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domingo, 30 de maio de 2010

Solenidade da Santíssima Trindade

Glória ao Pai, ao Filho e ao Espírito Santo, ao Deus que é, que era e que vem, pelos séculos dos séculos. Amém.


Tendo encerrado o Tempo Pascal com a Solenidade de Pentecostes, neste Domingo, 30 de Maio de 2010, a Igreja celebra a Solenidade da Santíssima Trindade, O mistério de um só Deus em três Pessoas Divinas, como diz o Prefácio da Missa de hoje “[...]Senhor, Pai Santo, Deus eterno e todo-poderoso. Com vosso Filho único e o Espírito Santo, sois um só Deus e um só Senhor. Não uma única pessoa, mas três pessoas num só Deus.”

É o mistério de Deus! A Trindade presente na criação do mundo, o Pai que cria, o Filho que salva e o Espírito Divino que santifica, mas agindo sempre a Trindade Una e Onipotente. Ao Pai, ao Filho e ao Espírito Santo atribuímos igualmente toda a revelação e ação misteriosa de Deus.

Maria é a Senhora da Santíssima Trindade, pois ao mesmo tempo é Filha de Deus Pai, Mãe de Deus Filho e Esposa do Espírito Santo, coroada no céu pois viveu intimamente a graça santificante da Trindade, cheia do Espírito Santo no corpo e no coração foi quem melhor cooperou com a ação divina na Terra.


A Liturgia da Missa deste Domingo da Santíssima Trindade nos apresenta as seguintes leituras:

1ª Leitura Provérbios 8, 22-31: A Sabedoria Divina age no mundo desde os primeiros momentos da criação;

Salmo Responsorial 8: “Ó Senhor, nosso Deus, como é grande vosso nome por todo o universo!”

2ª Leitura Romanos 5, 1-5: Cristo, Deus feito homem, é nosso mediador;

Evangelho João 16, 12-15: O Espírito Santo nos faz compreender todas as coisas e com seus Sete Dons nos ilumina e nos Santifica.

segunda-feira, 24 de maio de 2010

Blog Divino Olhar

Lançado Blog Divino Olhar que divulga a Festa do Divino em Salesópolis, acesse e confira!
Nele temos informações históricas da "Maior Festa Católica de Salesópolis", fatos e fotos, bem como os registros folclóricos e litúrgicos em nossa cidade.

Papa Bento XVI celebrou a Solenidade de Pentecostes na Basílica de São Pedro, em Roma

Partindo da leitura dos Atos dos Apóstolos, o Papa fez notar que “esta nova e potente auto-comunicação de Deus” desencadeia um processo de reunificação, cria unidade e compreensão: “a unidade é o sinal de reconhecimento, o "cartão de visita" da Igreja ao longo da sua história universal. Desde os inícios, do dia de Pentecostes, e fala todas as línguas. A Igreja universal precede as Igrejas particulares e estas devem sempre conformar-se com aquela, segundo os critérios de unidade e universalidade. A Igreja nunca fica prisioneira de confins políticos, raciais, culturais”.

Leia mais no Site da Rádio Vaticano

domingo, 23 de maio de 2010

Solenidade de Pentecostes

Encerramos hoje o Tempo da Páscoa, no 50º dia de aleluia celebramos Pentecostes, a vinda do Espírito Santo sobre os Apóstolos e Maria Santíssima reunidos no Cenáculo, em formas de línguas de fogo que encheu seus corações e abriu o caminho da missão da Igreja.

O Espírito Santo, o Paráclito, prometido por Jesus, nos dá seus 7 dons, Conselho, Fortaleza, Ciência, Entendimento, Sabedoria, Piedade e Temor de Deus. É Ele, o Espírito Santo, que guia a Igreja de Cristo pelos caminhos do mundo e em todos os séculos esteve presente.

É o Espírito Santo que esteve presente na Criação, que falou através dos Profetas, que desceu sobre a Virgem Maria no momento em que ela concebeu o Filho Unigêntido de Deus, que no rio Jordão desceu em forma de pomba sobre Jesus, que no alto do Calvário deu forças a Jesus para dar a vida ao mundo, foi o Espírito Santo que esteve com Jesus na Ressurreição e hoje, nos tempos atuais, está com a Igreja Católica, e em cada Missa está com o sacerdote, para que, repetindo gestos e palavras de Jesus transforme o pão e o vinho no próprio Corpo e Sangue do Senhor.

A Missa deste Domingo de Pentecostes nos apresenta as seguintes leituras:

1ª Leitura Atos 2, 1-11: o Espírito Santo veio sobre os Apóstolos reunidos em Jerusalém e unificou as línguas no anúncio das maravilhas do Senhor;

Salmo Responsorial 103 (104): "Enviai o vosso Espírito, Senhor, e da terra toda a face renovai"

2ª Leitura 1Coríntios 12, 3b-7.12-13: Há diversidade de dons e ministérios na Igreja, mas todos somos guiados por um mesmo Espírito;

Evangelho João 20, 19-23: O Ressuscitado visita os Apóstolos e sopra sobre eles o Espírito Santo.

sábado, 22 de maio de 2010

22 de Maio - Dia de Santa Rita de Cássia

Nasceu na Itália, em Cássia, no ano de 1380. Seu grande desejo era consagrar-se numa vida religiosa. Mas, segundo os costumes de seu tempo, ela foi entregue em matrimônio para Paulo Ferdinando.

Tiveram dois filhos, e ela como mãe buscou educá-los na fé e no amor. Porém, eles foram influenciados pelo pai, que antes de se casar se apresentava com uma boa índole, mas depois se mostrou fanfarrão, traidor, entregue aos vícios. E seus filhos o acompanharam.

Rita então, chorava, orava, intercedia e sempre dava bom exemplo. Seu esposo acabou sendo assassinado. Não demorou muito, seus filhos também morreram. Seu refúgio era Jesus Cristo. A santa de hoje viveu os impossíveis de sua vida se refugiando no Senhor. Rita quis ser religiosa. Já era uma esposa santa, tornou-se uma viúva santa e depois uma religiosa.

Ela recebeu um estigma na testa, que a fez sofrer muito, devido a humilhação que sentia, pois cheirava mal e incomodava aos outros. E teve que viver resguardada. Morreu com 76 anos, após uma dura enfermidade que a fez sofrer por 4 anos.

Hoje ela intercede pelos impossíveis de nossa vida.

Santa Rita de Cássia, rogai por nós!

quinta-feira, 20 de maio de 2010

Fotos da Igreja Matriz São José, em Salesópolis-SP

Publicamos algumas fotos gentilmente cedidas por nosso amigo Daniel Anami, um fotógrafo que visitando nossa cidade com sua esposa no dia 21/04/2010, rendeu-se aos encantos de nossa Igreja Matriz São José.


Igreja Matriz São José
100 anos
1911 / 30 - XII / 2011

Vídeo publicado no site H2O News com o tema: "O padre, um homem de oração"


No decorrer do Ano Sacerdotal, o Papa destacou em diversas ocasiões a importância fundamental da oração na vida e na missão dos padres. Esta é a convicção de Dom Mauro Piacenza, Secretário da Congregação para o Clero, que identifica na missa o local de máxima oração do sacerdote.

Agindo in persona Christi, como se fosse o próprio Cristo a celebrar, a missa representa para o padre o momento de oração em que está mais próximo de Jesus e no qual exercita de maneira mais sublime o seu ministério, explica o bispo encarregado pelo Ano Sacerdotal. Todavia, existem outras formas de oração para o padre, como a Liturgia das Horas e da Adoração eucarística.

Recordando depois a oração do Terço e a meditação da Palavra de Deus nas Escrituras, Dom Piacenza evidencia a capacidade da oração de iluminar a atividade do padre. Isso porque a oração dos ministros ordenados, assim como o seu empenho pastoral, tem somente um único objetivo: conduzir a Cristo.

"Na celebração da missa, onde temos o vértice, o ápice da ação de culto, da oração, do sacrifício, então ali se configura o padre. Portanto, se eu devo perguntar quem é o padre, devo sobretudo observar o mistério da missa porque devo ver o mistério da cruz e, portanto evidentemente, o mistério da missa que o representa."

"em meio ao dinamismo de cada dia, a adoração é um espaço de tempo extremamente produtivo."

“è ele que deve pregar, é ele que deve ouvir as confissões, é ele que deve celebrar, é Jesus. E portanto, dizemos que a oração ajuda o padre a realizar aquilo que São João Batista dizia: « é oportuno que eu diminua para que ele cresça ".

Fonte H2O News

quarta-feira, 19 de maio de 2010

Pentecostes

Artigo publicado no Site da CNBB

Encerrando a Semana de Oração para a Unidade dos Cristãos e o Tempo Pascal, dizemos que Pentecostes é a Festa da convergência de todas as pessoas acolhendo o dom total do Espírito Santo na comunidade. É o contrário do que aconteceu na Torre de Babel (Gn 11, 1-9), que representava a confusão e a dispersão.

A presença do Espírito de Deus recupera as forças perdidas, as incertezas e medos e nos une, transformando o mundo em nova criação. Somos convocados para construir uma realidade mais humana, justa e solidaria, de respeito e confiança.

Sentimos um forte sopro do mal sobre a sociedade articulando desunião, desintegração das instituições, confusão familiar, descontrole afetivo, constituindo uma verdadeira chaga de cunho social. No campo político, assistimos a desmandos e corrupções lamentáveis.

Falar de Pentecostes é atinar para outro rumo, o da unidade, do compromisso e de atitudes visivelmente responsáveis. Agindo assim, nem seria necessário um trabalho de pressão para colocar em prática um projeto de “Ficha Limpa”, conforme tramita no Congresso. Isto não passa de sinal de indignação da população.

É hora de confiar na presença do Espírito Santo para realizar atos de responsabilidade. Dentro de pousos meses vamos escolher os nossos próximos representantes políticos nos diversos setores do país. O voto é uma poderosa arma contra o mal neste momento, mas tem que ser bem usado, sabendo do peso de suas consequências.

Não podemos caminhar numa cultura de confusão, de babel e dispersão. É fundamental retomar a linguagem e os critérios do amor, da comunhão, da partilha e da solidariedade. As forças de ação precisam ser integradas e caminhar juntas.

Na verdade, necessitamos de um novo Pentecostes, a presença de um “fogo” transformador da cultura despertando em todas as pessoas, principalmente nas revestidas de maior responsabilidade, o empenho para construir uma vida nova.

Temos que recuperar o nosso entusiasmo. Viver stressados e inconformados não faz bem a ninguém. Por isto, contamos com as forças rejuvenescedoras do Espírito de Pentecostes, levantando as nossas cabeças para um mundo melhor.

Dom Paulo Mendes Peixoto

Ficha Limpa é aprovada no Senado

Os senadores aprovaram hoje, 19 de Maio de 2010, por unanimidade, o projeto de lei da Ficha Limpa no plenário, encerrando a tramitação da proposta de iniciativa popular no Congresso Nacional. O próximo passo será a sanção presidencial. O texto aprovado é o mesmo encaminhado pela Câmara dos Deputados, sem emendas.

Leia mais sobre o assunto no Site da CNBB.

segunda-feira, 17 de maio de 2010

Homilia do Cardeal Cláudio Hummes na Missa de Encerramento do XVI Congresso Eucarístico Nacional, em Brasília


Brasília, 16 de maio

Irmãos e irmãs,

Encerrando nosso congresso eucarístico, na solenidade da Ascensão do Senhor, louvamos a Deus e lhe damos graças, com profunda adoração e imensa alegria espiritual. Ao mesmo tempo, pedimos seu auxílio e sua bênção para a grande missão que nos espera neste querido Brasil.

O congresso manifestou uma vez mais, que a Eucaristia é fonte e cenro da vida da Igreja e de cada cristão. Neste dias, ao participar da Eucaristia e da adoração eucarística, de modo mais intenso, pedimos a Cristo que desenvolvesse, em cada um de nós, a consciência de sermos seus discípulos, para sermos também seus missionários. De fato, a Eucaristia é força do discípulo e nossa atuação na sociedade humana.

O papa Bento XVI lembra-nos, então, que a Eucaristia tem tudo a ver com o domingo, o Dia do Senhor, e que os fiéis, portanto, não deixem de participar fervorosamente da Missa aos domingos. Realmente, no centro do domingo está sempre a Santa Missa, a Eucaristia. Um domingo sem Missa não é um domingo completo. É preciso renovar nos fieis a consciência da observância deste dia santificado, que inclui a participação na Missa.

Neste contexto, é bom recordar que na história do Brasil ocorreu um exemplo extraordinário da importância do domingo e da Missa dominical. Trata-se do testemunho dos beatos mártires de Cunhaú e Uruaçu, no Rio Grande do Norte, mortos pelos protestantes calvinistas em 1645m e beatificados pelo sempre lembrado e amado papa João Paulo II. Como sabemos, são dois grupos de mártires, que foram mortos no mesmo ano de 1645. O primeiro grupo foi a comunidade católica de Cunhaú, que com seu sacerdote, o padre André Soveral, foi massacrada enquanto participava da Missa dominical na sua igreja. Era o povo católico do lugar. Gente simples, mas religiosa. Foram mortos homens, mulheres, crianças, jovens e velhos, famílias inteiras, enfim, todos que participavam da Missa naquele dia de domingo. Foram mortos por serem católicos e professaram sua fé antes de morrer. O outro grupo foi morto barbaramente, também por serem católicos, poucos meses depois em Uruaçu, com seu sacerdote, padre Ambrósio Francisco Ferro. Neste grupo se destacou um leigo chamado Mateus Moreira, a quem arrancaram o coração pelas costas, enquanto ele gritava em alta voz: “Louvado seja o Santíssimo Sacramento”. Esses mártires, caros irmãos e irmãs, são uma das maiores glórias da Igreja no Brasil. O seu martírio, reconhecido pela Igreja, contém grande força de evangelização. Deveríamos torná-los mais conhecidos e venerados, porque nos ajudariam amar e valorizar o domingo e a Missa dominical.

Voltando ao tema do congresso, “Eucaristia, Pão da Unidade dos Discípulos Missionários”, é preciso que, diante de Cristo na Eucaristia, nos deixemos por Ele novamente enviar em missão. A própria festa da Ascensão do Senhor, que a Igreja hoje celebra, nos fala da missão. Os Evangelhos relatam que, quarenta dias depois de sua ressureição, Jesus reuniu seus discípulos, deu-lhes as últimas instruções e depois subiu ao céu, onde o Pai o fez assentar-se para sempre à sua direita, cheio de glória e poder. Nos últimos momentos com seus discípulos, antes de sua Ascensão, Ele os enviou em missão ao mundo inteiro, dizendo: “Ide por todo mundo e anunciai o Evangelho a toda criatura. Fazei discípulos meus todos os povos” (cf. Mc 16,15 e Mt 28,19). Eis a missão da qual Jesus encarregou sua Igreja. E Ele acrescentou: “Eu estarei convosco todos os dias até o fim dos tempos” (Mt 28,20). Em consequência, através dos séculos, até nossos dias, a Igreja sente-se impulsionada a esta missão. Contudo, nos tempos atuais manifesta-se uma nova urgência missionária. Os últimos papas não se cansaram de falar deste tema e procuraram renovar a consciência missionária na Igreja de hoje. João Paulo II falou de uma nova evangelização “com novo ardor, novos métodos e novas expressões”. Esta nova missão terá como destinatários, de um lado, as pessoas e os povos que ainda não são cristãos, mas também, de outro lado, os batizados que se afastaram da participação na vida de suas comunidades ou passaram a outras crenças ou mesmo à descrença total. A Igreja tem consciência de que não podemos nos limitar a acolher e atender as pessoas que vêm mais ou que nunca vieram a nossas Igrejas. Bento XVI disse, com razão, que “não basta conservar as comunidades que temos, ainda que isto seja importante”.

Em Aparecida, há três anos, os bispos refletiram de modo amplo e aprofundado esta urgência missionária e chegaram à conclusão que para sermos bons missionários deveríamos ser bons discípulos. Só o bom discípulo, aquele que escuta constantemente a Palavra de Jesus Cristo e o segue na prática da vida, pode tornar-se um bom missionário. Ora, o discípulo se forma no encontro pessoal e comunitário com Cristo, como os Evangelhos, nos mostram ao falar dos primeiros discípulos de Jesus

Ora, meus caros irmãos e irmãs, foi isto também que se propôs como objetivo este Congresso Eucarístico, que ora encerramos: renovar em todos os católicos do Brasil a identidade de discípulos e discípulas de Jesus e a partir desta experiência e prática continuada tornarem-se seus missionários.

E quem serão os destinatários da missão? Em princípio, todos. A vontade de Deus é que todos se salvem. Ora, é pela fé e pelo Batismo que se ingressa no caminho da salvação. Mas, como as pessoas podem ter fé se ninguém lhes anuncia o Evangelho? A fé nasce da pregação, disse São Paulo. Por isso, todos os seres humanos têm o direito de ouvir o Evangelho. Às vezes, ouve-s dizer que o importante não é a quantidade, mas a qualidade de nossas comunidades. Errado! comunidades sejam sempre mais qualificadas, vivas e coerentes na fé. Mas, isso não basta. Urge levar o Evangelho a todos que não basta conservar as comunidades que temos, ainda que isto seja importante ( cf. disc. Dos bispos alemães em 2005)

Neste Ano Sacerdotal, é bom recordar também quanto os nossos padres são indispensáveis e insubstituíveis neste novo empenho missionário. É claro que todos os cristãos devem ser missionários, mas os padres têm um papel especial, pois são os pastores das comunidades locais. São os padres que devem fazer a missão nos território de sua paróquia. Para isso, precisam reunir sua comunidade e escolher um bom grupo de leigos e leigas e formá-los para sair com eles em missão, visitando as famílias da paróquia.

Caros padres, a Igreja espera muito de cada um dos senhores para essa missão urgente. Mas, podem também ter a certeza de que a missão os ajudará também a sentirem-se mais padres e a entenderem melhor sua identidade e a serem mais felizes no ministério. A missão precisa de todos vocês, padres. Sem vocês, pouco ou nada acontecerá. E vocês têm muitos modelos em quem se inspirar. A Igreja no Brasil já tem uma bela lista de padres santos e beatos. Lembremos o beato Padre Anchieta, missionário do Brasil; o beato Padre Inácio de Azevedo martirizado em viagem ao Brasil no início da colonização brasileira; os três santos mártires do Rio Grane do Sul, que compartilhamos com o Paraguai, mas morreram mártires em território brasileiros que são os santos Roque Gonzalez, Afonso Rodriguez e João Del Castilho; depois temos o Santo Frei Galvão; os dois beatos mártires do grupo de mártires do Rio Grande do Norte, já citados, isto é, o Beato Padre André Soreval e o Beato Padre Ambrósio Francisco Ferro, temos ainda o Beato mártir Padre Manuel Gómez Gonçalves (do Rio Grande do Sul); o Beato Padre Mariano (de São Paulo) e o Beato Padre Eustáquio (de Belo Horizonte). Os padres do Brasil podem mostrar ao mundo e à Igreja, com santo orgulho, esses seus colegas santos e beatos. Que eles também ajudem cada padre de hoje a viver com fidelidade sua vocação e missão.

Desta missão, os destinatários são todos, mas os pobres deverão ser os destinatários prediletos. O papa Bento XVI, na sua visita ao Brasil por ocasião da Conferência de Aparecida, reuniu-se com os bispos brasileiros na Catedral da Sé de São Paulo. Ali, ao estimular os bispos para a missão, sublinhou que devemos com especial amor aos pobres e visitá-los lá onde vivem, para levá-los a Jesus Cristo. Disse Bento XVI: “Neste esforço evangelizador, a comunidade eclesial se destaca pelas iniciativas pastorais, ao enviar, sobretudo entre as casas das periferias urbanas e do interior, seus missionários, leigos ou religiosos. [...]. O povo pobre das periferias urbanas ou do campo precisa sentir a proximidade da Igreja, seja no socorro das suas necessidades mais urgentes, como também na defesa dos seus direitos e na promoção comum de uma sociedade fundamentada na justiça e na paz. Os pobres são os destinatários privilegiados do Evangelho” (n. 22).

Irmãos e irmãs, ao encerrar este magnífico congresso, recordemos também o seu lema: “Fica conosco, Senhor”. Sim; pedimos ardentemente; “Fica conosco, Senhor!”, porque, a partir da Eucaristia deste congresso, queremos decididamente ir em missão. Mas ao mesmo tempo, temos a consciência de que nada podemos ser sem Jesus Cristo. Ele mesmo o disse: “Sem mim, nada podeis fazer” (Jo 15, 5). Por esta razão, pedimos com os discípulos de Emaús: “Fica conosco, Senhor, pois já é tarde e a noite vem chegando” (Lc, 24, 29).

Estas palavras têm uma ressonância especial hoje em dia, quando a Igreja está sofrendo uma crise difícil. Também a Igreja, caminhando na penumbra da noite, anseia pela luz da manhã e suplica: “Fica conosco, Senhor”. A Igreja, por outro lado, sabe que sua súplica é ouvida, pois Jesus mesmo, no momento da Ascensão ao Céu, prometeu: “Eu estarei convosco todos os dias, até o fim dos tempos” (MT 28, 20). Prometeu também enviar-nos Seu Espírito Santo. De fato, dez dias depois da Ascensão, no dia de Pentecostes, o Espírito Santo é derramado sobre os Apóstolos, que estavam em Jerusalém, reunidos em oração, com Maria, no Cenáculo. Dali, eles partem decididamente em missão. A partir de então, através dos séculos, o Espírito Santo será o motor e a luz da missão da Igreja. Nós também precisamos deste Pentecostes para a missão no Brasil. No próximo domingo é Pentecostes. Não percamos este momento. Reunidos em oração com Nossa Senhora Aparecida, Padroeira do Brasil, que acompanhou de perto nosso congresso. Peçamos a Deus que envie como renovado vigor sobre todos nós o seu Espírito Santo, para que Ele nos transforme em missionários decididos de Jesus Cristo.

Irmãos e irmãs, queremos partir daqui esperançosos, felizes, decididos e entusiastas para a missão que nos espera. Queremos louvar e agradecer a Cristo pelos dias e horas deste congresso, em que pudemos sentir de perto a presença do Senhor e o calor de sua acolhida. Somos seus discípulos e discípulas, Ele quer contar conosco. Cada um e cada uma de nós, segundo seu estado de vida e profissão, fará sua parte nessa missão. Então, a Igreja no Brasil será florescente e tantos que dela se afastaram, irão reencontrar seu lugar à mesa do Senhor, na Igreja que um dia, no passado, os recebeu e os batizou. A estes, de modo especial, queremos revisitar e ajudá-los a superar os impasses que os afastaram. A eles todos enviamos daqui nossa saudação de irmãos e nosso testemunho de amor.

Tudo na Igreja se ordena para a Eucaristia e da Eucaristia. Parte novamente para o labor apostólico, a fim de buscar e conduzir tantos outros a esta mesa da verdadeira vida, à mesa do Senhor. Portanto, esta Santa Missa, cuja celebração agora vamos continuar, não constitui propriamente um encerramento, mas um ponto alto de nossa missão, uma expressão intensa de nossa fé em Jesus Cristo e um novo impulso para anunciá-lo a todos. Amém.

Cardeal Dom Cláudio Hummes
Arcebispo Emérito de São Paulo
Prefeito da Congregação para o Clero

Fonte CEN 2010 e Canção Nova

domingo, 16 de maio de 2010

Solenidade da Ascensão do Senhor

Quarenta dias após a Páscoa da Ressurreição a Igreja celebra a Solenidade da Ascensão do Senhor, sua subida gloriosa aos céus, conforme professamos no Credo "subiu aos céus, onde está sentado à direita do Pai, e de novo há de vir em sua glória para julgar os vivos e os mortos, o o seu reino não terá fim." (Símbolo Niceno-Constantinopolitano). No Brasil esta solenidade é transferida para o 7º Domingo da Páscoa, em que inicia-se a Semana de Oração pela unidade dos cristãos que se encerrará com a Solenidade de Pentecostes.

Jesus Ressuscitado apareceu aos discípulos e à vista deles subiu ao céus, entregando-lhes sua missão, prometeu-lhes o Espírito Santo  que lhes daria o poder para serem suas testemunhas nos confins da Terra, por isso, no decorrer dos séculos a Igreja se preocupou em levar a mensagem de Jesus a todos os povos e de todos os modos possíveis.

Na Solenidade da Ascensão do Senhor a Igreja instituiu o dia Mundial das Comunicações Sociais, por ocasião do Ano Sacertodal, a mensagem de Sua Santidade Papa Bento XVI, tem como tema: "O Sacerdote e a pastoral no mundo digital: os novos meios de comnicação a serviço da Palavra." Somos todos interpelados a utilizar os novos meios, sobretudo aqueles existentes a internet, Portais, Sites, Blogs, FaceBook, Twitter, e tantos outros, para o anúncio explícito da Palavra de Deus e à Evangelização.

A Liturgia da Missa nos apresenta as seguintes Leituras:

1ª Leitura Atos 1, 1-11: No início dos Atos dos Apóstolos, São Lucas apresenta o mandato deixado por Jesus no dia que Ele subiu aos céus;

Salmo Responsorial 46 (47): "Por entre aclamações Deus se elevou, o Senhor subiu ao toque da trombeta!"

2ª Leitura Efésios 1, 17-23: Jesus é verdadeiramente Homem-Deus, Ele é a cabeça da Igreja, que elevou a nossa humanidade aos céus;

Evangelho Lucas 24, 46-53: Com a Ascensão de Jesus aos céus e a vinda do Espírito Santo inicia-se a missão da Igreja, Ele não abandona a Igreja mas permanece conosco numa forma nova.

sábado, 15 de maio de 2010

Mensagem do Papa Bento XVI para o 44º Dia Mundial das Comunicações Sociais

"O sacerdote e a pastoral no mundo digital: os novos media ao serviço da Palavra"
Domingo,16 de Maio de 2010
Solenidade da Ascensão do Senhor

Queridos irmãos e irmãs!

O tema do próximo Dia Mundial das Comunicações Sociais – «O sacerdote e a pastoral no mundo digital: os novos media ao serviço da Palavra» – insere-se perfeitamente no trajeto do Ano Sacerdotal e traz à ribalta a reflexão sobre um âmbito vasto e delicado da pastoral como é o da comunicação e do mundo digital, que oferece ao sacerdote novas possibilidades para exercer o seu serviço à Palavra e da Palavra. Os meios modernos de comunicação fazem parte, desde há muito tempo, dos instrumentos ordinários através dos quais as comunidades eclesiais se exprimem, entrando em contacto com o seu próprio território e estabelecendo, muito frequentemente, formas de diálogo mais abrangentes, mas a sua recente e incisiva difusão e a sua notável influência tornam cada vez mais importante e útil o seu uso no ministério sacerdotal.

A tarefa primária do sacerdote é anunciar Cristo, Palavra de Deus encarnada, e comunicar a multiforme graça divina portadora de salvação mediante os sacramentos. Convocada pela Palavra, a Igreja coloca-se como sinal e instrumento da comunhão que Deus realiza com o homem e que todo o sacerdote é chamado a edificar n’Ele e com Ele. Aqui reside a altíssima dignidade e beleza da missão sacerdotal, na qual se concretiza de modo privilegiado aquilo que afirma o apóstolo Paulo: «Na verdade, a Escritura diz: “Todo aquele que acreditar no Senhor não será confundido”. […] Portanto, todo aquele que invocar o nome do Senhor será salvo. Mas como hão de invocar Aquele em quem não acreditam? E como hão de acreditar n’Aquele de quem não ouviram falar? E como hão de ouvir falar, se não houver quem lhes pregue? E como hão de pregar, se não forem enviados?» (Rm 10,11.13-15).

Hoje, para dar respostas adequadas a estas questões no âmbito das grandes mudanças culturais, particularmente sentidas no mundo juvenil, tornaram-se um instrumento útil as vias de comunicação abertas pelas conquistas tecnológicas. De fato, pondo à nossa disposição meios que permitem uma capacidade de expressão praticamente ilimitada, o mundo digital abre perspectivas e concretizações notáveis ao incitamento paulino: «Ai de mim se não anunciar o Evangelho!» (1 Cor 9,16). Por conseguinte, com a sua difusão, não só aumenta a responsabilidade do anúncio, mas esta torna-se também mais premente reclamando um compromisso mais motivado e eficaz. A este respeito, o sacerdote acaba por encontrar-se como que no limiar de uma «história nova», porque quanto mais intensas forem as relações criadas pelas modernas tecnologias e mais ampliadas forem as fronteiras pelo mundo digital, tanto mais será chamado o sacerdote a ocupar-se disso pastoralmente, multiplicando o seu empenho em colocar os media ao serviço da Palavra.

Contudo, a divulgação dos «multimidia» e o diversificado «espectro de funções» da própria comunicação podem comportar o risco de uma utilização determinada principalmente pela mera exigência de marcar presença e de considerar erroneamente a internet apenas como um espaço a ser ocupado. Ora, aos presbíteros é pedida a capacidade de estarem presentes no mundo digital em constante fidelidade à mensagem evangélica, para desempenharem o próprio papel de animadores de comunidades, que hoje se exprimem cada vez mais frequentemente através das muitas «vozes» que surgem do mundo digital, e anunciar o Evangelho recorrendo não só aos media tradicionais, mas também ao contributo da nova geração de audiovisuais (fotografia, vídeo, animações, blogues, páginas internet) que representam ocasiões inéditas de diálogo e meios úteis inclusive para a evangelização e a catequese.

Através dos meios modernos de comunicação, o sacerdote poderá dar a conhecer a vida da Igreja e ajudar os homens de hoje a descobrirem o rosto de Cristo, conjugando o uso oportuno e competente de tais meios – adquirido já no período de formação – com uma sólida preparação teológica e uma espiritualidade sacerdotal forte, alimentada pelo diálogo contínuo com o Senhor. No impacto com o mundo digital, mais do que a mão do operador dos media, o presbítero deve fazer transparecer o seu coração de consagrado, para dar uma alma não só ao seu serviço pastoral, mas também ao fluxo comunicativo ininterrupto da «rede».

Também no mundo digital deve ficar patente que a amorosa atenção de Deus em Cristo por nós não é algo do passado nem uma teoria erudita, mas uma realidade absolutamente concreta e atual. De fato, a pastoral no mundo digital há de conseguir mostrar, aos homens do nosso tempo e à humanidade desorientada de hoje, que «Deus está próximo, que, em Cristo, somos todos parte uns dos outros» [Bento XVI, Discurso à Cúria Romana na apresentação dos votos de Natal: «L’Osservatore Romano» (21-22 de Dezembro de 2009) pág. 6].

Quem melhor do que um homem de Deus poderá desenvolver e pôr em prática, mediante as próprias competências no âmbito dos novos meios digitais, uma pastoral que torne Deus vivo e atual na realidade de hoje e apresente a sabedoria religiosa do passado como riqueza donde haurir para se viver dignamente o tempo presente e construir adequadamente o futuro? A tarefa de quem opera, como consagrado, nos media é aplanar a estrada para novos encontros, assegurando sempre a qualidade do contacto humano e a atenção às pessoas e às suas verdadeiras necessidades espirituais; oferecendo, às pessoas que vivem nesta nossa era «digital», os sinais necessários para reconhecerem o Senhor; dando-lhes a oportunidade de se educarem para a expectativa e a esperança, abeirando-se da Palavra de Deus que salva e favorece o desenvolvimento humano integral. A Palavra poderá assim fazer-se ao largo no meio das numerosas encruzilhadas criadas pelo denso emaranhado das auto-estradas que sulcam o ciberespaço e afirmar o direito de cidadania de Deus em todas as épocas, a fim de que, através das novas formas de comunicação, Ele possa passar pelas ruas das cidades e deter-se no limiar das casas e dos corações, fazendo ouvir de novo a sua voz: «Eu estou à porta e chamo. Se alguém ouvir a minha voz e Me abrir a porta, entrarei em sua casa, cearei com ele e ele comigo» (Ap 3, 20).

Na Mensagem do ano passado para idêntica ocasião, encorajei os responsáveis pelos processos de comunicação a promoverem uma cultura que respeite a dignidade e o valor da pessoa humana. Este é um dos caminhos onde a Igreja é chamada a exercer uma «diaconia da cultura» no atual «continente digital». Com o Evangelho nas mãos e no coração, é preciso reafirmar que é tempo também de continuar a preparar caminhos que conduzam à Palavra de Deus, não descurando uma atenção particular por quem se encontra em condição de busca, mas antes procurando mantê-la desperta como primeiro passo para a evangelização. Efetivamente, uma pastoral no mundo digital é chamada a ter em conta também aqueles que não acreditam, caíram no desânimo e cultivam no coração desejos de absoluto e de verdades não caducas, dado que os novos meios permitem entrar em contacto com crentes de todas as religiões, com não-crentes e pessoas de todas as culturas. Do mesmo modo que o profeta Isaías chegou a imaginar uma casa de oração para todos os povos (cf. Is 56,7), não se poderá porventura prever que a internet possa dar espaço – como o «pátio dos gentios» do Templo de Jerusalém – também àqueles para quem Deus é ainda um desconhecido?

O desenvolvimento das novas tecnologias e, na sua dimensão global, todo o mundo digital representam um grande recurso, tanto para a humanidade no seu todo como para o homem na singularidade do seu ser, e um estímulo para o confronto e o diálogo. Mas aquelas apresentam-se igualmente como uma grande oportunidade para os crentes. De fato nenhum caminho pode, nem deve, ser vedado a quem, em nome de Cristo ressuscitado, se empenha em tornar-se cada vez mais solidário com o homem. Por conseguinte e antes de mais nada, os novos media oferecem aos presbíteros perspectivas sempre novas e, pastoralmente, ilimitadas, que os solicitam a valorizar a dimensão universal da Igreja para uma comunhão ampla e concreta; a ser no mundo de hoje testemunhas da vida sempre nova, gerada pela escuta do Evangelho de Jesus, o Filho eterno que veio ao nosso meio para nos salvar. Mas, é preciso não esquecer que a fecundidade do ministério sacerdotal deriva primariamente de Cristo encontrado e escutado na oração, anunciado com a pregação e o testemunho da vida, conhecido, amado e celebrado nos sacramentos sobretudo da Santíssima Eucaristia e da Reconciliação.

A vós, queridos Sacerdotes, renovo o convite a que aproveiteis com sabedoria as singulares oportunidades oferecidas pela comunicação moderna. Que o Senhor vos torne apaixonados anunciadores da Boa Nova na «ágora» moderna criada pelos meios atuais de comunicação.

Com estes votos, invoco sobre vós a proteção da Mãe de Deus e do Santo Cura d’Ars e, com afeto, concedo a cada um a Bênção Apostólica.

Vaticano, 24 de Janeiro – Festa de São Francisco de Sales – de 2010.

BENEDICTUS PP. XVI

sexta-feira, 14 de maio de 2010

Com Santa Missa na cidade do Porto, Papa Bento XVI encerrou sua Viagem Apostólica a Portugal

HOMILIA DO PAPA BENTO XVI
Grande Praça da Avenida dos Aliados, Porto
Sexta-feira, 14 de Maio de 2010

Amados Irmãos e Irmãs,

«Está escrito no Livro dos Salmos: […] receba outro o seu cargo. É necessário, portanto, que […] um se torne connosco testemunha da ressurreição» (At 1, 20-22). Assim falou Pedro, lendo e interpretando a palavra de Deus no meio de seus irmãos, reunidos no Cenáculo depois da Ascensão de Jesus ao Céu. O escolhido foi Matias, que tinha sido testemunha da vida pública de Jesus e do seu triunfo sobre a morte, permanecendo-Lhe fiel até ao fim, não obstante a debandada de muitos. A «desproporção» de forças em campo, que hoje nos espanta, já há dois mil anos admirava os que viam e ouviam a Cristo. Era Ele apenas, das margens do Lago da Galileia às praças de Jerusalém, só ou quase só nos momentos decisivos: Ele em união com o Pai, Ele na força do Espírito. E todavia aconteceu que por fim, pelo mesmo amor que criou o mundo, a novidade do Reino surgiu como pequena semente que germina na terra, como centelha de luz que irrompe nas trevas, como aurora de um dia sem ocaso: É Cristo ressuscitado. E apareceu aos seus amigos, mostrando-lhes a necessidade da cruz para chegar à ressurreição.

Uma testemunha de tudo isto, procurava Pedro naquele dia. Apresentadas duas, o Céu designou «Matias, que foi agregado aos onze Apóstolos» (Act 1, 26). Hoje celebramos a sua memória gloriosa nesta «Cidade Invicta», que se vestiu de festa para acolher o Sucessor de Pedro. Dou graças a Deus por me trazer até ao vosso meio, encontrando-vos à volta do altar. A minha cordial saudação para vós, irmãos e amigos da cidade e diocese do Porto, vindos da província eclesiástica do norte de Portugal e mesmo da vizinha Espanha, e quantos mais estão em comunhão física ou espiritual com esta nossa assembleia litúrgica. Saúdo o Senhor Bispo do Porto, Dom Manuel Clemente, que desejou com grande solicitude a minha visita, me acolheu com grande afecto e se fez intérprete dos vossos sentimentos no início desta Eucaristia. Saúdo seus Predecessores e demais Irmãos no episcopado, os sacerdotes, os consagrados e consagradas, e os fiéis leigos, com um pensamento particular para quantos estão envolvidos na dinamização da Missão Diocesana e, mais concretamente, na preparação desta minha Visita. Sei que a mesma pôde contar com a real colaboração do Presidente da Câmara do Porto e de outras Autoridades públicas, muitas das quais me honram com a sua presença, aproveitando este momento para as saudar e lhes desejar, a elas e a quantos representam e servem, os melhores sucessos a bem de todos.

«É necessário que um se torne connosco testemunha da ressurreição»: dizia Pedro. E o seu Sucessor actual repete a cada um de vós: Meus irmãos e irmãs, é necessário que vos torneis comigo testemunhas da ressurreição de Jesus. Na realidade, se não fordes vós as suas testemunhas no próprio ambiente, quem o será em vosso lugar? O cristão é, na Igreja e com a Igreja, um missionário de Cristo enviado ao mundo. Esta é a missão inadiável de cada comunidade eclesial: receber de Deus e oferecer ao mundo Cristo ressuscitado, para que todas as situações de definhamento e morte se transformem, pelo Espírito, em ocasiões de crescimento e vida. Para isso, em cada celebração eucarística, ouviremos mais atentamente a Palavra de Cristo e saborearemos assiduamente o Pão da sua presença. Isto fará de nós testemunhas e, mais ainda, portadores de Jesus ressuscitado no mundo, levando-O para os diversos sectores da sociedade e quantos neles vivem e trabalham, irradiando aquela «vida em abundância» (Jo, 10, 10) que Ele nos ganhou com a sua cruz e ressurreição e que sacia os mais legítimos anseios do coração humano.

Nada impomos, mas sempre propomos, como Pedro nos recomenda numa das suas cartas: «Venerai Cristo Senhor em vossos corações, prontos sempre a responder a quem quer que seja sobre a razão da esperança que há em vós» (1 Pd 3, 15). E todos afinal no-la pedem, mesmo quem pareça que não. Por experiência própria e comum, bem sabemos que é por Jesus que todos esperam. De facto, as expectativas mais profundas do mundo e as grandes certezas do Evangelho cruzam-se na irrecusável missão que nos compete, pois «sem Deus, o ser humano não sabe para onde ir e não consegue sequer compreender quem seja. Perante os enormes problemas do desenvolvimento dos povos, que quase nos levam ao desânimo e à rendição, vem em nosso auxílio a palavra do Senhor Jesus Cristo que nos torna cientes deste dado fundamental: “Sem Mim, nada podeis fazer” (Jo 15, 5), e encoraja: “Eu estarei sempre convosco até ao fim do mundo” (Mt 28, 20)» (Bento XVI, Enc. Caritas in veritate, 78).

Mas, se esta certeza nos consola e tranquiliza, não nos dispensa de ir ao encontro dos outros. Temos de vencer a tentação de nos limitarmos ao que ainda temos, ou julgamos ter, de nosso e seguro: seria morrer a prazo, enquanto presença de Igreja no mundo, que aliás só pode ser missionária, no movimento expansivo do Espírito. Desde as suas origens, o povo cristão advertiu com clareza a importância de comunicar a Boa Nova de Jesus a quantos ainda não a conheciam. Nestes últimos anos, alterou-se o quadro antropológico, cultural, social e religioso da humanidade; hoje a Igreja é chamada a enfrentar desafios novos e está pronta a dialogar com culturas e religiões diversas, procurando construir juntamente com cada pessoa de boa vontade a pacífica convivência dos povos. O campo da missão ad gentes apresenta-se hoje notavelmente alargado e não definível apenas segundo considerações geográficas; realmente aguardam por nós não apenas os povos não-cristãos e as terras distantes, mas também os âmbitos sócio-culturais e sobretudo os corações que são os verdadeiros destinatários da actividade missionária do povo de Deus.

Trata-se de um mandato cuja fiel realização «deve seguir o mesmo caminho de Cristo: o caminho da pobreza, da obediência, do serviço e da imolação própria até à morte, de que Ele saiu vencedor pela sua ressurreição» (Conc. Ecum. Vaticano II, Decr. Ad gentes, 5). Sim! Somos chamados a servir a humanidade do nosso tempo, confiando unicamente em Jesus, deixando-nos iluminar pela sua Palavra: «Não fostes vós que Me escolhestes; fui Eu que vos escolhi e destinei, para que vades e deis fruto e o vosso fruto permaneça» (Jo 15, 16). Quanto tempo perdido, quanto trabalho adiado, por inadvertência deste ponto! Tudo se define a partir de Cristo, quanto à origem e à eficácia da missão: a missão recebemo-la sempre de Cristo, que nos deu a conhecer o que ouviu a seu Pai, e somos nela investidos por meio do Espírito na Igreja. Como a própria Igreja, obra de Cristo e do seu Espírito, trata-se de renovar a face da terra a partir de Deus, sempre e só de Deus!

Queridos irmãos e amigos do Porto, levantai os olhos para Aquela que escolhestes como padroeira da cidade, Nossa Senhora da Conceição. O Anjo da anunciação saudou Maria como «cheia de graça», significando com esta expressão que o seu coração e a sua vida estavam totalmente abertos a Deus e, por isso, completamente invadidos pela sua graça. Que Ela vos ajude a fazer de vós mesmos um «sim» livre e pleno à graça de Deus, para poderdes ser renovados e renovar a humanidade pela luz e a alegria do Espírito Santo.

quinta-feira, 13 de maio de 2010

Festa do Divino em Mogi das Cruzes

Festa do Divino Espírito Santo em Mogi das Cruzes
de 13 à 23 de Maio de 2010
Catedral Diocesana de Santana

Acesse a Programação e o Blog da Festa do Divino em Mogi das Cruzes

Hoje começa o XVI Congresso Eucarístico Nacional, em Brasília, com o tema: "Fica conosco, Senhor!"


Acesse: CEN 2010

Homilia do Santo Padre Bento XVI na Missa do dia de Nossa Senhora de Fátima, em Fátima, Portugal

Queridos peregrinos,

«A linhagem do povo de Deus será conhecida […] como linhagem que o Senhor abençoou» (Is 61, 9). Assim começava a primeira leitura desta Eucaristia, cujas palavras encontram uma realização admirável nesta devota assembleia aos pés de Nossa Senhora de Fátima. Irmãs e irmãos muito amados, também eu vim como peregrino a Fátima, a esta «casa» que Maria escolheu para nos falar nos tempos modernos. Vim a Fátima para rejubilar com a presença de Maria e sua materna protecção. Vim a Fátima, porque hoje converge para aqui a Igreja peregrina, querida pelo seu Filho como instrumento de evangelização e sacramento de salvação. Vim a Fátima para rezar, com Maria e tantos peregrinos, pela nossa humanidade acabrunhada por misérias e sofrimentos. Enfim, com os mesmos sentimentos dos Beatos Francisco e Jacinta e da Serva de Deus Lúcia, vim a Fátima para confiar a Nossa Senhora a confissão íntima de que «amo», de que a Igreja, de que os sacerdotes «amam» Jesus e n’Ele desejam manter fixos os olhos ao terminar este Ano Sacerdotal, e para confiar à protecção materna de Maria os sacerdotes, os consagrados e consagradas, os missionários e todos os obreiros do bem que tornam acolhedora e benfazeja a Casa de Deus.

São a linhagem que o Senhor abençoou… Linhagem que o Senhor abençoou és tu, amada diocese de Leiria-Fátima, com o teu Pastor Dom António Marto, a quem agradeço a saudação inicial e todas as atenções com que me cumulou nomeadamente através de seus colaboradores neste santuário. Saúdo o Senhor Presidente da República e demais autoridades ao serviço desta Nação gloriosa. Idealmente abraço todas as dioceses de Portugal, aqui representadas pelos seus Bispos, e confio ao Céu todos os povos e nações da terra. Em Deus, estreito ao coração todos os seus filhos e filhas, especialmente quantos vivem atribulados ou abandonados, no desejo de comunicar-lhes aquela esperança grande que arde no meu coração e que, em Fátima, se faz encontrar mais sensivelmente. A nossa grande esperança lance raízes na vida de cada um de vós, amados peregrinos aqui presentes, e de quantos estão em comunhão connosco através dos meios de comunicação social.

Sim! O Senhor, a nossa grande esperança, está connosco; no seu amor misericordioso, oferece um futuro ao seu povo: um futuro de comunhão consigo. Tendo experimentado a misericórdia e consolação de Deus que não o abandonara no fatigante caminho do regresso do exílio de Babilónia, o povo de Deus exclama: «Exulto de alegria no Senhor, a minha alma rejubila no meu Deus» (Is 61, 10). Filha excelsa deste povo é a Virgem Mãe de Nazaré, a qual, revestida de graça e docemente surpreendida com a gestação de Deus que se estava operando no seu seio, faz igualmente sua esta alegria e esta esperança no cântico do Magnificat: «O meu espírito se alegra em Deus, meu Salvador». Entretanto não se vê como privilegiada no meio de um povo estéril, antes profetiza-lhe as doces alegrias duma prodigiosa maternidade de Deus, porque «a sua misericórdia se estende de geração em geração sobre aqueles que O temem» (Lc 1, 47.50).

Prova disto mesmo é este lugar bendito. Mais sete anos e voltareis aqui para celebrar o centenário da primeira visita feita pela Senhora «vinda do Céu», como Mestra que introduz os pequenos videntes no conhecimento íntimo do Amor Trinitário e os leva a saborear o próprio Deus como o mais belo da existência humana. Uma experiência de graça que os tornou enamorados de Deus em Jesus, a ponto da Jacinta exclamar: «Gosto tanto de dizer a Jesus que O amo. Quando Lho digo muitas vezes, parece que tenho um lume no peito, mas não me queimo». E o Francisco dizia: «Do que gostei mais foi de ver a Nosso Senhor, naquela luz que Nossa Senhora nos meteu no peito. Gosto tanto de Deus!» (Memórias da Irmã Lúcia, I, 40 e 127).

Irmãos, ao ouvir estes inocentes e profundos desabafos místicos dos Pastorinhos, poderia alguém olhar para eles com um pouco de inveja por terem visto ou com a desiludida resignação de quem não teve essa sorte mas insiste em ver. A tais pessoas, o Papa diz como Jesus: «Não andareis vós enganadas, ignorando as Escrituras e o poder de Deus?» (Mc 12, 24). As Escrituras convidam-nos a crer: «Felizes os que acreditam sem terem visto» (Jo 20, 29), mas Deus – mais íntimo a mim mesmo de quanto o seja eu próprio (cf. Santo Agostinho, Confissões, III, 6, 11) – tem o poder de chegar até nós nomeadamente através dos sentidos interiores, de modo que a alma recebe o toque suave de algo real que está para além do sensível, tornando-a capaz de alcançar o não-sensível, o não-visível aos sentidos. Para isso exige-se uma vigilância interior do coração que, na maior parte do tempo, não possuímos por causa da forte pressão das realidades externas e das imagens e preocupações que enchem a alma (cf. Card. Joseph Ratzinger, Comentário teológico da Mensagem de Fátima, ano 2000). Sim! Deus pode alcançar-nos, oferecendo-Se à nossa visão interior.

Mais ainda, aquela Luz no íntimo dos Pastorinhos, que provém do futuro de Deus, é a mesma que se manifestou na plenitude dos tempos e veio para todos: o Filho de Deus feito homem. Que Ele tem poder para incendiar os corações mais frios e tristes, vemo-lo nos discípulos de Emaús (cf. Lc 24, 32). Por isso a nossa esperança tem fundamento real, apoia-se num acontecimento que se coloca na história e ao mesmo tempo excede-a: é Jesus de Nazaré. E o entusiasmo que a sua sabedoria e poder salvífico suscitavam nas pessoas de então era tal que uma mulher do meio da multidão – como ouvimos no Evangelho – exclama: «Feliz Aquela que Te trouxe no seu ventre e Te amamentou ao seu peito». Contudo Jesus observou: «Mais felizes são os que ouvem a palavra de Deus e a põem em prática» (Lc 11, 27. 28). Mas quem tem tempo para escutar a sua palavra e deixar-se fascinar pelo seu amor? Quem vela, na noite da dúvida e da incerteza, com o coração acordado em oração? Quem espera a aurora do dia novo, tendo acesa a chama da fé? A fé em Deus abre ao homem o horizonte de uma esperança certa que não desilude; indica um sólido fundamento sobre o qual apoiar, sem medo, a própria vida; pede o abandono, cheio de confiança, nas mãos do Amor que sustenta o mundo.

«A linhagem do povo de Deus será conhecida […] como linhagem que o Senhor abençoou» (Is 61, 9) com uma esperança inabalável e que frutifica num amor que se sacrifica pelos outros, mas não sacrifica os outros; antes – como ouvimos na segunda leitura – «tudo desculpa, tudo acredita, tudo espera, tudo suporta» (1 Cor 13, 7). Exemplo e estímulo são os Pastorinhos, que fizeram da sua vida uma doação a Deus e uma partilha com os outros por amor de Deus. Nossa Senhora ajudou-os a abrir o coração à universalidade do amor. De modo particular, a beata Jacinta mostrava-se incansável na partilha com os pobres e no sacrifício pela conversão dos pecadores. Só com este amor de fraternidade e partilha construiremos a civilização do Amor e da Paz.

Iludir-se-ia quem pensasse que a missão profética de Fátima esteja concluída. Aqui revive aquele desígnio de Deus que interpela a humanidade desde os seus primórdios: «Onde está Abel, teu irmão? […] A voz do sangue do teu irmão clama da terra até Mim» (Gn 4, 9). O homem pôde despoletar um ciclo de morte e terror, mas não consegue interrompê-lo… Na Sagrada Escritura, é frequente aparecer Deus à procura de justos para salvar a cidade humana e o mesmo faz aqui, em Fátima, quando Nossa Senhora pergunta: «Quereis oferecer-vos a Deus para suportar todos os sofrimentos que Ele quiser enviar-vos, em acto de reparação pelos pecados com que Ele mesmo é ofendido e de súplica pela conversão dos pecadores?» (Memórias da Irmã Lúcia, I, 162).

Com a família humana pronta a sacrificar os seus laços mais sagrados no altar de mesquinhos egoísmos de nação, raça, ideologia, grupo, indivíduo, veio do Céu a nossa bendita Mãe oferecendo-Se para transplantar no coração de quantos se Lhe entregam o Amor de Deus que arde no seu. Então eram só três, cujo exemplo de vida irradiou e se multiplicou em grupos sem conta por toda a superfície da terra, nomeadamente à passagem da Virgem Peregrina, que se votaram à causa da solidariedade fraterna. Possam os sete anos que nos separam do centenário das Aparições apressar o anunciado triunfo do Coração Imaculado de Maria para glória da Santíssima Trindade.

quarta-feira, 12 de maio de 2010

Papa Bento XVI despede-se de Lisboa e chega a Fátima

Acompanhe aqui as atividades de Sua Santidade Bento XVI, hoje, 12 de Maio de 2010

Homilia nas Vésperas com Padres e Consagrados
Queridos irmãos e irmãs,

«Ao chegar a plenitude dos tempos, Deus enviou o seu Filho, nascido de uma mulher […] para nos tornar seus filhos adoptivos» (Gal 4, 4.5). A plenitude dos tempos chegou, quando o Eterno irrompeu no tempo; por obra e graça do Espírito Santo, o Filho do Altíssimo foi concebido e fez-Se homem no seio de uma mulher: a Virgem Mãe, tipo e modelo excelso da Igreja crente. Esta não cessa de gerar novos filhos no Filho, que o Pai quis primogénito de muitos irmãos. Cada um de nós é chamado a ser, com Maria e como Maria, um sinal humilde e simples da Igreja que continuamente se oferece como esposa nas mãos do seu Senhor.

 
Discurso na Benção das Velas em Fátima
Queridos peregrinos,
Todos juntos, com a vela acesa na mão, lembrais um mar de luz à volta desta singela capelinha, amorosamente erguida em honra da Mãe de Deus e nossa Mãe, cujo caminho da terra ao céu foi visto pelos pastorinhos como um rasto de luz. Contudo nem Ela nem nós gozamos de luz própria: recebemo-la de Jesus. A sua presença em nós renova o mistério e o apelo da sarça ardente, o mesmo que outrora atraiu Moisés no monte Sinai e não cessa de fascinar a quantos se dão conta duma luz particular em nós que arde sem nos consumir (cf. Ex 3, 2-5).

 
 
Oração na Capelinha das Aparições de Nossa Senhora de Fátima
Senhora Nossa
e Mãe de todos os homens e mulheres,
aqui estou como um filho
que vem visitar sua Mãe
e o faz na companhia
de uma multidão de irmãos e irmãs.
Como sucessor de Pedro,
a quem foi confiada a missão
de presidir ao serviço
da caridade na Igreja de Cristo
e de confirmar a todos na fé
e na esperança . . .


Ato de Entrega e Consagração dos Sacerdotes ao Coração de Maria
Mãe Imaculada,
neste lugar de graça,
convocados pelo amor do vosso Filho Jesus, Sumo e Eterno Sacerdote, nós,
filhos no Filho e seus sacerdotes,
consagramo-nos ao vosso Coração materno,
para cumprirmos fielmente a Vontade do Pai.


Entrega da Rosa de Ouro ao Santuário de Fátima
Bento XVI entregou esta Quarta-feira uma Rosa de Ouro ao Santuário de Fátima, tornando-se o primeiro Papa a fazê-lo pessoalmente em solo português.


Encontro com o mundo da cultura
Num encontro com representantes do pensamento, da ciência, da cultura e da arte em Portugal, o Papa mostrou a sua admiração pelo “sentido da vida e da história, de que fazia parte um universo ético e um «ideal» a cumprir por Portugal, que sempre procurou relacionar-se com o resto do mundo”.

terça-feira, 11 de maio de 2010

Papa Bento XVI está em Portugal: Homilia da Santa Missa em Lisboa

Queridos Irmãos e Irmãs,

Jovens amigos!

«Ide fazer discípulos de todas as nações, […] ensinai-lhes a cumprir tudo quanto vos mandei. E Eu estou sempre convosco, até ao fim dos tempos» (Mt 28, 20). Estas palavras de Cristo ressuscitado revestem-se de um significado particular nesta cidade de Lisboa, donde partiram em grande número gerações e gerações de cristãos – bispos, sacerdotes, consagrados e leigos, homens e mulheres, jovens e menos jovens –, obedecendo ao apelo do Senhor e armados simplesmente com esta certeza que lhes deixou: «Eu estou sempre convosco». Glorioso é o lugar conquistado por Portugal entre as nações pelo serviço prestado à dilatação da fé: nas cinco partes do mundo, há Igrejas locais que tiveram origem na missionação portuguesa.

Nos tempos passados, a vossa saída em demanda de outros povos não impediu nem destruiu os vínculos com o que éreis e acreditáveis, mas, com sabedoria cristã, pudestes transplantar experiências e particularidades abrindo-vos ao contributo dos outros para serdes vós próprios, em aparente debilidade que é força. Hoje, participando na edificação da Comunidade Europeia, levai o contributo da vossa identidade cultural e religiosa. De facto, Jesus Cristo, assim como Se uniu aos discípulos a caminho de Emaús, assim também caminha connosco segundo a sua promessa: «Estou sempre convosco, até ao fim dos tempos». Apesar de ser diferente da dos Apóstolos, temos também nós uma verdadeira e pessoal experiência da presença do Senhor ressuscitado. A distância dos séculos é superada e o Ressuscitado oferece-Se vivo e operante, por nós, no hoje da Igreja e do mundo. Esta é a nossa grande alegria. No rio vivo da Tradição eclesial, Cristo não está a dois mil anos de distância, mas está realmente presente entre nós e dá-nos a Verdade, dá-nos a luz que nos faz viver e encontrar a estrada para o futuro.

Presente na sua Palavra, na assembleia do Povo de Deus com os seus Pastores e, de modo eminente, no sacramento do seu Corpo e do seu Sangue, Jesus está connosco aqui. Saúdo o Senhor Cardeal-Patriarca de Lisboa, a quem agradeço as calorosas palavras que me dirigiu, no início da celebração, em nome da sua comunidade que me acolhe e que abraço nos seus quase dois milhões de filhos e filhas; a todos vós aqui presentes – amados Irmãos no episcopado e no sacerdócio, prezadas mulheres e homens consagrados e leigos comprometidos, queridas famílias e jovens, baptizados e catecúmenos – dirijo a minha saudação fraterna e amiga, que estendo a quantos estão unidos connosco através da rádio e da televisão. Sentidamente agradeço a presença do Senhor Presidente da República e demais Autoridades, com menção particular do Presidente da Câmara de Lisboa que teve a amabilidade de honrar-me com a entrega das chaves da cidade.

Lisboa amiga, porto e abrigo de tantas esperanças que te confiava quem partia e pretendia quem te visitava, gostava hoje de usar as chaves que me entregas para alicerçar as tuas esperanças humanas na Esperança divina. Na leitura há pouco proclamada da Epístola de São Pedro, ouvimos dizer: «Eu vou pôr em Sião uma pedra angular, escolhida e preciosa. E quem nela acreditar não será confundido». E o Apóstolo explica: «Aproximai-vos do Senhor. Ele é a pedra viva, rejeitada, é certo, pelos homens, mas aos olhos de Deus escolhida e preciosa» (1 Pd 2, 6.4). Irmãos e irmãs, quem acreditar em Jesus não será confundido: é Palavra de Deus, que não Se engana nem pode enganar. Palavra confirmada por uma «multidão que ninguém pode contar e provém de todas as nações, tribos, povos e línguas», e que o autor do Apocalipse viu vestida de «túnicas brancas e com palmas na mão» (Ap 7, 9). Nesta multidão incontável, não estão apenas os Santos Veríssimo, Máxima e Júlia, aqui martirizados na perseguição de Diocleciano, ou São Vicente, diácono e mártir, padroeiro principal do Patriarcado; Santo António e São João de Brito que daqui partiram para semear a boa semente de Deus noutras terras e gentes, ou São Nuno de Santa Maria que, há pouco mais de um ano, inscrevi no livro dos Santos. Mas é formada pelos «servos do nosso Deus» de todos os tempos e lugares, em cuja fronte foi traçado o sinal da cruz com «o sinete de marcar do Deus vivo» (Ap 7, 2): o Espírito Santo. Trata-se do rito inicial cumprido sobre cada um de nós no sacramento do Baptismo, pelo qual a Igreja dá à luz os «santos».

Sabemos que não lhe faltam filhos insubmissos e até rebeldes, mas é nos Santos que a Igreja reconhece os seus traços característicos e, precisamente neles, saboreia a sua alegria mais profunda. Irmana-os, a todos, a vontade de encarnar na sua existência o Evangelho, sob o impulso do eterno animador do Povo de Deus que é o Espírito Santo. Fixando os seus Santos, esta Igreja local concluiu justamente que a prioridade pastoral hoje é fazer de cada mulher e homem cristão uma presença irradiante da perspectiva evangélica no meio do mundo, na família, na cultura, na economia, na política. Muitas vezes preocupamo-nos afanosamente com as consequências sociais, culturais e políticas da fé, dando por suposto que a fé existe, o que é cada vez menos realista. Colocou-se uma confiança talvez excessiva nas estruturas e nos programas eclesiais, na distribuição de poderes e funções; mas que acontece se o sal se tornar insípido?

Para isso é preciso voltar a anunciar com vigor e alegria o acontecimento da morte e ressurreição de Cristo, coração do cristianismo, fulcro e sustentáculo da nossa fé, alavanca poderosa das nossas certezas, vento impetuoso que varre qualquer medo e indecisão, qualquer dúvida e cálculo humano. A ressurreição de Cristo assegura-nos que nenhuma força adversa poderá jamais destruir a Igreja. Portanto a nossa fé tem fundamento, mas é preciso que esta fé se torne vida em cada um de nós. Assim há um vasto esforço capilar a fazer para que cada cristão se transforme em testemunha capaz de dar conta a todos e sempre da esperança que o anima (cf. 1 Pd 3, 15): só Cristo pode satisfazer plenamente os anseios profundos de cada coração humano e responder às suas questões mais inquietantes acerca do sofrimento, da injustiça e do mal, sobre a morte e a vida do Além.

Queridos Irmãos e jovens amigos, Cristo está sempre connosco e caminha sempre com a sua Igreja, acompanha-a e guarda-a, como Ele nos disse: «Eu estou sempre convosco, até ao fim dos tempos» (Mt 28, 20). Nunca duvideis da sua presença! Procurai sempre o Senhor Jesus, crescei na amizade com Ele, comungai-O. Aprendei a ouvir e a conhecer a sua palavra e também a reconhecê-Lo nos pobres. Vivei a vossa vida com alegria e entusiasmo, certos da sua presença e da sua amizade gratuita, generosa, fiel até à morte de cruz. Testemunhai a alegria desta sua presença forte e suave a todos, a começar pelos da vossa idade. Dizei-lhes que é belo ser amigo de Jesus e que vale a pena segui-Lo. Com o vosso entusiasmo, mostrai que, entre tantos modos de viver que hoje o mundo parece oferecer-nos – todos aparentemente do mesmo nível –, só seguindo Jesus é que se encontra o verdadeiro sentido da vida e, consequentemente, a alegria verdadeira e duradoura.

Buscai diariamente a protecção de Maria, a Mãe do Senhor e espelho de toda a santidade. Ela, a Toda Santa, ajudar-vos-á a ser fiéis discípulos do seu Filho Jesus Cristo.


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