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quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012

Campanha da Fraternidade 2012

Apresentação: O cartaz da CF 2012


O cartaz atualiza o encontro do Bom Samaritano com o doente que necessita de cuidado (Lc 10,29-37). A mão do profissional da saúde, segurando as mãos da pessoa doente, afasta a cultura da morte e visibiliza a acolhida entre irmãos (o próximo). A Igreja como mãe, em sua samaritanidade, aproxima-se e cuida dos doentes, dos fracos, dos feridos, de todos que se encontram à margem do caminho.

O profissional de pé, o enfermo sentado, olhos nos olhos, lembram o compromisso e a dedicação do profissional da saúde, no processo de cura do paciente, e a confiança do doente naquele que o acolhe e cuida. A acolhida e o cuidado aliviam a dor, estabelecem uma relação de confiança decisiva para a cura e superação das barreiras sociais.

A cruz, que sustenta e ilumina o sentido do cartaz, recorda a salvação que Jesus Cristo nos conquistou. Ela ilumina a vida humana, a morte, as dores, o sofrimento das pessoas sem assistência de saúde. No entanto, é ela também que ilumina o encontro entre o profissional da saúde e o doente, pois aponta para a esperança da transformação completa: um novo céu e uma nova terra.

A alegria do encontro retratado no cartaz recorda aos profissionais da saúde que foram escolhidos para atualizarem a atitude do Bom Samaritano em relação aos enfermos. Mobiliza os gestores do sistema de saúde a se empenharem para possibilitar atendimento digno e saúde para todos. Que a saúde se difunda sobre a terra.

Quarta-feira de Cinzas na Catedral de Santana em Mogi das Cruzes

Homilia do Papa Bento XVI na Santa Missa da Quarta-feira de Cinzas - 22/02/12

HOMILIA DO PAPA BENTO XVI
Santa Missa da Quarta-feira de Cinzas
Basílica de Santa Sabina - Roma, Itália
Quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012

Venerados Irmãos,
Caros irmãos e irmãs!

Com este dia de penitência e de jejum – a Quarta-feira de Cinzas – iniciamos um novo caminho rumo à Páscoa da Ressurreição: o caminho da Quaresma. Gostaria de me deter brevemente a refletir sobre o sinal litúrgico das cinzas, um sinal material, um elemento da natureza, que na Liturgia se torna um símbolo sagrado, muito importante neste dia que dá início ao itinerário quaresmal. Antigamente, na cultura judaica, era comum o uso de colocar cinzas na cabeça como sinal de penitência, gesto comumente acompanhado do vestir-se com saco ou com farrapos. Para nós cristãos, ao invés, existe este momento único, que tem, ademais, uma notável relevância ritual e espiritual.

Em primeiro lugar, a cinza é um daqueles sinais materiais que levam o cosmo para dentro da Liturgia. Os sinais materiais principais são, evidentemente, os dos Sacramentos: a água, o óleo, o pão e o vinho, que se tornam verdadeira matéria sacramental, instrumento mediante o qual se comunica a graça de Cristo que nos alcança. No caso da cinza trata-se, ao invés, de um sinal não sacramental, mas, mesmo assim, ligado à oração e à santificação do Povo cristão: de fato, é prevista, antes da imposição sobre a cabeça, uma bênção específica das cinzas – que faremos daqui a pouco –, com duas fórmulas possíveis. Na primeira elas são definidas <>; na segunda se invoca diretamente sobre elas a bênção e se faz referência ao texto do Livro do Gênesis, que pode inclusive acompanhar o gesto da imposição: <> (Gen 3,19).

Detenhamo-nos por um momento sobre essa passagem do Gênesis. Ela conclui o juízo pronunciado por Deus após o pecado original: Deus amaldiçoa a serpente, que fez cair no pecado o homem e a mulher; depois pune a mulher anunciando-lhe as dores do parto e uma relação desigual com o marido; por fim, pune o homem, anuncia-lhe a fadiga no trabalhar e amaldiçoa o solo. <> (Gen 3,17), por causa do teu pecado. Portanto, o homem e a mulher não são amaldiçoados diretamente como o é, ao invés, a serpente, mas, por causa do pecado de Adão, é amaldiçoada a terra, da qual ele havia sido extraído. Relemos a magnífica narração da criação do homem feito da terra: <> (Gen 2,7-8).

Eis, portanto, que o sinal da cinza nos reconduz ao grande afresco da criação, em que se diz que o ser humano é uma singular unidade de matéria e de sopro divino, mediante a imagem do pó da terra plasmada por Deus e animada por seu sopro insuflado nas narinas da nova criatura. Podemos observar como na narração do Gênesis o símbolo do pó sofre uma transformação negativa por causa do pecado. Enquanto antes da queda a terra é uma potencialidade totalmente boa, irrigada por um vapor de água (Gen 2,6) e capaz, pela obra de Deus, de germinar <> (Gen 2,9), após a queda e a consequente maldição divina ela produzirá <> e somente com <> e <> concederá ao homem os seus frutos (cfr Gen 3,17-18). O pó da terra não mais evoca o gesto criador de Deus, totalmente aberto à vida, mas se torna sinal de um inexorável destino de morte: <<És pó, e em pó te hás de tornar>> (Gen 3,19).

É evidente no texto bíblico que a terra participa da sorte do homem. A propósito, diz São João Crisóstomo numa sua homilia: <> (Homilias sobre o Gênesis 17, 9: PG 53, 146). Essa maldição do solo tem uma função medicinal para o homem, que das "resistências" da terra deveria ser ajudado a ater-se em seus limites e reconhecer a própria natureza (cfr ibid.). Assim, com uma bela síntese, se expressa outro antigo comentário: <> (Pseudo-Macário, Homilias 11,5: PG 34, 547)

Dizíamos pouco antes, citando Crisóstomo, que a maldição do solo tem uma função "medicinal". Isso significa que a intenção de Deus, que é sempre benéfica, é mais profunda do que a sua própria maldição. De fato, ela se deve ao pecado e não a Deus, porém Deus não pode deixar de infligi-la, porque respeita a liberdade do homem e as suas consequências, mesmo negativas. Portanto, dentro da punição, e também dentro da maldição do solo, permanece uma intenção boa que vem de Deus. Quando Ele diz ao homem: "Tu és pó e pó voltarás a ser!", junto com a justa punição pretende também anunciar um caminho de salvação, que passará justamente mediante a terra, mediante aquele "pó", aquela "carne" que será assumida pelo Verbo. É nessa perspectiva salvífica que a palavra do Gênesis é retomada pela Liturgia da Quarta-feira de cinzas: como convite à penitência, à humildade, a dar-se conta da própria condição mortal, mas não para cair no desespero, mas para acolher, justamente nessa nossa mortalidade, a impensável proximidade de Deus, que, para além da morte, abre a passagem para a ressurreição, para o paraíso finalmente reencontrado. Nesse sentido orienta-nos um texto de Orígenes, que diz: <> (Sobre os Princípios 3, 6, 5: Sch, 268, 248).

Os <>, de que fala Orígenes, são necessários; mas fundamentais são os méritos de Cristo, a eficácia do seu Mistério pascal. São Paulo ofereceu-nos uma formulação sintética na segunda Leitura: <> (2 Cor 5,21). A possibilidade para nós do perdão divino depende essencialmente do fato que Deus mesmo, na pessoa de seu Filho, quis partilhar a nossa condição, mas não a corrupção do pecado. E o Pai o ressuscitou com o poder do seu Espírito Santo e Jesus, o novo Adão, tornou-se <> (1 Cor 15,45), as primícias da nova criação. O mesmo Espírito que ressuscitou Jesus dos mortos pode transformar os nossos corações de pedra em corações de carne (cfr Ez 36,26). E o invocamos há pouco com o Salmo Miserere: <> (Sal 50,12-13). Aquele Deus que saciou os progenitores do Éden, mandou o seu Filho à nossa terra devastada pelo pecado, não o poupou, a fim de que nós, filhos pródigos, possamos retornar, arrependidos e redimidos pela sua misericórdia, à nossa verdadeira pátria. Assim seja, para cada um de nós, para todos os fiéis, para todo homem que humildemente se reconhece necessitado de salvação. Amém.

BENEDICTUS PP XVI

Mensagem do Papa Bento XVI por ocasião da Campanha da Fraternidade 2012

Ao Venerado Irmão
CARDEAL RAYMUNDO DAMASCENO ASSIS
Arcebispo de Aparecida (SP) e Presidente da CNBB

Fraternas saudações em Cristo Senhor!

De bom grado me associo à Conferência Nacional dos Bispos do Brasil que lança uma nova Campanha da Fraternidade, sob o lema "que a saúde se difunda sobre a terra" (cf. Eclo 38,8), com o objetivo de suscitar, a partir de uma reflexão sobre a realidade da saúde no Brasil, um maior espírito fraterno e comunitário na atenção dos enfermos e levar a sociedade a garantir a mais pessoas o direito de ter acesso aos meios necessários para uma vida saudável.

Para os cristãos, de modo particular, o lema bíblico é uma lembrança de que a saúde vai muito além de um simples bem estar corporal. No episódio da cura de um paralítico (cf. Mt 9, 2-8), Jesus, antes de fazer com que esse voltasse a andar, perdoa-lhe os pecados, ensinando que a cura perfeita é o perdão dos pecados, e a saúde por excelência é a da alma, pois «que adianta ao homem ganhar o mundo inteiro, mas perder a sua alma?» (Mt 16,26). Com efeito, as palavras saúde e salvação têm origem no mesmo termo latino salus e não por outra razão, nos Evangelhos, vemos a ação do Salvador da humanidade associada a diversas curas: «Jesus andava por toda a Galiléia, ensinando em suas sinagogas, pregando o Evangelho do Reino e curando todo o tipo de doença e enfermidades do povo» (Mt 4,23).

Com o seu exemplo diante dos olhos, segundo o verdadeiro espírito quaresmal, possa esta Campanha inspirar no coração dos fiéis e das pessoas de boa vontade uma solidariedade cada vez mais profunda para com os enfermos, tantas vezes sofrendo mais pela solidão e abandono do que pela doença, lembrando que o próprio Jesus quis Se identificar com eles: «pois Eu estava doente e cuidastes de Mim» (Mt 25,36). Ajudando-lhes ao mesmo tempo a descobrir que se, por um lado, a doença é prova dolorosa, por outro, pode ser, na união com Cristo crucificado e ressuscitado, uma participação no mistério do sofrimento d’Ele para a salvação do mundo. Pois, «oferecendo o nosso sofrimento a Deus por meio de Cristo, nós podemos colaborar na vitória do bem sobre o mal, porque Deus torna fecunda a nossa oferta, o nosso ato de amor» (Bento XVI, Discurso aos enfermos de Turim, 2/V/2010).

Associando-me, pois, a esta iniciativa da CNBB e fazendo minhas as alegrias e as esperanças, as tristezas e as angústias de cada um, saúdo fraternalmente quantos tomam parte, física ou espiritualmente, na Campanha «Fraternidade e Saúde Pública», invocando – pela intercessão de Nossa Senhora Aparecida – para todos, mas de modo especial para os doentes, o conforto e a fortaleza de Deus no cumprimento do dever de estado, individual, familiar e social, fonte de saúde e progresso do Brasil, tornando-se fértil na santidade, próspero na economia, justo na participação das riquezas, alegre no serviço público, equânime no poder e fraterno no desenvolvimento. E, para confirmar-lhes nestes bons propósitos, envio uma propiciadora Bênção Apostólica.

Vaticano, 11 de fevereiro de 2012

BENEDICTUS PP. XVI


fonte: Santa Sé

terça-feira, 21 de fevereiro de 2012

Mensagem do Papa Bento XVI para a Quaresma 2012

MENSAGEM DE SUA SANTIDADE
PAPA BENTO XVI
PARA A QUARESMA DE 2012

«Prestemos atenção uns aos outros, para nos estimularmos
ao amor e às boas obras» (Hb 10, 24)

Irmãos e irmãs!

A Quaresma oferece-nos a oportunidade de reflectir mais uma vez sobre o cerne da vida cristã: o amor. Com efeito este é um tempo propício para renovarmos, com a ajuda da Palavra de Deus e dos Sacramentos, o nosso caminho pessoal e comunitário de fé. Trata-se de um percurso marcado pela oração e a partilha, pelo silêncio e o jejum, com a esperança de viver a alegria pascal.

Desejo, este ano, propor alguns pensamentos inspirados num breve texto bíblico tirado da Carta aos Hebreus: «Prestemos atenção uns aos outros, para nos estimularmos ao amor e às boas obras» (10, 24). Esta frase aparece inserida numa passagem onde o escritor sagrado exorta a ter confiança em Jesus Cristo como Sumo Sacerdote, que nos obteve o perdão e o acesso a Deus. O fruto do acolhimento de Cristo é uma vida edificada segundo as três virtudes teologais: trata-se de nos aproximarmos do Senhor «com um coração sincero, com a plena segurança da fé» (v. 22), de conservarmos firmemente «a profissão da nossa esperança» (v. 23), numa solicitude constante por praticar, juntamente com os irmãos, «o amor e as boas obras» (v. 24). Na passagem em questão afirma-se também que é importante, para apoiar esta conduta evangélica, participar nos encontros litúrgicos e na oração da comunidade, com os olhos fixos na meta escatológica: a plena comunhão em Deus (v. 25). Detenho-me no versículo 24, que, em poucas palavras, oferece um ensinamento precioso e sempre actual sobre três aspectos da vida cristã: prestar atenção ao outro, a reciprocidade e a santidade pessoal.

1. «Prestemos atenção»: a responsabilidade pelo irmão.

O primeiro elemento é o convite a «prestar atenção»: o verbo grego usado é katanoein, que significa observar bem, estar atento, olhar conscienciosamente, dar-se conta de uma realidade. Encontramo-lo no Evangelho, quando Jesus convida os discípulos a «observar» as aves do céu, que não se preocupam com o alimento e todavia são objecto de solícita e cuidadosa Providência divina (cf. Lc 12, 24), e a «dar-se conta» da trave que têm na própria vista antes de reparar no argueiro que está na vista do irmão (cf. Lc 6, 41). Encontramos o referido verbo também noutro trecho da mesma Carta aos Hebreus, quando convida a «considerar Jesus» (3, 1) como o Apóstolo e o Sumo Sacerdote da nossa fé. Por conseguinte o verbo, que aparece na abertura da nossa exortação, convida a fixar o olhar no outro, a começar por Jesus, e a estar atentos uns aos outros, a não se mostrar alheio e indiferente ao destino dos irmãos. Mas, com frequência, prevalece a atitude contrária: a indiferença, o desinteresse, que nascem do egoísmo, mascarado por uma aparência de respeito pela «esfera privada». Também hoje ressoa, com vigor, a voz do Senhor que chama cada um de nós a cuidar do outro. Também hoje Deus nos pede para sermos o «guarda» dos nossos irmãos (cf. Gn 4, 9), para estabelecermos relações caracterizadas por recíproca solicitude, pela atenção ao bem do outro e a todo o seu bem. O grande mandamento do amor ao próximo exige e incita a consciência a sentir-se responsável por quem, como eu, é criatura e filho de Deus: o facto de sermos irmãos em humanidade e, em muitos casos, também na fé deve levar-nos a ver no outro um verdadeiro alter ego, infinitamente amado pelo Senhor. Se cultivarmos este olhar de fraternidade, brotarão naturalmente do nosso coração a solidariedade, a justiça, bem como a misericórdia e a compaixão. O Servo de Deus Paulo VI afirmava que o mundo actual sofre sobretudo de falta de fraternidade: «O mundo está doente. O seu mal reside mais na crise de fraternidade entre os homens e entre os povos, do que na esterilização ou no monopólio, que alguns fazem, dos recursos do universo» (Carta Encíclica Populorum progressio, 66).

A atenção ao outro inclui que se deseje, para ele ou para ela, o bem sob todos os seus aspectos: físico, moral e espiritual. Parece que a cultura contemporânea perdeu o sentido do bem e do mal, sendo necessário reafirmar com vigor que o bem existe e vence, porque Deus é «bom e faz o bem» (Sal 119/118, 68). O bem é aquilo que suscita, protege e promove a vida, a fraternidade e a comunhão. Assim a responsabilidade pelo próximo significa querer e favorecer o bem do outro, desejando que também ele se abra à lógica do bem; interessar-se pelo irmão quer dizer abrir os olhos às suas necessidades. A Sagrada Escritura adverte contra o perigo de ter o coração endurecido por uma espécie de «anestesia espiritual», que nos torna cegos aos sofrimentos alheios. O evangelista Lucas narra duas parábolas de Jesus, nas quais são indicados dois exemplos desta situação que se pode criar no coração do homem. Na parábola do bom Samaritano, o sacerdote e o levita, com indiferença, «passam ao largo» do homem assaltado e espancado pelos salteadores (cf. Lc 10, 30-32), e, na do rico avarento, um homem saciado de bens não se dá conta da condição do pobre Lázaro que morre de fome à sua porta (cf. Lc 16, 19). Em ambos os casos, deparamo-nos com o contrário de «prestar atenção», de olhar com amor e compaixão. O que é que impede este olhar feito de humanidade e de carinho pelo irmão? Com frequência, é a riqueza material e a saciedade, mas pode ser também o antepor a tudo os nossos interesses e preocupações próprias. Sempre devemos ser capazes de «ter misericórdia» por quem sofre; o nosso coração nunca deve estar tão absorvido pelas nossas coisas e problemas que fique surdo ao brado do pobre. Diversamente, a humildade de coração e a experiência pessoal do sofrimento podem, precisamente, revelar-se fonte de um despertar interior para a compaixão e a empatia: «O justo conhece a causa dos pobres, porém o ímpio não o compreende» (Prov 29, 7). Deste modo entende-se a bem-aventurança «dos que choram» (Mt 5, 4), isto é, de quantos são capazes de sair de si mesmos porque se comoveram com o sofrimento alheio. O encontro com o outro e a abertura do coração às suas necessidades são ocasião de salvação e de bem-aventurança.

O facto de «prestar atenção» ao irmão inclui, igualmente, a solicitude pelo seu bem espiritual. E aqui desejo recordar um aspecto da vida cristã que me parece esquecido: a correção fraterna, tendo em vista a salvação eterna. De forma geral, hoje é-se muito sensível ao tema do cuidado e do amor que visa o bem físico e material dos outros, mas quase não se fala da responsabilidade espiritual pelos irmãos. Na Igreja dos primeiros tempos não era assim, como não o é nas comunidades verdadeiramente maduras na fé, nas quais se tem a peito não só a saúde corporal do irmão, mas também a da sua alma tendo em vista o seu destino derradeiro. Lemos na Sagrada Escritura: «Repreende o sábio e ele te amará. Dá conselhos ao sábio e ele tornar-se-á ainda mais sábio, ensina o justo e ele aumentará o seu saber» (Prov 9, 8-9). O próprio Cristo manda repreender o irmão que cometeu um pecado (cf. Mt 18, 15). O verbo usado para exprimir a correcção fraterna – elenchein – é o mesmo que indica a missão profética, própria dos cristãos, de denunciar uma geração que se faz condescendente com o mal (cf. Ef 5, 11). A tradição da Igreja enumera entre as obras espirituais de misericórdia a de «corrigir os que erram». É importante recuperar esta dimensão do amor cristão. Não devemos ficar calados diante do mal. Penso aqui na atitude daqueles cristãos que preferem, por respeito humano ou mera comodidade, adequar-se à mentalidade comum em vez de alertar os próprios irmãos contra modos de pensar e agir que contradizem a verdade e não seguem o caminho do bem. Entretanto a advertência cristã nunca há-de ser animada por espírito de condenação ou censura; é sempre movida pelo amor e a misericórdia e brota duma verdadeira solicitude pelo bem do irmão. Diz o apóstolo Paulo: «Se porventura um homem for surpreendido nalguma falta, vós, que sois espirituais, corrigi essa pessoa com espírito de mansidão, e tu olha para ti próprio, não estejas também tu a ser tentado» (Gl 6, 1). Neste nosso mundo impregnado de individualismo, é necessário redescobrir a importância da correcção fraterna, para caminharmos juntos para a santidade. É que «sete vezes cai o justo» (Prov 24, 16) – diz a Escritura –, e todos nós somos frágeis e imperfeitos (cf. 1 Jo 1, 8). Por isso, é um grande serviço ajudar, e deixar-se ajudar, a ler com verdade dentro de si mesmo, para melhorar a própria vida e seguir mais rectamente o caminho do Senhor. Há sempre necessidade de um olhar que ama e corrige, que conhece e reconhece, que discerne e perdoa (cf. Lc 22, 61), como fez, e faz, Deus com cada um de nós.

2. «Uns aos outros»: o dom da reciprocidade.

O facto de sermos o «guarda» dos outros contrasta com uma mentalidade que, reduzindo a vida unicamente à dimensão terrena, deixa de a considerar na sua perspectiva escatológica e aceita qualquer opção moral em nome da liberdade individual. Uma sociedade como a actual pode tornar-se surda quer aos sofrimentos físicos, quer às exigências espirituais e morais da vida. Não deve ser assim na comunidade cristã! O apóstolo Paulo convida a procurar o que «leva à paz e à edificação mútua» (Rm 14, 19), favorecendo o «próximo no bem, em ordem à construção da comunidade» (Rm 15, 2), sem buscar «o próprio interesse, mas o do maior número, a fim de que eles sejam salvos» (1 Cor 10, 33). Esta recíproca correcção e exortação, em espírito de humildade e de amor, deve fazer parte da vida da comunidade cristã.

Os discípulos do Senhor, unidos a Cristo através da Eucaristia, vivem numa comunhão que os liga uns aos outros como membros de um só corpo. Isto significa que o outro me pertence: a sua vida, a sua salvação têm a ver com a minha vida e a minha salvação. Tocamos aqui um elemento muito profundo da comunhão: a nossa existência está ligada com a dos outros, quer no bem quer no mal; tanto o pecado como as obras de amor possuem também uma dimensão social. Na Igreja, corpo místico de Cristo, verifica-se esta reciprocidade: a comunidade não cessa de fazer penitência e implorar perdão para os pecados dos seus filhos, mas alegra-se contínua e jubilosamente também com os testemunhos de virtude e de amor que nela se manifestam. Que «os membros tenham a mesma solicitude uns para com os outros» (1 Cor 12, 25) – afirma São Paulo –, porque somos um e o mesmo corpo. O amor pelos irmãos, do qual é expressão a esmola – típica prática quaresmal, juntamente com a oração e o jejum – radica-se nesta pertença comum. Também com a preocupação concreta pelos mais pobres, pode cada cristão expressar a sua participação no único corpo que é a Igreja. E é também atenção aos outros na reciprocidade saber reconhecer o bem que o Senhor faz neles e agradecer com eles pelos prodígios da graça que Deus, bom e omnipotente, continua a realizar nos seus filhos. Quando um cristão vislumbra no outro a acção do Espírito Santo, não pode deixar de se alegrar e dar glória ao Pai celeste (cf. Mt 5, 16).

3. «Para nos estimularmos ao amor e às boas obras»: caminhar juntos na santidade.

Esta afirmação da Carta aos Hebreus (10, 24) impele-nos a considerar a vocação universal à santidade como o caminho constante na vida espiritual, a aspirar aos carismas mais elevados e a um amor cada vez mais alto e fecundo (cf. 1 Cor 12, 31 – 13, 13). A atenção recíproca tem como finalidade estimular-se, mutuamente, a um amor efectivo sempre maior, «como a luz da aurora, que cresce até ao romper do dia» (Prov 4, 18), à espera de viver o dia sem ocaso em Deus. O tempo, que nos é concedido na nossa vida, é precioso para descobrir e realizar as boas obras, no amor de Deus. Assim a própria Igreja cresce e se desenvolve para chegar à plena maturidade de Cristo (cf. Ef 4, 13). É nesta perspectiva dinâmica de crescimento que se situa a nossa exortação a estimular-nos reciprocamente para chegar à plenitude do amor e das boas obras.

Infelizmente, está sempre presente a tentação da tibieza, de sufocar o Espírito, da recusa de «pôr a render os talentos» que nos foram dados para bem nosso e dos outros (cf. Mt 25, 24-28). Todos recebemos riquezas espirituais ou materiais úteis para a realização do plano divino, para o bem da Igreja e para a nossa salvação pessoal (cf. Lc 12, 21; 1 Tm 6, 18). Os mestres espirituais lembram que, na vida de fé, quem não avança, recua. Queridos irmãos e irmãs, acolhamos o convite, sempre actual, para tendermos à «medida alta da vida cristã» (João Paulo II, Carta Apostólica Novo millennio ineunte, 31). A Igreja, na sua sabedoria, ao reconhecer e proclamar a bem-aventurança e a santidade de alguns cristãos exemplares, tem como finalidade também suscitar o desejo de imitar as suas virtudes. São Paulo exorta: «Adiantai-vos uns aos outros na mútua estima» (Rm 12, 10).

Que todos, à vista de um mundo que exige dos cristãos um renovado testemunho de amor e fidelidade ao Senhor, sintam a urgência de esforçar-se por adiantar no amor, no serviço e nas obras boas (cf. Heb 6, 10). Este apelo ressoa particularmente forte neste tempo santo de preparação para a Páscoa. Com votos de uma Quaresma santa e fecunda, confio-vos à intercessão da Bem-aventurada Virgem Maria e, de coração, concedo a todos a Bênção Apostólica.

Vaticano, 3 de Novembro de 2011

BENEDICTUS PP XVI

fonte: Santa Sé

Saudação da Presidência do Regional Sul 1 da CNBB a Dom Airton José dos Santos

Saudação da Presidência do Regional Sul 1 da CNBB ao novo arcebispo
nomeado para Arquidiocese de Campinas

A Presidência do Regional Sul 1, da CNBB, em nome de todos os Bispos do Regional se alegra com a nomeação de Dom Airton José dos Santos como 5º Arcebispo de Campinas e saúda-o fraternalmente.

Dom Airton, tem realizado um reconhecido e extraordinário serviço junto à Diocese de Mogi das Cruzes, além de ter colaborado com o nosso Regional como Secretário Geral (2003 até 2011).

Atualmente, preside a Comissão Episcopal Pastoral para a Liturgia e presidente da sub-região Pastoral SP. Junto à Conferência Nacional é membro da Comissão Episcopal para os Tribunais Eclesiásticos de Segunda Instância.

Ao expressar nossa alegria, queremos garantir a Dom Airton e à Igreja de Campinas nossa proximidade fraterna e nossas orações.

São Paulo, 16 de fevereiro de 2012.

Cardeal Dom Odilo Pedro Scherer
Arcebispo de São Paulo
Presidente do Regional Sul 1

Dom Moacir Silva
Bispo de São José dos Campos
Vice-Presidente do Regional Sul 1

Dom Tarcísio Scaramussa, SDB
Bispo Auxiliar de São Paulo
Secretário Geral

fonte: CNBB Sul 1

Mensagem do Presidente da sub-região Campinas à Dom Airton José dos Santos


Com alegria no coração recebi, na manhã desta quarta-feira, 15 de fevereiro de 2012, a mensagem do Papa Bento XVI que trouxe até nós a nomeação de Dom Airton José dos Santos, até o momento presente, Bispo de Mogi das Cruzes, e a partir deste dia, exercer seu ministério episcopal nesta província, como Arcebispo de Campinas/SP.

Em nome da Diocese de Limeira e da Sub-região Pastoral Campinas, saúdo meu irmão no episcopado Dom Airton José dos Santos, expressando meu contentamento e desejando-lhe um trabalho cheio de bênçãos.

Sei do seu empenho nesta caminhada evangelizadora e destaco seu incansável carinho e atenção que sempre teve com seu rebanho e que, tenho certeza, o seguirá nesta Arquidiocese.

Saiba que estaremos ao seu lado, orando e pedindo as bênçãos de Deus nesta sua nova missão. Desde já envio meu desejo de felicidades e que o senhor seja bem-vindo entre nós.

“Cristo é a nossa Paz”!

Dom Vilson Dias de Oliveira, DC
Bispo Diocesano de Limeira e
Presidente da Sub-região Campinas

fonte: CNBB Sul 1

domingo, 19 de fevereiro de 2012

Homilia do Papa Bento XVI na concelebração eucarística com os novos Cardeais - 19/02/2012

CONSISTÓRIO ORDINÁRIO PÚBLICO
PARA A CRIAÇÃO DE NOVOS CARDEAIS

CONCELEBRAÇÃO EUCARÍSTICA COM OS NOVOS CARDEAIS
HOMILIA DO PAPA BENTO XVI
Basílica Vaticana
Domingo, 19 de fevereiro de 2012

Senhores Cardeais,
Venerados Irmãos no episcopado e no sacerdócio,
Amados Irmãos e Irmãs!

Na solenidade da Cátedra de São Pedro Apóstolo, temos a alegria de nos reunir à volta do altar do Senhor, juntamente com os novos Cardeais que ontem agreguei ao Colégio Cardinalício. Para eles, em primeiro lugar, vai a minha cordial saudação, agradecendo ao Cardeal Fernando Filoni as amáveis palavras que me dirigiu em nome de todos. Estendo a minha saudação aos outros Purpurados e a todos os Bispos presentes, como também às ilustres Autoridades, aos senhores Embaixadores, aos sacerdotes, aos religiosos e a todos os fiéis, vindos de várias partes do mundo para esta feliz ocasião, que se reveste de um carácter especial de universalidade.

Na segunda leitura, há pouco proclamada, o apóstolo Pedro exorta os «presbíteros» da Igreja a serem pastores zelosos e solícitos do rebanho de Cristo (cf. 1 Ped 5, 1-2). Estas palavras são dirigidas antes de mais nada a vós, amados e venerados Irmãos, que sois reconhecidos no meio do Povo de Deus pelos vossos méritos na obra generosa e sábia do ministério pastoral em dioceses relevantes, ou na direcção dos dicastérios da Cúria Romana, ou ainda no serviço eclesial do estudo e do ensino. A nova dignidade que vos foi conferida pretende manifestar o apreço pelo vosso trabalho fiel na vinha do Senhor, homenagear as comunidades e nações donde provindes e de que sois dignos representantes na Igreja, investir-vos de novas e mais importantes responsabilidades eclesiais e, enfim, pedir-vos um suplemento de disponibilidade para Cristo e para a comunidade cristã inteira. Esta disponibilidade para o serviço do Evangelho está fundada firmemente na certeza da fé. De facto, sabemos que Deus é fiel às suas promessas e aguardamos, na esperança, a realização destas palavras do apóstolo Pedro: «E, quando o supremo Pastor Se manifestar, então recebereis a coroa imperecível da glória» (1 Ped 5, 4).

O texto evangélico de hoje apresenta Pedro que, movido por uma inspiração divina, exprime firmemente a sua fé em Jesus, o Filho de Deus e o Messias prometido. Respondendo a esta profissão clara de fé, que Pedro faz também em nome dos outros Apóstolos, Cristo revela-lhe a missão que pensa confiar-lhe: ser a «pedra», a «rocha», o alicerce visível sobre o qual será construído todo o edifício espiritual da Igreja (cf. Mt 16, 16-19). Esta denominação de «rocha-pedra» não alude ao carácter da pessoa, mas só é compreensível a partir dum aspecto mais profundo, a partir do mistério: através do encargo que Jesus lhe confere, Simão Pedro tornar-se-á aquilo que ele não é mediante «a carne e o sangue». O exegeta Joachim Jeremias mostrou que aqui está presente, como cenário de fundo, a linguagem simbólica da «rocha santa». A propósito, pode ajudar-nos um texto rabínico onde se afirma: «O Senhor disse: “Como posso criar o mundo, sabendo que hão-de surgir estes sem-Deus que se revoltarão contra Mim?” Mas, quando Deus viu que devia nascer Abraão, disse: “Vê! Encontrei uma rocha, sobre a qual posso construir e assentar o mundo”. Por isso, Ele chamou Abraão uma rocha». O profeta Isaías alude a isto mesmo, quando recorda ao povo: «Considerai a rocha de que fostes talhados (…). Olhai para Abraão, vosso pai» (51, 1-2). Pela sua fé, Abraão, o pai dos crentes, é visto como a rocha que sustenta a criação. Simão, o primeiro que confessou Jesus como o Cristo e também a primeira testemunha da ressurreição, torna-se agora, com a sua fé renovada, a rocha que se opõe às forças destruidoras do mal.

Amados irmãos e irmãs! Este episódio evangélico, que escutámos, encontra subsequente e mais eloquente explicação num elemento artístico muito conhecido, que enriquece esta Basílica Vaticana: o altar da Cátedra. Quando, depois de percorrer a grandiosa nave central e ultrapassar o transepto, se chega à abside, encontramo-nos perante um trono de bronze enorme, que parece suspenso em voo mas na realidade está sustentado por quatro estátuas de grandes Padres da Igreja do Oriente e do Ocidente. E na janela oval, por cima do trono, resplandece a glória do Espírito Santo, envolvida por um triunfo de anjos suspensos no ar. Que nos diz este conjunto escultório, nascido do génio de Bernini? Representa uma visão da essência da Igreja e, no seio dela, do magistério petrino.

A janela da abside abre a Igreja para o exterior, para a criação inteira, enquanto a imagem da pomba do Espírito Santo mostra Deus como a fonte da luz. Mas há ainda outro aspecto a evidenciar: de facto, a própria Igreja é como que uma janela, o lugar onde Deus Se faz próximo, vem ao encontro do nosso mundo. A Igreja não existe para si mesma, não é o ponto de chegada, mas deve apontar para além de si, para o alto, acima de nós. A Igreja é verdadeiramente o que deve ser, na medida em que deixa transparecer o Outro – com o “O” grande – do qual provém e para o qual conduz. A Igreja é o lugar onde Deus «chega» a nós e donde nós «partimos» para Ele; a este mundo que tende a fechar-se em si próprio, a Igreja tem a missão de o abrir para além de si mesmo e levar-lhe a luz que vem do Alto e sem a qual se tornaria inabitável.

A grande cátedra de bronze contém dentro dela uma cadeira em madeira, do século IX, que foi considerada durante muito tempo a cátedra do apóstolo Pedro e, precisamente pelo seu alto valor simbólico, colocada neste altar monumental. Na realidade, exprime a presença permanente do Apóstolo no magistério dos seus sucessores. Podemos dizer que a cadeira de São Pedro é o trono da verdade, cuja origem está no mandato de Cristo depois da confissão em Cesareia de Filipe. A cadeira magistral renova em nós também a lembrança das seguintes palavras dirigidas pelo Senhor a Pedro no Cenáculo: «Eu roguei por ti, para que a tua fé não desapareça. E tu, uma vez convertido, fortalece os teus irmãos» (Lc 22, 32).

A cátedra de Pedro evoca outra recordação: a conhecida expressão de Santo Inácio de Antioquia, que, na sua Carta aos Romanos, designa a Igreja de Roma como «aquela que preside à caridade» (Inscr.: PG 5, 801). Com efeito, o facto de presidir na fé está inseparavelmente ligado à presidência no amor. Uma fé sem amor deixaria de ser uma fé cristã autêntica. Mas as palavras de Santo Inácio contêm ainda outro aspecto, muito mais concreto: de facto, o termo «caridade» era usado pela Igreja primitiva para indicar também a Eucaristia. Efectivamente a Eucaristia é Sacramentum caritatis Christi, por meio do qual Ele continua a atrair a Si todos nós, como fez do alto da cruz (cf. Jo 12, 32). Portanto, «presidir à caridade» significa atrair os homens num abraço eucarístico – o abraço de Cristo – que supera toda a barreira e estranheza, criando a comunhão entre as múltiplas diferenças. Por conseguinte, o ministério petrino é primado no amor em sentido eucarístico, ou seja, solicitude pela comunhão universal da Igreja em Cristo. E a Eucaristia é forma e medida desta comunhão, e garantia de que a Igreja se mantém fiel ao critério da tradição da fé.

A grande Cátedra é sustentada pelos Padres da Igreja. Os dois mestres do Oriente, São João Crisóstomo e Santo Atanásio, juntamente com os latinos, Santo Ambrósio e Santo Agostinho, representam a totalidade da tradição e, consequentemente, a riqueza da expressão da verdadeira fé na santa e única Igreja. Este elemento do altar diz-nos que o amor apoia-se sobre a fé. O amor desfaz-se, se o homem deixa de confiar em Deus e obedecer-Lhe. Na Igreja, tudo se apoia na fé: os sacramentos, a liturgia, a evangelização, a caridade. Mesmo o direito e a própria autoridade na Igreja assentam na fé. A Igreja não se auto-regula, não confere a si mesma o seu próprio ordenamento, mas recebe-o da Palavra de Deus, que escuta na fé e procura compreender e viver. Na comunidade eclesial, os Padres da Igreja têm a função de garantes da fidelidade à Sagrada Escritura. Asseguram uma exegese fidedigna, segura, capaz de formar um conjunto estável e unitário com a cátedra de Pedro. As Sagradas Escrituras, interpretadas com autoridade pelo Magistério à luz dos Padres, iluminam o caminho da Igreja no tempo, assegurando-lhe um fundamento estável no meio das transformações da história.

Depois de termos considerado os diversos elementos do altar da Cátedra, lancemos um olhar ao seu conjunto. Vemos que é atravessado por um duplo movimento: de subida e de descida. Trata-se da reciprocidade entre a fé e o amor. A Cátedra aparece em grande destaque neste lugar, não só porque está aqui o túmulo do apóstolo Pedro, mas também porque ela encaminha para o amor de Deus. Com efeito, a fé orienta-se para o amor. Uma fé egoísta seria uma fé não-verdadeira. Quem crê em Jesus Cristo e entra no dinamismo de amor que encontra a sua fonte na Eucaristia, descobre a verdadeira alegria e torna-se, por sua vez, capaz de viver segundo a lógica deste dom. A verdadeira fé é iluminada pelo amor e conduz ao amor, conduz para o alto, como o altar da Cátedra nos eleva para a janela luminosa, para a glória do Espírito Santo, que constitui o verdadeiro ponto focal que atrai o olhar do peregrino quando cruza o limiar da Basílica Vaticana. O triunfo dos anjos e os grandes raios dourados conferem àquela janela o máximo destaque, com um sentido de transbordante plenitude que exprime a riqueza da comunhão com Deus. Deus não é solidão, mas amor glorioso e feliz, irradiante e luminoso.

Amados irmãos e irmãs, a nós, a cada cristão, está confiado o dom deste amor: um dom que deve ser oferecido com o testemunho da nossa vida. Esta é de modo particular a vossa missão, venerados Irmãos Cardeais: testemunhar a alegria do amor de Cristo. À Virgem Maria, presente na comunidade apostólica reunida em oração à espera do Espírito Santo (cf. Act 1, 14), confiamos agora o vosso novo serviço eclesial. Que Ela, Mãe do Verbo Encarnado, proteja o caminho da Igreja, sustente com a sua intercessão a obra dos Pastores e acolha sob o seu manto todo o Colégio Cardinalício. Amen!

BENEDICTUS PP XVI
 
fonte: Santa Sé

sábado, 18 de fevereiro de 2012

Papa Bento XVI: "Rezai também por mim, para que sempre possa oferecer ao Povo de Deus o testemunho da doutrina segura e reger, com suave firmeza, o timão da santa Igreja"

CONSISTÓRIO ORDINÁRIO PÚBLICO PARA A CRIAÇÃO DOS NOVOS CARDEAIS COM A IMPOSIÇÃO DO BARRETE CARDINALÍCIO, ENTREGA DO ANEL
E ATRIBUIÇÃO DO TÍTULO DE DIACONIA
ALOCUÇÃO DO PAPA BENTO XVI
Basílica Vaticana
Sábado, 18 de Fevereiro de 2012

«Tu es Petrus, et super hanc petram ædificabo Ecclesiam meam».

Venerados Irmãos,
Amados irmãos e irmãs!

Com estas palavras do cântico de entrada, teve início o rito solene e sugestivo do Consistório Ordinário Público para a criação dos novos Cardeais, que inclui a imposição do barrete cardinalício, a entrega do anel e a atribuição do título. Trata-se das palavras com que Jesus constituiu, eficazmente, Pedro como firme alicerce da Igreja. E o factor qualificativo deste alicerce é a fé: realmente Simão torna-se Pedro – rocha – por ter professado a sua fé em Jesus, Messias e Filho de Deus. Quando anuncia Cristo, a Igreja está ligada a Pedro, e Pedro permanece colocado na Igreja como rocha; mas, quem edifica a Igreja, é o próprio Cristo, sendo Pedro um elemento particular da construção. E deve sê-lo por meio da fidelidade à sua confissão feita junto de Cesareia de Filipe, ou seja, em virtude da afirmação: «Tu és Cristo, o Filho de Deus vivo».

As palavras, que Jesus dirige a Pedro, põem claramente em destaque o carácter eclesial da celebração de hoje. De facto, através da atribuição do título duma igreja desta Cidade [de Roma] ou duma diocese suburbicária, os novos Cardeais ficam, para todos os efeitos, inseridos na Igreja de Roma guiada pelo Sucessor de Pedro, para cooperar estreitamente com ele no governo da Igreja universal. Estes dilectos Irmãos, que dentro de momentos começarão a fazer parte do Colégio Cardinalício, unir-se-ão, por vínculos novos e mais fortes, não só com o Pontífice Romano mas também com toda a comunidade dos fiéis espalhada pelo mundo inteiro. Com efeito, no desempenho do seu peculiar serviço de apoio ao ministério petrino, os neo-purpurados serão chamados a analisar e avaliar os casos, os problemas e os critérios pastorais que dizem respeito à missão da Igreja inteira. Nesta delicada tarefa, servir-lhes-á de exemplo e ajuda o testemunho de fé prestado pelo Príncipe dos Apóstolos, com a sua vida e morte, pois, por amor de Cristo, deu-se inteiramente até ao sacrifício extremo.

É com este significado que se deve entender também a imposição do barrete vermelho. Aos novos Cardeais, é confiado o serviço do amor: amor a Deus, amor à sua Igreja, amor aos irmãos com dedicação absoluta e incondicional – se for necessário – até ao derramamento do sangue, como diz a fórmula para a imposição do barrete cardinalício e como indica a cor vermelha das vestes que trazem. Além disso, é-lhes pedido que sirvam a Igreja com amor e vigor, com a clareza e a sabedoria dos mestres, com a energia e a fortaleza dos pastores, com a fidelidade e a coragem dos mártires. Trata-se de ser servidores eminentes da Igreja, que encontra em Pedro o fundamento visível da unidade.

No texto evangélico há pouco proclamado, Jesus apresenta-Se como servo, oferecendo-Se como modelo a imitar e a seguir. No cenário de fundo do terceiro anúncio da paixão, morte e ressurreição do Filho do Homem, sobressai, pelo seu clamoroso contraste, a cena dos dois filhos de Zebedeu, Tiago e João, que, ao lado de Jesus, ainda correm atrás de sonhos de glória. Pediram-Lhe: «Concede-nos que, na tua glória, nos sentemos um à tua direita e outro à tua esquerda» (Mc 10, 37). Contundente é a resposta de Jesus, e inesperada a sua pergunta: «Não sabeis o que pedis. Podeis beber o cálice que Eu bebo?» (Mc 10, 38). A alusão é claríssima: o cálice é o da paixão, que Jesus aceita para cumprir a vontade do Pai. O serviço a Deus e aos irmãos, a doação de si mesmo: esta é a lógica que a fé autêntica imprime e gera na nossa existência quotidiana, mas que está em contradição com o estilo mundano do poder e da glória.

Com o seu pedido, Tiago e João mostram que não compreendem a lógica de vida que Jesus testemunha, aquela lógica que deve – segundo o Mestre –caracterizar o discípulo no seu espírito e nas suas acções. E a lógica errada não reside só nos dois filhos de Zebedeu, mas, segundo o evangelista, contagia também «os outros dez» apóstolos, que «começaram a indignar-se contra Tiago e João» (Mc 10, 41). Indignam-se, porque não é fácil entrar na lógica do Evangelho, deixando a do poder e da glória. São João Crisóstomo afirma que ainda eram imperfeitos os apóstolos todos: tanto os dois que procuravam obter precedência sobre os outros dez, como os dez que tinham inveja dos dois (cf. Comentário a Mateus, 65, 4: PG 58, 622). E São Cirilo de Alexandria, ao comentar passagens paralelas no Evangelho de Lucas, acrescenta: «Os discípulos caíram na fraqueza humana e puseram-se a discutir uns com os outros qual deles seria o chefe, ficando superior aos outros. (…) Isto aconteceu e foi-nos narrado para nosso proveito. (…) O que sucedeu aos santos Apóstolos pode revelar-se, para nós, um estímulo à humildade» (Comentário a Lucas, 12, 5, 24: PG 72, 912). Este episódio deu ocasião a Jesus para Se dirigir a todos os discípulos e «chamá-los a Si», de certo modo para os estreitar a Si, a fim de formarem como que um corpo único e indivisível com Ele, e indicar qual é a estrada para se chegar à verdadeira glória, a de Deus: «Sabeis como aqueles que são considerados governantes das nações fazem sentir a sua autoridade sobre elas, e como os grandes exercem o seu poder. Não deve ser assim entre vós. Quem quiser ser grande entre vós, faça-se vosso servo, e quem quiser ser o primeiro entre vós, faça-se o servo de todos» (Mc 10, 42-44).

Domínio e serviço, egoísmo e altruísmo, posse e dom, lucro e gratuidade: estas lógicas, profundamente contrastantes, defrontam-se em todo o tempo e lugar. Não há dúvida alguma sobre a estrada escolhida por Jesus: e não Se limita a indicá-la por palavras aos discípulos de ontem e de hoje, mas vive-a na sua própria carne. Efectivamente explica: «Também o Filho do Homem não veio para ser servido, mas para servir e dar a sua via em resgate por muitos» (Mc 10, 45). Estas palavras iluminam, com singular intensidade, o Consistório público de hoje. Ecoam no fundo da alma e constituem um convite e um apelo, um legado e um encorajamento especialmente para vós, amados e venerados Irmãos que estais para ser incluídos no Colégio Cardinalício.

Segundo a tradição bíblica, o Filho do Homem é aquele que recebe de Deus o poder e o domínio (cf. Dn 7, 13-14). Jesus interpreta a sua missão na terra, sobrepondo à figura do Filho do Homem a imagem do Servo sofredor descrita por Isaías (cf. Is 53, 1-12). Ele recebe o poder e a glória apenas enquanto «servo»; mas é servo na medida em que assume sobre Si o destino de sofrimento e de pecado da humanidade inteira. O seu serviço realiza-se na fidelidade total e na plena responsabilidade pelos homens. Por isso, a livre aceitação da sua morte violenta torna-se o preço de libertação para muitos, torna-se o princípio e o fundamento da redenção de cada homem e de todo o género humano.

Amados Irmãos que estais para ser inscritos no Colégio Cardinalício! Que a doação total de Si mesmo, feita por Cristo na cruz, vos sirva de norma, estímulo e força para uma fé que actua na caridade. Que a vossa missão na Igreja e no mundo se situe sempre e só «em Cristo» e corresponda à sua lógica e não à do mundo, sendo iluminada pela fé e animada pela caridade que nos vem da Cruz gloriosa do Senhor. No anel que daqui a pouco vos entregarei, aparecem representados São Pedro e São Paulo e, no centro, uma estrela que evoca Nossa Senhora. Trazendo este anel, sois convidados diariamente a recordar o testemunho de Cristo que os dois Apóstolos deram até ao seu martírio aqui em Roma, tornando assim fecunda a Igreja com o seu sangue. Por sua vez a evocação da Virgem Maria constituirá para vós um convite incessante a seguir Aquela que permaneceu firme na fé e serva humilde do Senhor.

Ao concluir esta breve reflexão, quero dirigir a minha grata e cordial saudação a todos vós aqui presentes, particularmente às Delegações oficiais de diversos Países e aos Representantes de numerosas dioceses. No seu serviço, os novos Cardeais são chamados a permanecer fiéis a Cristo, deixando-se guiar unicamente pelo seu Evangelho. Amados irmãos e irmãs, rezai para que possa reflectir-se ao vivo neles o Senhor Jesus, o nosso único Pastor e Mestre e a fonte de toda a sabedoria que indica a estrada a todos. E rezai também por mim, para que sempre possa oferecer ao Povo de Deus o testemunho da doutrina segura e reger, com suave firmeza, o timão da santa Igreja.

BENEDICTUS PP XVI
 

quarta-feira, 15 de fevereiro de 2012

Confirmada data da posse de Dom Airton José dos Santos como novo Arcebispo de Campinas


Sua Excelência Reverendíssima
Dom Airton José dos Santos,
Arcebispo Metropolitano de Campinas,
tomará posse canônica da Arquidiocese
no Segundo Domingo do Tempo da Páscoa,
dia 15 de abril de 2012, às 10 horas,
na Catedral de Nossa Senhora da Imaculada Conceição.


 

Saudação da CNBB aos novos bispos nomeados para Campinas e Pesqueira

Saudação da CNBB a Dom Airton José dos Santos e Dom José Luiz Ferreira Sales, CSsR

A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil-CNBB saúda com alegria o novo arcebispo de Campinas-SP, Dom Airton José dos Santos, e o novo bispo da diocese de Pesqueira-PE, Dom José Luiz Ferreira Salles, nomeados nesta quarta-feira, 15 de fevereiro, pelo Santo Padre Bento XVI.

Transferido de Mogi das Cruzes-SP, Dom Airton leva consigo toda a experiência de dez anos de ministério episcopal iniciado na diocese de Santo André em 2002 onde foi auxiliar até 2004. Ao Regional Sul 1 da CNBB tem prestado também relevantes serviços, ancorado sempre em seu lema episcopal: “Para fazer a tua vontade”.

Dom José Luiz que, desde 2006, é bispo auxiliar da Arquidiocese de Fortaleza-CE, assume agora uma nova missão. A mensagem que levará ao povo de Deus presente na diocese de Pesqueira vai explícita em seu lema episcopal: “Deus é amor”.

Aos dois irmãos que assumem, na alegria da fé e na comunhão com o Santo Padre, este novo serviço, manifestamos a mais profunda gratidão e reconhecimento por todo trabalho que, até agora, desempenharam nas dioceses em que se encontravam.

Assegurando-lhes nossa comunhão episcopal, auguramos a Dom Ariton e a Dom José Luiz votos de profícuo ministério junto ao povo de Deus nestas novas dioceses que agora lhes são confiadas. Pedimos a Nossa Senhora Aparecida que os acompanhe e lhes alcance de Deus copiosas bênçãos e graças.

Brasília, 15 de fevereiro de 2012

Dom Leonardo Ulrich Steiner
Bispo Auxiliar de Brasília
Secretário Geral da CNBB

fonte: site CNBB

Arquidiocese de Campinas divulga biografia do novo Arcebispo Dom Airton José dos Santos

Biografia de Dom Airton José dos Santos

Dom Airton José dos Santos nasceu na cidade de Bom Repouso, no Sul de Minas Gerais, no dia 25 de junho de 1956, primeiro dos sete filhos do casal José Julião dos Santos e Benedita Vieira da Fonseca. Em 1964, a família mudou-se para a Vila Vivaldi, em São Bernardo do Campo, no ABC Paulista. Permaneceram na cidade até 1967, quando mudaram-se para a Vila Sacadura Cabral, na cidade de Santo André. Em 1979, aos 23 anos, o jovem Airton ingressou no Seminário da Diocese de Santo André.

Realizou o Curso de Filosofia no período de 1979 a 1981, nas Faculdades Associadas do Ipiranga (FAI), em São Paulo, obtendo o título de Bacharel em Filosofia com Licenciatura Plena. No ano seguinte, em 1982, ingressou no Curso de Teologia da Pontifícia Faculdade de Teologia Nossa Senhora da Assunção, no Ipiranga, em São Paulo.

Foi ordenado Diácono no dia 31 de agosto de 1985 e Presbítero no dia 08 de dezembro do mesmo ano, por Dom Cláudio Hummes, então Bispo da Diocese de Santo André.

Iniciou o seu ministério sacerdotal em março de 1986, como Vigário Paroquial da Paróquia Imaculada Conceição, em Diadema, SP. Em 1987, foi nomeado também como Diretor e Formador na Casa de Formação dos Seminaristas da Filosofia do Seminário Diocesano de Santo André, cargo que ocupou até o final de 1997. Neste período, entre 1986 e 1997, exerceu outros serviços na Diocese como Vigário Regional da Região Pastoral de Diadema; Coordenador Diocesano da Pastoral Vocacional; Administrador Paroquial da Paróquia Imaculada Conceição, em Diadema; Coordenador Diocesano da Pastoral Familiar; membro do Conselho de Presbíteros; e membro do Colégio de Consultores.

No período de agosto de 1998 a junho de 2000 permaneceu em Roma, residindo no Pontifício Colégio Pio Brasileiro, onde obteve o Título de Mestre em Direito Canônico pela Pontifícia Universidade Gregoriana de Roma.

De volta a Santo André, foi nomeado por Dom Décio Pereira, Bispo Diocesano, em outubro de 2000, como Chanceler do Bispado e, em setembro do mesmo ano, como Ecônomo da Diocese. No dia 18 de março de 2001, foi nomeado Pároco da Catedral Diocesana de Santo André, sucedendo a Dom Manuel Parrado Carral, até esta data Pároco da Catedral, nomeado Bispo Auxiliar da Arquidiocese de São Paulo.

No dia 19 de dezembro de 2001 foi nomeado pelo Papa João Paulo II como Bispo Titular de “Felbes” e Auxiliar para a Diocese de Santo André. Recebeu a Ordenação Episcopal no dia 02 de março de 2002, em São Bernardo do Campo, Diocese de Santo André, sendo sagrante Dom Décio Pereira e Co-Sagrantes Dom David Picão e Dom Manuel Parrado Carral. Tomou posse na Quinta-feira Santa do mesmo ano, sendo apresentado ao Clero e ao Povo, na Missa dos Santos Óleos.

Escolheu como lema episcopal “Ut faciam Deus, voluntatem tuam” (Hb 10,9), que quer dizer: “Eu vim, ó Deus, para fazer a tua vontade”.

Com o falecimento do Bispo Diocesano, Dom Décio Pereira, no dia 05 de fevereiro de 2003, Dom Airton foi eleito pelo Colégio de Consultores como Administrador Diocesano de Santo André, cargo que ocupou até a nomeação de Dom Nelson Westrupp. Dom Airton permaneceu como Bispo Auxiliar, em Santo André, exercendo as funções de acompanhamento das Pastorais Familiar, da Juventude, da Educação e do Ensino Religioso e a função de Secretário do Conselho Episcopal do Regional Sul 1 da CNBB.

No dia 04 de agosto de 2004, o Papa João Paulo II o nomeou Bispo da Diocese de Mogi das Cruzes, onde tomou posse canônica no dia 26 de setembro de 2004.

Na 74ª Assembleia dos Bispos do Regional Sul 1 da CNBB, realizada entre os dias 07 de 09 de junho de 2011, em Aparecida, Dom Airton foi eleito Presidente do Sub-Regional São Paulo II e Presidente da Comissão para a Liturgia.

No dia 15 de fevereiro de 2012, o Papa Bento XVI nomeou Dom Airton como o sétimo Bispo e quinto Arcebispo da Arquidiocese Metropolitana de Campinas.

Sucessão Apostólica

ARCEBISPO Airton José dos Santos (2002)
BISPO Décio Pereira † (1979)
PAPA Beato João Paulo II † (1958)
ARCEBISPO Eugeniusz Baziak † (1933)
ARCEBISPO Boleslaw Twardowski † (1919)
ARCEBISPO St. Józef Bilczewski † (1901)
Jan Maurycy Pawel CARDEAL Puzyna de Kosielsko † (1886)
Mieczyslaw Halka CARDEAL Ledóchowski † (1861)
Camillo CARDEAL Di Pietro † (1839)
Chiarissimo CARDEAL Falconieri Mellini † (1826)
PAPA Leão XII † (1794)
Henry Benedict Mary Clement CARDEAL Stuart of York † (1758)
PAPA Clemente XIII † (1743)
PAPA Bento XIV † (1724)
PAPA Bento XIII † (1675)
Paluzzo CARDEALl Paluzzi Altieri Degli Albertoni † (1666)
Ulderico CARDEAL Carpegna † (1630)
Luigi CARDEAL Caetani † (1622)
Ludovico CARDEAL Ludovisi † (1621)
ARCEBISPO Galeazzo Sanvitale † (1604)
Girolamo CARDEAL Bernerio, O.P. † (1586)
Giulio Antonio CARDEAL Santorio † (1566)
Scipione CARDEAL Rebiba †

Leia também:


Papa Bento XVI nomeia Dom Airton José dos Santos como novo Arcebispo de Campinas-SP

Sua Santidade o Papa Bento XVI nomeou nesta quarta-feira, dia 15/02/2012, como novo Arcebispo de Campinas-SP, transferindo da Diocese de Mogi das Cruzes.

Currículum de Sua Excelência Reverendíssima
Dom Airton José dos Santos

Nascido em Bom Repouso, Estado de Minas Gerais, aos 25 de junho de 1956.

Ordenado Sacerdote, aos 08 de dezembro de 1985 na Catedral Diocesana de Santo André.

Eleito Bispo Titular de Felbes e Auxiliar para a Diocese de Santo André, aos 19 de dezembro de 2001.

Sagrado Bispo, aos 2 de março de 2002, em São Bernardo do Campo, Diocese de Santo André, tendo como sangrate o Exmo. e Revmo. Dom Décio Pereira e Co-Sagrantes o Exmo. e Revmo. Dom David Picão e o Exmo. e Revmo. Dom Manuel Parrado Carral.

Nomeado Bispo Diocesano de Mogi das Cruzes, aos 04 de agosto de 2004, tomou posse canônica da Diocese no dia 26 de setembro de 2004.

fonte: Santa Sé e CNBB

domingo, 12 de fevereiro de 2012

Consistório Ordinário Público para a criação de 22 novos cardeais


Sua Santidade o Papa Bento XVI convocou a 6 de janeiro um consistório para a criação de 22 novos cardeais, marcado para o dia 18 de fevereiro de 2012. Esta é a quarta vez que Bento XVI convoca um consistório (o último tinha sido em novembro de 2010), com o qual vai perfazer um total de 84 cardeais criados (63 com direito a voto, mais de metade dos 125 eleitores).

Entre os 22 cardeais escolhidos estão 16 europeus, incluindo sete italianos; dez dos novos cardeais ocupam cargos na Cúria Romana.

A partir do próximo consistório, o colégio cardinalício passará a ter representantes de 70 países, 51 dos quais com cardeais eleitores, ou seja, com menos de 80 anos e, por isso, com direito a voto na eleição de um novo Papa (conclave).

Os cardeais com menos de 80 anos ficarão assim distribuídos geograficamente: Europa - 67; América Latina - 22; América do Norte - 15; África - 11; Ásia - 9; Oceânia - 1.

Desde 2005, ano da eleição de Bento XVI, a Itália reforçou o seu estatuto de país com maior número de eleitores (30).

Seguem-se os EUA (12), Alemanha e Brasil (6 cada), Espanha (5), Índia, França, México e Polónia (4 cada).

Estes nove países totalizam 75 cardeais com direito a voto, representando um número próximo dos 83 (maioria de dois terços) que são necessários para a eleição pontifícia

Eis os nomes dos novos Purpurados:

1. Dom FERNANDO FILONI, Prefeito da Congregação para Evangelização dos Povos;

2. Dom MANUEL MONTEIRO DE CASTRO, Penitenciário-Mor;

3. Dom SANTOS ABRIL Y CASTELLÓ, Arcipreste da Basílica Papal de Santa Maria Maior;

4. Dom ANTONIO MARIA VEGLIÒ, Presidente do Pontifício Conselho da Pastoral para os Migrantes e Itinerantes;

5. Dom GIUSEPPE BERTELLO, Presidente da Pontifícia Comissão para o Estado da Cidade do Vaticano e Presidente do Governadorato do mesmo Estado;

6. Dom FRANCESCO COCCOPALMERIO, Presidente do Pontifício Conselho para os Textos Legislativos;

7. Dom JOÃO BRAZ DE AVIZ, Prefeito da Congregação para os Institutos de Vida Consagrada e as Sociedades de Vida Apostólica;

8. Dom EDWIN FREDERIK O'BRIEN, Pró-Grão-Mestre da Ordem Equestre do Santo Sepulcro de Jerusalém;

9. Dom DOMENICO CALCAGNO, Presidente da AAdministração do Patrimônio da Sé Apostólica;

10. Dom GIUSEPPE VERSALDI, Presidente da Prefeitura para os Assuntos Econômicos da Santa Sé;

11. Sua Beatitude GEORGE ALENCHERRY, Arcebispo-Maior de Ernakulam-Angamaly dos Siro-Malabares (Índia);

12. Dom THOMAS CHRISTOPHER COLLINS, Arcebispo de Toronto (Canadá);

13. Dom DOMINIK DUKA, Arcebispo de Praga (República Tcheca);

14. Dom WILLEM JACOBUS EIJK, Arcebispo de Utrecht (Países Baixos);

15. Dom GIUSEPPE BETORI, Arcebispo de Florença (Itália);

16. Dom TIMOTHY MICHAEL DOLAN, Arcebispo de New York (Estados Unidos da América);

17. Dom RAINER MARIA WOELKI, Arcebispo de Berlim (Alemanha);

18. Dom JOHN TONG HON, Bispo de Hong Kong (China);

19. Sua Beatitude LUCIAN MUREŞAN, Arcebispo-Maior de Făgăraş e Alba Júlia dos Romenos (Romênia);

20. Mons. JULIEN RIES, Sacerdote da Diocese de Namur e Professore emérito de história das religiões na Universidade Católica de Louvain;

21. Pe. PROSPER GRECH, O.S.A., Docente emérito de várias Universidades romanas e consultor da Congregação para a Doutrina da Fé;

22. Pe. KARL BECKER, S.J, Docente emérito da Pontifícia Universidade Gregoriana, por longos anos consultor da Congregação para a Doutrina da Fé. [O sacerdote, de 83 anos, não vai poder participar na cerimónia pública do próximo dia 18, por motivos de saúde, sendo criado cardeal “de forma privada, noutro momento”, segundo a Santa Sé].

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