude de Deus pelo bem do homem, converte-se no contrário. Também nós pedimos perdão insistentemente a Deus e às pessoas afetadas, enquanto prometemos que desejamos fazer todo o possível para que semelhante abuso não volte a acontecer jamais; que na admissão ao ministério sacerdotal e na formação que prepara ao mesmo faremos todo o possível para examinar a autenticidade da vocação; e que queremos acompanhar ainda mais aos sacerdotes em seu caminho, para que o Senhor os proteja e os guarde nas situações dolorosas e nos perigos da vida. Se o Ano Sacerdotal tivesse sido uma glorificação de nossas conquistas humanas pessoais, teria sido destruído por esses acontecimentos. Mas, para nós, tratava-se precisamente do contrário, de sentir-nos agradecidos pelo dom de Deus, um dom que se leva em "vasos de barro", e que vez por outra, através de toda a debilidade humana, torna visível seu amor no mundo. Assim, consideramos o acontecido como uma tarefa de purificação, uma missão que nos acompanha em direção ao futuro e que nos faz reconhecer e amar mais ainda o grande dom de Deus. Deste modo, o dom converte-se no compromisso de responder ao valor e a humildade de Deus com nosso valor e nossa humildade. A palavra de Cristo, que entoamos como canto de entrada na liturgia de hoje, pode dizer-nos neste momento o que significa fazer-se e ser sacerdote: "Tomai meu jugo sobre vós e recebei minha doutrina, porque eu sou manso e humilde de coração" (Mt 11, 29).

Celebramos a festa do Sagrado Coração de Jesus e com a liturgia lançamos um olhar, por assim dizer, dentro do coração de Jesus, que ao morrer foi transpassado pela lança do soldado romano. Sim, seu coração está aberto por nós e diante de nós; e, com isso, nos abriu o coração do próprio Deus. A liturgia interpreta para nós a linguagem do coração de Jesus, que fala, sobretudo, de Deus como pastor dos homens, e assim nos manifesta o sacerdócio de Jesus, que está arraigado no íntimo de seu coração; deste modo, nos indica o perene fundamento, assim como o critério válido de todo o ministério sacerdotal, que deve estar sempre no coração de Jesus e ser vivido a partir d'Ele. Gostaria de meditar hoje, sobretudo, os textos com os que a Igreja orante responde à Palavra de Deus proclamada nas leituras. Nesses cantos, palavra e resposta se compenetram. Por um lado, estão cheios da Palavra de Deus, mas por outro, são já ao mesmo tempo a resposta do homem a tal Palavra, resposta na qual a Palavra mesma comunica-se e entra em nossa vida. O mais importante desses textos na liturgia de hoje é o Salmo 23 (22) - "O Senhor é meu pastor" -, no qual o Israel orante acolhe a autorrevelação de Deus como pastor, fazendo disso a orientação para sua própria vida. "O Senhor é meu pastor, nada me falta". Nesse primeiro versículo expressam-se alegria e gratuidade porque Deus está presente e cuida do homem. A leitura tomada do Livro de Ezequiel começa com o mesmo tema: "Vou tomar eu próprio o cuidado com minhas ovelhas, velarei sobre elas" (Ez 34, 11). Deus cuida pessoalmente de mim, de nós, da humanidade. Não me deixou sozinho, extraviado no universo e em uma sociedade ante a qual sente-se cada vez mais desorientado. Ele cuida de mim. Não é um Deus distante, para quem minha vida não conta quase nada. As religiões do mundo, pelo que podemos perceber, souberam sempre que, em última análise, somente há um Deus. Mas este Deus era distante. Abandonava aparentemente o mundo a outras potências e forças, a outras divindades. Teria que chegar a um acordo com esses elementos. O Deus único era bom, mas distante. Não constituía um perigo, mas tampouco oferecia ajuda. Portanto, não era necessário ocupar-se d'Ele. Ele não dominava. Estranhamente, essa ideia ressurgiu na Ilustração. Aceitava-se, não obstante, que o mundo pressupõe um Criador. Esse Deus, no entanto, teria construído o mundo, para depois retirar-se dele. Agora o mundo tem um conjunto de leis próprias segundo as quais se desenvolve, e nas quais Deus não intervém, não pode intervir. Deus é somente uma origem remota. Muitos, quem sabe, tampouco desejassem que Deus se preocupasse com eles. Não desejariam que Deus lhes incomodasse. Mas ali onde a proximidade do amor de Deus percebe-se como incômodo, o ser humano sente-se mal. É belo e consolador saber que há uma pessoa que me quer e cuida de mim. Mas é muito mais decisivo que exista esse Deus que me conhece, me quer e se preocupa comigo. "Eu conheço minhas ovelhas e elas conhecem a mim" (Jo 10, 14), diz a Igreja antes do Evangelho com uma palavra do Senhor. Deus me conhece, preocupa-se comigo. Esse pensamento deveria proporcionar-nos realmente alegria. Deixemos que penetre intensamente em nosso interior. Nesse momento compreendemos também o que significa: Deus quer que nós, como sacerdotes, em um pequeno ponto da história, compartilhemos suas preocupações pelos homens. Como sacerdotes, queremos ser pessoas que, em comunhão com seu amor pelos homens, cuidemos deles, lhes façamos experimentar em concreto esta atenção de Deus. E, pelo que se refere ao âmbito do que se lhe confia, o sacerdote, juntamente com o Senhor, deveria poder dizer: "Eu conheço as minhas ovelhas e elas me conhecem". "Conhecer", no sentido da Sagrada Escritura, nunca é somente um saber exterior, como quando se conhece o número telefônico de uma pessoa. "Conhecer" significa estar interiormente próximo do outro. Querer-lhe. Nós deveríamos tratar de "conhecer" aos homens da parte de Deus e com vistas a Deus; deveríamos tratar de caminhar com eles na via da amizade com Deus.

Voltemos ao Salmo. Ali se diz: "Pelos caminhos retos ele me leva, por amor do seu nome. Ainda que eu atravesse o vale escuro, nada temerei, pois estais comigo. Vosso bordão e vosso báculo são o meu amparo" (Sl 23 [22], 3s). O pastor mostra o caminho correto àqueles que lhe estão confiados. Os precede e guia. Digamos-lo de outro modo: o Senhor nos mostra como realiza-se de modo correto nosso ser homens. Ensina-nos a arte de ser pessoa. Que devo fazer para não arruinar-me, para não desperdiçar minha vida com a falta de sentido? Com efeito, esta é a pergunta que todo o homem deseja fazer a si mesmo e que serve para qualquer período da vida. Quantas trevas há no entorno dessa pergunta em nosso tempo! Sempre retorna à nossa mente a palavra de Jesus, que tinha compaixão pelo homens, porque estavam como ovelhas sem pastor. Senhor, tende piedade também de nós. Mostra-nos o caminho. Sabemos pelo Evangelho que Ele é o caminho. Viver com Cristo, segui-lo, isso significa encontrar o caminho correto, para que nossa vida tenha sentido e para que um dia possamos dizer: "Sim, viver foi algo bom". O povo de Israel estava e está agradecido a Deus, porque mostrou nos mandamentos o caminho da vida. O grande salmo 119 (118) é uma expressão de alegria por este fato: nós não andamos tateando na obscuridade. Deus nos mostrou qual é o caminho, como podemos caminhar de maneira correta. A vida de Jesus é uma síntese e um modelo vivo do que afirmam os mandamentos. Assim, compreendemos que essas normas de Deus não são cadeias, mas o caminho que Ele nos indica. Podemos estar alegres por elas e porque em Cristo estão ante nós como uma realidade vivida. Ele mesmo nos faz felizes. Caminhando junto a Cristo temos a experiência da alegria da Revelação, e como sacerdotes devemos comunicar às pessoas a alegria de que nos tenha mostrado o caminho correto.

Depois vem uma palavra referida ao "vale escuro", através do qual o Senhor guia o homem. O caminho de cada um de nós nos levará um dia ao vale escuro da morte, ao qual ninguém pode nos acompanhar. E Ele estará ali. Cristo mesmo descendeu à noite escura da morte. Tampouco ali nos abandona. Também ali nos guia. "Se descer à região dos mortos, lá vos encontrareis também", diz o Salmo 139 (138). Sim, tu estás presente também na última fadiga, e assim o salmo responsorial pode dizer: também ali, no vale escuro, nada temo. No entanto, falando do vale escuro, podemos pensar também nos vales escuros das tentações, do desalento, da provação, que toda pessoa humana deve atravessar. Também nestes vales tenebrosos da vida Ele está ali. Senhor, nas trevas da tentação, nas horas das trevas, em que todas as luzes parecem apagar-se, mostra-me que tu estás ali. Ajuda-nos a nós, sacerdotes, para que possamos estar junto às pessoas que, nessas noite escuras, nos foram confiadas, para que possamos mostrar-lhes tua luz.

"Vosso bordão e vosso báculo são o meu amparo": o pastor necessita do bordão contra os animais selvagens que querem atacar o rebanho; contra os salteadores que buscam sua vítima. Junto ao bordão está o báculo, que sustenta e ajuda a atravessar os lugares difíceis. Esses dois elementos entram dentro do mistério da Igreja, do mistério do sacerdote. Também a Igreja deve usar o bordão do pastor, o bordão com o qual protege a fé dos farsantes, contra as orientações que são, na realidade, desorientações. Com efeito, o uso do bordão pode ser um serviço de amor. Hoje vemos que não se trata de amor, quando se toleram comportamento indignos da vida sacerdotal. Como tampouco trata-se de amor se deixa-se proliferar a heresia, a tergiversação e a destruição da fé, como se nós inventássemos a fé autonomamente. Como se já não fosse um dom de Deus, a pérola preciosa que não deixamos que nos arranquem. Ao mesmo tempo, no entanto, o bordão continuamente deve transformar-se em báculo do pastor, báculo que ajude aos homens a poder caminhar por caminhos difíceis e seguir a Cristo.

Ao final do salmo, fala-se da mesa preparada, do perfume com que se unge a cabeça, da taça que transborda, do habitar na casa do Senhor. No salmo, isso mostra sobretudo a perspectiva da alegria pela festa de estar com Deus no templo, de ser hospedado e servido pelo mesmo, de poder habitar em sua casa. Para nós, que rezamos este salmo com Cristo e com seu Corpo que é a Igreja, esta perspectiva de esperança adquiriu uma amplitude e profundidade todavia ainda maior. Vemos nessa palavras, por assim dizer, uma antecipação profética do mistério da Eucaristia, na qual Deus mesmo nos convida e se nos oferece como alimento, como aquele pão e aquele vinho maravilhoso que são a única resposta última à fome e à sede interior do homem. Como não alegrarmo-nos de estarmos convidados cada dia à mesa de Deus e a a habitar em sua casa? Como não estarmos alegres por termos recebido d'Ele este mandado: "Fazei isto em memória de mim"? Alegres porque Ele nos permitiu preparar a mesa de Deus para os homens, oferecer-lhes seu Corpo e seu Sangue, oferecer-lhes o dom precioso de sua própria presença. Sim, podemos rezar juntos com todo o coração as palavras do salmo: "A vossa bondade e misericórdia hão de seguir-me por todos os dias de minha vida" (23 [22], 6).

Por último, vejamos brevemente os dois cantos de comunhão sugeridos hoje pela Igreja em sua liturgia. Antes de tudo, está a palavra com a qual São João conclui o relato da crucificação de Jesus: "um dos soldados abriu-lhe o lado com uma lança e, imediatamente, saiu sangue e água" (Jo 19, 34). O coração de Jesus é transpassado pela lança. Abre-se, e converte-se em uma fonte: a água e o sangue que manam aludem aos dois sacramentos fundamentais dos que vive a Igreja: o Batismo e a Eucaristia. Do lado transpassado do Senhor, de seu coração aberto, brota a fonte viva que mana ao longo dos séculos e edifica a Igreja. O coração aberto é fonte de um novo rio de vida; neste contexto, João certamente pensou também na profecia de Ezequiel, que vê manar do novo templo um rio que proporciona fecundidade e vida (Ez 47): Jesus mesmo é o novo templo, e seu coração aberto é a fonte da qual brota um rio de vida nova, que se nos comunica no Batismo e na Eucaristia.

A liturgia da solenidade do Sagrado Coração de Jesus, no entanto, prevê como canto de comunhão outra palavra, semelhante a essa, extraída do evangelho de João: "Se alguém tiver sede, venha a mim e beba. Quem crê em mim, como diz a Escritura: Do seu interior manarão rios de água viva" (cf. Jo 7 ,37s). Na fé bebemos, por assim dizer, da água viva da Palavra de Deus. Assim, o crente converte-se ele mesmo em uma fonte, que dá água viva à terra ressequida da história. O vemos nos santos. O vemos em Maria que, como grande mulher de fé e de amor, converteu-se ao longo dos séculos em fonte de fé, amor e vida. Cada cristão e cada sacerdote deveriam transformar-se, a partir de Cristo, em fonte que comunica vida aos demais. Deveríamos dar a água da vida a um mundo sedento. Senhor, vos damos graças porque nos abriu vosso coração; porque em vossa morte e ressurreição vos converteste em fonte de vida. Faz que sejamos pessoas vivas, vivas por tua fonte, e dá-nos ser também nós fonte, de maneira que possamos dar água viva a nosso tempo. Te agradecemos a graça do ministério sacerdotal. Senhor, abençoai-nos e abençoai a todos os homens deste tempo que estão sedentos e buscando. Amém!

Benedictus, P.P. XVI
 

sexta-feira, 11 de junho de 2010

Solenidade do Sagrado Coração de Jesus


Nesta Sexta-feira, 11 de Junho de 2010, a Igreja celebra a Solenidade do Sagrado Coração de Jesus, hoje também encerra-se o Ano Sacerdotal proclamado por Sua Santidade Bento XVI, por ocasião dos 150 anos da morte do Santo Cura d’ Ars, São João Maria Vianney, a partir de hoje Patrono de todos os Sacerdotes.

Jesus deu-nos a sua vida no alto da cruz, se tornou obediente até a morte, por isso o Pai do céu o exaltou e deu-lhe um Nome muito acima de todo nome. Deus teve misericórdia de nossa fraqueza, compadeceu-se de nós, Ele quis preservar-nos do pecado e da morte, sua Paixão abriu-nos as portas do céu.

Rezemos pelos sacerdotes do mundo inteiro, pelo nosso Pároco, pelos padres de nossas dioceses, pelos nossos bispos e pelo Santo Padre o Papa, para que seguindo o exemplo de Cristo Sacerdote busquem sempre a santidade.

A Solenidade desta Sexta-feira nos apresenta as seguintes leituras:

1ª Leitura Ezequiel 34, 11-16: Deus mesmo nos conduz e nos trata como a ovelha que precisa de ajuda;

Salmo Responsorial 22 (23): “O Senhor é pastor que me conduz; não me falta coisa alguma.”

2ª Leitura Romanos 5, 5-11: O amor de Deus foi derramado por nós, Jesus deu sua vida para salvar-nos e nos livrar do pecado e da morte;

Evangelho Lucas 15, 3-7: Jesus nos guia por caminhos seguros, os céus se alegram com nossa conversão.

quinta-feira, 10 de junho de 2010

Oração pelos sacerdotes

Oração pelos Sacerdotes
(pronunciada pelo Santo Padre Bento XVI em 19/06/09)

Senhor Jesus, em São João Maria Vianney quiseste dar à Igreja uma comovente imagem da tua caridade pastoral. Animados por seu exemplo e em sua companhia, faz que vivamos em plenitude este Ano Sacerdotal.

Como ele, diante de tua Eucaristia, faz que possamos aprender como é simples e diária a tua Palavra a instruir, como é terno o amor com que acolhes os pecadores arrependidos, como é consolador abandonar-se confiantemente a tua Mãe Imaculada.

Senhor Jesus, por intercessão do Santo Cura d'Ars, faz que as famílias cristãs se tornem “pequenas igrejas”, nas quais todas as vocações e todos os carismas, infundidos pelo teu Santo Espírito, possam ser acolhidos e valorizados. Concede-nos, Senhor, de poder repetir, com o mesmo ardor do Santo Cura, as palavras com as quais costumava se dirigir a Ti:

Amo-te, meu Deus, e meu único desejo é amar-Te até o último respiro de minha vida.

Amo-Te, ó Deus infinitamente amável, e prefiro morrer amando-Te do que viver um só instante sem amar-Te.

Amo-Te, Senhor, e a única graça que peço é a de Te amar eternamente.

Meu Deus, se a minha lingua não puder dizer a cada instante que Te amo, quero que meu coração o repita tantas vezes quantas eu respiro.

Amo-Te, ó meu Deus Salvador, porque foste crucificado por mim, e me tens aqui crucificado por Ti.

Meu Deus, dá-me a graça de morrer amando-Te e sabendo que Te amo.

Amém.

domingo, 6 de junho de 2010

Uma manifestação de amor ao Santíssimo Sacramento


A celebração da Solenidade do Santíssimo Sacramento do Corpo e Sangue de Cristo, na última Quinta-feira, dia 03 de Junho de 2.010, foi uma verdadeira manifestação de  devoção e de amor ao Santíssimo Sacramento na cidade de Salesópolis.

A Missa das 10h celebrada na Igreja Matriz São José estava repleta de pessoas da cidade e de outras cidades que mensalmente vem a Salesópolis por ocasião da 1ª Quinta-feira do mês que, talvez, seja a maior manifestação religiosa e devocional do Alto Tietê.

A Procissão Eucarística pelas ruas centrais da cidade, enfeitadas com tapete ornamental, foi marcante! A Corporação Musical "São José", executando hinos eucarístico e por fim o Hino Pontifício, as pessoas rezando e cantando os louvores a Jesus Sacramentado, uma verdadeira benção para a cidade de Salesópolis. Rezamos para que assim Deus nos conserve.

Foto gentileza
FOTO FARIA
Fotógrafo Benedito de Melo Faria

Papa Bento XVI encerrou sua viagem ao Chipre


“Estamos chamados a superar as nossas diferenças, a levar a paz e a reconciliação aonde existe o conflito, a oferecer ao mundo uma mensagem de esperança. Disse o Papa na Missa celebrada este Domingo, em Nicósia.

No terceiro e ultimo dia da sua viagem apostólica a Chipre, e por ocasião da publicação do documento de trabalho da assembleia especial do sínodo dos Bispos para o Médio Oriente, Bento XVI celebrou a Missa no Palácio dos Desportos Eleftheria, em Nicósia, capital do país. Na homilia – da solenidade do Corpo de Deus – Bento XVI insistiu na necessidade de superar posições individualistas, deixando que Cristo cresça de fato em nós, levando-nos a viver em unidade.
 
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10º Domingo do Tempo Comum


Celebramos o 10º Domingo do Tempo Comum, o Senhor nos visita e nos convida a participar da Eucaristia, Memorial do Sacrifício Pascal de Cristo e Ceia do Senhor. O Domingo é o Dia do Senhor, dia de ao redor de seu altar ouvirmos sua Palavra e comungarmos de seu Corpo e seu Sangue.

Neste domingo refletimos o rosto de nosso Deus misericordioso, que se compadece de nós  e que deseja a vida ao ser humano. Jesus é o Senhor da vida, ao ressuscitar o jovem, filho da viúva de Naim, mostra o seu ser Divino. Mostra também que está ao lado dos sofredores e desamparados.

A Liturgia da Missa deste domingo nos apresenta as seguintes leituras:

1ª Leitura 1Reis 17, 17-24: a generosidade da viúva é recompensada com a recuperação da vida do filho;

Salmo Responsorial 29 (30): "Eu vos exalto, ó Senhor, pois me livraste e preservastes mnha vida da morte!"

2ª Leitura Gálatas 1, 11-19: São Paulo diz que sua missão é a mesma dos apóstolos que viveram com Jesus;

Evangelho Lucas 7, 11-17: Ao ressuscitar o jovem filho da viúva da cidade de Naim, Jesus nos mostra que é Senhor da vida e da morte.

sábado, 5 de junho de 2010

Homilia do Santo Padre Bento XVI na Santa Missa no Chipre

Bollettino della Sala Stampa della Santa Sede
(tradução de Leonardo Meira - equipe CN Notícias)

SANTA MISSA COM SACERDOTES,
RELIGIOSOS, RELIGIOSAS, DIÁCONOS, CATEQUISTAS
E EXPOENTES DE MOVIMENTOS ECLESIAIS DO CHIPRE

HOMILIA DO SANTO PADRE BENTO XVI
Igreja paroquial latina da Santa Cruz - Nicósia - Chipre
Sábado, 5 de junho de 2010

Queridos irmãos e irmãs,

o Filho do Homem deve ser elevado, para que todo o que nEle crê tenha a vida eterna (cf. Jo 3. 14-15). Nesta Missa votiva adoramos e louvamos a Nosso Senhor Jesus Cristo, que com sua santa cruz redimiu o mundo. Com sua morte e ressurreição, abriu as portas do céu e nos preparou um lugar, para que nós, seus discípulos, possamos participar de sua glória.

Com a alegria da vitória redentora de Cristo, saúdo a todos vós, reunidos na Igreja da Santa Cruz, e agradeço vossa presença. Aprecia muito a cordialidade com que me haveis acolhido. Dou graças, de modo particular, a Sua Beatitude o Patriarca Latino de Jerusalém, por suas palavras de boas-vindas no começo da Missa, e pela presença do Padre Custódio da Terra Santa. Vim ao Chipre, primeiro lugar de destino das viagens missionárias de São Paulo pelo Mediterrâneo, seguindo os passos daquele grande Apóstolo, para confirmar-vos em vossa fé cristã e pregar o Evangelho que dá vida e esperança ao mundo.

O centro da celebração de hoje é a cruz de Cristo. Muitos poderiam ter a tentação de perguntar por que nós, os cristãos, celebramos um instrumento de tortura, um sinal de sofrimento, de fracasso e derrota. É verdade que a cruz expressa todos esses significados. E, no entanto, pelo motivo de que foi elevado na cruz para a nossa salvação, representa também o triunfo definitivo do amor de Deus sobre todos os males do mundo.

Uma antiga tradição conta que o madeiro da cruz foi tomado de uma árvore plantada por Set, o filho de Adão, no lugar onde Adão foi enterrado. Naquele mesmo lugar, conhecido como Gólgota, o lugar da caveira, Set plantou uma semente da árvore do conhecimento do bem e do mal, a árvore que estava no meio do Jardim do Éden. Graças à Providência Divina, a obra do Maligno teria sido aniquilada usando contra ele suas próprias armas.

Enganado pela serpente, Adão apartou-se da confiança filial em Deus e pecou comendo do fruto da única árvore do jardim que havia sido proibida. Como consequência daquele pecado, entrou no mundo o sofrimento e a morte. Os efeitos trágicos do pecado, isto é, o sofrimento e a morte, fizeram-se patentes na história dos descendentes de Adão. O escutamos na primeira leitura de hoje, que evoca a queda e prefigura a redenção de Cristo.

Como castigo por seus pecados, o povo de Israel, extenuado no deserto, foi mordido por serpentes, e somente pôde salvar-se voltando seu olhar para o sinal que Moisés havia elevado, prefigurando a cruz que poria fim ao pecado e à morte de uma vez por todas. Vemos claramente que o homem não pode salvar-se por si mesmo das consequências de seu pecado. Não pode salvar-se por si mesmo da morte. Somente Deus pode livrá-lo de sua escravidão moral e física. E tanto amou Deus ao mundo, que enviou a seu Filho unigênito, não para condenar o mundo, como requeria a justiça, mas para que o mundo fosse salvo por Ele. O Filho unigênito de Deus teve que ser elevado, como Moisés elevou a serpente no deserto, para que quanto olhem para Ele com fé tenham vida.

O madeiro da cruz transforma-se no instrumento de nossa redenção, tal como a árvore da qual ele havia sido extraído deu origem à queda de nossos progenitores. O sofrimento e a morte, consequências do pecado, transformaram-se precisamente no meio através do qual o pecado foi derrotado. O Cordeiro inocente foi sacrificado no altar da cruz e, no entanto, da imolação da vítima brotou vida nova: o poder do Maligno foi destruído pelo poder do amor que se auto-sacrifica.

A cruz, portanto, é algo maior e misterioso do que pode parecer à primeira vista. Sem dúvidas, é um instrumento de tortura, de sofrimento e derrota, mas ao mesmo tempo mostra a completa transformação, a vitória definitiva sobre todos esses males, e isso a converte no símbolo mais eloquente da esperança que o mundo jamais havia visto. Fala a todos os que sofrem - os oprimidos, os enfermos, os pobres, os marginalizados, as vítimas da violência - e lhes oferece a esperança de que Deus possa converter sua dor em alegria, seu afastamento em comunhão, sua morte em vida. Oferece esperança ilimitada a nosso mundo caído.

Por isso, o mundo necessita da cruz. Não é simplesmente um símbolo privado de devoção, não é um distintivo de pertencimento a um grupo dentro da sociedade, e seu significado mais profundo não tem nada a ver com a imposição forçada de um credo ou filosofia. Fala de esperança, fala de amor, fala da vitória da não violência sobre a opressão, fala de Deus que glorifica os humildes, dá força aos débeis, faz superar as divisões e vencer o ódio com o amor. Um mundo sem cruz seria um mundo sem esperança, um mundo no qual a tortura e a brutalidade não teriam limite, onde o débil seria subjugado e a ganância teria a última palavra. A desumanidade do homem contra o homem se manifestaria de modo todavia ainda mais horrível, e o círculo vicioso da violência não teria fim. Somente a cruz pode pôr fim a tudo isso. Enquanto que nenhum poder terreno pode salvar-nos das consequências de nosso pecado, e nenhuma potência terrena pode derrotar a injustiça em sua origem, a intervenção redentora de Deus Amor pode transformar radicalmente a realidade do pecado e a morte. Isso é o que celebramos quando nos gloriamos na cruz do Redentor. Santo André de Creta descreve com razão a cruz como "o mais excelente de todos os bens [...] pelo qual e para o qual culmina nossa salvação e se nos restitui o nosso estado de justiça original" (Sermão 10: pg. 97, 1018-1019).

Queridos irmãos sacerdotes, queridos religiosos, queridos catequistas, se nos foi confiada a mensagem da cruz para que possamos oferecer esperança ao mundo. Quando proclamamos a Cristo crucificado, não nos anunciamos a nós mesmos, mas sim a Ele. Não oferecemos nossa própria sabedoria ao mundo, não proclamamos nenhum de nossos méritos, mas atuamos como instrumentos de sua sabedoria, de seu amor e méritos redentores. Sabemos que somos simplesmente vasos de barro e, no entanto, fomos surpreendentemente eleitos para sermos mensageiros da verdade redentora que o mundo necessita escutar. jamais nos cansemos de admirar-nos diante da graça extraordinária que se nos foi dada, nunca deixemos de reconhecer nossa indignidade, mas, ao mesmo tempo, esforcemo-nos sempre para sermos menos indignos de nosso nobre chamado, de maneira que não coloquemo em xeque a credibilidade de nosso testemunho com nossos erros e quedas.

Neste Ano Sacerdotal, permiti-me que me dirija de modo especial aos presbíteros aqui presentes, e àqueles que se preparam para a ordenação. Meditai as palavras que o Bispo dirige ao ordenado quando lhe faz a entrega do cálice e a patena: "Considera o que realizas e imita o que comemoras, e conforma tua vida com o mistério da cruz do Senhor". Sempre que proclamarmos a cruz de Cristo, esforcemo-nos sempre por imitar o amor gratuito de quem ofereceu-se a si mesmo por nós no altar da cruz, de quem é ao mesmo tempo sacerdote e vítima, daquele em cujo nome falamos e atuamos quando exercemos o ministério que recebemos. Enquanto pensamos em nossas faltas, tanto individual quanto comunitariamente, reconheçamos humildemente que merecíamos o castigo que Ele, Cordeiro inocente, sofreu por nós. E se, em consonância com quanto nos compete, participamos no sofrimento de Cristo, alegremo-nos porque temos uma felicidade muito maios quando se revelar Sua glória.

Em meu pensamento e oração, lembro-me particularmente de muitos sacerdotes e religiosos do Oriente Médio que estão sentindo nestes momentos um chamado especial a configurar sua vida com o mistério da cruz do Senhor. Onde os cristãos são minoria, onde sofrem dificuldades por tensões religiosas e étnicas, muitas famílias tomam a decisão de fugir, e também os pastores tem a tentação de fazer o mesmo. Em situações deste tipo, no entanto, um sacerdote, uma comunidade religiosa, uma paróquia que se mantém firme e continua dando testemunho de Cristo é um sinal extraordinário de esperança, não somente para os cristãos, mas também para todos os que vivem na região. Vossa presença solitária é uma manifestação eloquente do Evangelho da paz, da vontade do Bom Pastor de cuidar de todas as ovelhas, do inquebrantável compromisso da Igreja em favor do diálogo, da reconciliação e a aceitação amorosa do próximo. Abraçando a cruz que se lhes apresenta, os sacerdotes e religiosos do oriente Médio podem irradiar realmente a esperança que está no centro do mistério que celebramos na liturgia de hoje.

Que nos consolem as palavras da segunda leitura de hoje, que expressam magnificamente o triunfo reservado a Cristo depois de sua morte na Cruz, triunfo que estamos convidados a compartilhar: "'Nome sobre todo o nome', de modo que ao nome de Jesus todo joelho se dobre, no céu, na terra, no abismo" (Flp 2, 9-10).

Sim, amados irmãos e irmãs em Cristo, afastemo-nos daquela glória que não seja a de Nosso Senhor Jesus Cristo (cf. Gal 6, 14). Ele é nossa vida, nossa salvação e nossa ressurreição. Ele nos salvou e libertou.

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