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quinta-feira, 26 de janeiro de 2012

Homilia do Papa Bento XVI na Festa da Conversão de São Paulo - 25/01/2012


HOMILIA DO PAPA BENTO XVI
VÉSPERAS DA CONVERSÃO DE SÃO PAULO
Basílica de São Paulo Fora dos Muros
Quarta-feira, 25 de janeiro de 2012

É com grande alegria que dirijo minha calorosa saudação a todos vocês que se reúnem nesta Basílica na festa litúrgica da Conversão de São Paulo, para concluir a semana de oração pela Unidade dos cristãos, neste ano no qual celebraremos o 50º aniversário da abertura do Concílio Vaticano II, que o beato João XXIII anunciou nesta basílica em 25 de janeiro de 1959. O tema oferecido para nossa meditação na Semana de oração que hoje concluímos é: “Todos seremos transformados pela vitória de Jesus Cristo nosso Senhor”. (cfr I Cor 15, 51-58).

O significado desta misteriosa transformação, da qual nos fala a segunda leitura breve desta noite, é mostrado na situação pessoal de São Paulo. Durante o evento extraordinário ocorrido na estrada de Damasco, Saulo, que se distinguia pelo zelo com o qual perseguia a Igreja nascente, foi transformado em um incansável apostolo do Evangelho de Jesus Cristo.

Na situação deste extraordinário evangelizador parece claro que tal transformação não é resultado de uma longa reflexão interior e nem menos o fruto de um esforço pessoal. Ela é antes de tudo obra da graça de Deus que agiu segundo suas imperscrutáveis vias. É por isso que Paulo, escrevendo à comunidade de Corinto alguns anos depois de sua conversão, afirma, como escutamos no primeiro trecho destas vésperas: “Por graça de Deus, sou aquilo que sou e a sua graça em mim não foi em vão” (I Cor 15,10).

Além disso, considerando com atenção a situação de São Paulo, se compreende com a transformação, que Ele experimentou na sua existência, não se limita ao plano ético – como conversão da imoralidade à moralidade – nem ao plano intelectual – como mudança do próprio modo de compreender a realidade -, mas se trata mais ainda de uma radical transformação do próprio ser, semelhante em muitos aspectos a um renascimento. Uma tal transformação encontra o seu fundamento na participação ao mistério da Morte e Ressurreição de Jesus Cristo, e se delineia como um gradual caminho de conformação à Ele.

À luz desta consciência, São Paulo, quando em seguida será chamado a defender a legitimidade da sua vocação apostólica e do evangelho por ele anunciado, dirá: “Não vivo mais eu, mas Cristo vive em mim. E esta vida, que eu vivo no corpo, a vivo na fé do Filho de Deus, que me amou e entregou a si mesmo por mim” (Gal 2,20).

A experiência pessoal vivida por São Paulo o permiteesperar com fundamentada esperança o cumprimento deste mistério de transformação, que estará relacionado a todos aqueles que acreditaram em Jesus Cristo e também toda a humanidade e toda a criação.

Na segunda leitura breve que foi proclamada esta noite, São Paulo, depois de ter desenvolvido uma longa argumentação destinada a reforçar nos fiéis a esperança da ressurreição, utilizando as imagens tradicionais da literatura apocalíptica descreve em poucas linhas o grande dia do juízo final, no qual se completa o destino da humanidade: “Em um instante, em um bater de olhos, ao som da última trombeta, os mortos ressurgirão incorruptíveis e nós seremos transformados” (I Cor 15,52).

Naquele dia, todos os fiéis se conformarão a Cristo e tudo aquilo que é corruptível será transformado pela sua glória: “É necessário de fato, que este corpo corruptível se vista de incorruptibilidade e este corpo mortal se vista de imortalidade” (v. 15,53). Então, o triunfo de Cristo será finalmente completo, porque, nos diz ainda São Paulo mostrando como as antigas profecias das Escrituras se realizam, a morte será vencida definitivamente e com ela, o pecado que a fez entrar no mundo e a Lei que fixa o pecado sem dar a força de vencê-lo: “A morte desapareceu na vitória. / Onde está, ó morte, tua vitória?/ Onde está, ó morte o teu ferrão? / o ferrão da morte é o pecado e a força do pecado é a Lei” (54-56).

São Paulo nos diz, portanto, que todo homem, mediante o batismo na morte e ressurreição de Cristo, participa da vitória daquele que por primeiro derrotou a morte, começando um caminho de transformação que se manifesta a partir de então em uma novidade de vida e que atingirá a sua plenitude nos fins dos tempos.

É muito significativo que o trecho se conclua com um agradecimento: “Sejam dadas graças a Deus, que nos dá a Vitória por meio do Senhor nosso Jesus Cristo” (v. 57). O canto de vitória sobre a morte se torna um canto de gratidão elevado ao Vencedor.

Também nós, nesta noite, celebrando os louvores da noite a Deus, queremos unir as nossas vozes, as nossas mentes e os nossos corações a este hino de agradecimento por aquilo que a graça divina operou no Apóstolos dos gentios e pelo admirável desígnio salvífico que Deus Pai cumpre em nós por meio do Senhor Jesus Cristo. Isto é particularmente verdadeiro na oração pela unidade dos cristãos. Quando de fato imploramos o dom da unidade dos discípulos de Cristo fazemos nosso o desejo expresso por Jesus na vigília da sua paixão e morte na oração dirigida ao Pai: “para que todos sejam uma coisa só” (Jo 17,21).

Por este motivo, a oração pela unidade dos cristãos não é outra coisa senão a participação à realização do projeto divino pela Igreja, e o compromisso operoso pelo restabelecimento da unidade é um dever e uma grande responsabilidade por todos.

Mesmo experimentando nos nossos dias a situação dolorosa da divisão, nós cristãos podemos e devemos olhar para o futuro com esperança, já que a vitória de Cristo significa a superação de tudo aquilo que nos leva a partilhar a plenitude da vida com Ele e com os outros. A ressurreição de Jesus Cristo confirma que a bondade de Deus vence o mal, o amor supera a morte. Ele nos acompanha na luta contra a força destrutiva do pecado que danifica a humanidade e toda a criação de Deus.

A presença de Cristo ressuscitado chama todos nós cristãos a agir juntos na causa do bem. Unidos em Cristo, somos chamados a partilhar a missão, que é aquela de levar a esperança lá onde domina a injustiça, o ódio e o desespero. As nossas divisões fazem menos luminoso o nosso testemunho em Cristo. O ponto de chegada da plena unidade, que esperamos em operosa esperança e pela qual com fidelidade oramos, é uma vitória não secundária, mas importante para o bem da família humana.

Na cultura dominante de hoje, a ideia de vitória é geralmente associada a um sucesso imediato. Na ótica cristã, ao contrário, a vitória é um longo e, aos olhos de nós homens, não sempre linear processo de transformação de crescimento do bem. Essa vem segundo os tempos de Deus, não os nossos, e requer de nós profunda fé e paciente perseverança. Apesar do Reino de Deus romper definitivamente na história com a ressurreição de Jesus, ele não é agora plenamente realizado.

A vitória final virá somente com a segunda vinda do Senhor que nós esperamos com paciente perseverança. Também a nossa espera pela unidade visível da Igreja deve ser paciente e confiante. Somente em tal disposição encontra o seu pleno significado a nossa oração e o nosso empenho cotidiano pela unidade dos cristãos. A atitude de espera paciente não significa passividade, mas resposta pronta e atenta a toda possibilidade de comunhão e fraternidade, que o Senhor nos doa.

Neste clima espiritual, gostaria de dirigir algumas saudações particulares, em primeiro lugar ao Cardeal Monterisi, arcipreste desta Basílica, ao abade e à comunidade de monges beneditinos que nos recebem. Saúdo o Cardeal Kock, Presidente do Pontifício Conselho para a Promoção da Unidade dos cristãos, e a todos os colaboradores deste dicastério.

Dirijo as minhas cordiais e fraternais saudações à Sua Eminência, o metropolita Gennadios, representante do patriarcado ecumênico, e ao Reverendo canônico Richardson, representante pessoal em Roma do Arcebispo de Canterbury, e a todos os representantes das diversas igrejas e comunidades eclesiais que aqui se reúnem nesta noite.

Além disso, saúdo com gratidão alguns membros do grupo de trabalho composto por expoentes das diversas Igrejas e Comunidades eclesiais presentes na Polônia, que prepararam os subsídios pela semana de oração deste ano, aos quais gostaria de exprimir a minha gratidão e o meu desejo de prosseguir sobre a vida de reconciliação e de frutuosa colaboração, como também os membros da Global Christian Forum que nestes dias estão em Roma para refletir sobre o alargamento da participação ao movimento ecumênico do Conselho Ecumênico das Igrejas de Bossey.

À intercessão de São Paulo desejo confiar todos aqueles que, nas suas orações e compromisso, trabalham pela unidade dos cristãos. Também se às vezes se pode ter a impressão que a estrada em direção ao pleno restabelecimento da comunhão seja ainda muito longa e repleta de obstáculos convido todos a renovar a própria determinação em perseguir, com coragem e generosidade, a unidade que é vontade de Deus, seguindo o exemplo de São Paulo, que diante da dificuldade de todos os tipos conservou sempre firme a confiança em Deus que leva a cumprimento a sua obra.

No mais, neste caminho, não faltam os sinais positivos de uma fraternidade reencontrada e de um partilhado sentido de responsabilidade diante das grandes problemáticas que afligem o nosso mundo. Tudo isso é emotivo de alegria e de grande esperança e deve encorajar-nos a prosseguir o nosso empenho para alcançarmos todos juntos o ponto de chegada, sabendo que a nossa fadiga não é em vão diante do Senhor (cfr. I Cor 15,58). Amém.

BENEDICTUS PP XVI
 

sábado, 14 de janeiro de 2012

Cerimônia do Manto - 12/01/2012

Santa Missa no Centenário da Igreja Matriz São José - 30/12/2011


(Salesópolis-SP, 30/12/2011) A Igreja Matriz São José completou 100 anos! A Santa Missa solene em ação de graças ao centenário da Igreja Matriz São José, em Salesópolis, foi celebrada pelo antigo pároco Dom Rosalvo Cordeiro de Lima, hoje Bispo Auxiliar de Fortaleza-CE, e concelebrada pelo Administrador Paroquial Pe Edinei Maia dos Santos, Pe Luciano Batata e Pe Devair Marcondes auxiliados pelo Diácono Antonio Paulino de Miranda Melo.

No início da Santa Missa os padres e paroquianos de São José em Salesópolis receberam uma mensagem do Papa Bento XVI que através de Dom Rosalvo Cordeiro de Lima enviou uma benção especial por ocasião dos 100 anos da Igreja Matriz São José.

A Igreja Matriz estava repleta de fiéis que vieram participar deste momento histórico. Ao final da Santa Missa foram relembrados padres e leigos que deram sua vida para a Igreja Católica em terras de São José do Paraitinga, hoje Salesópolis, desde o Pe Bento Claro, o 1o. pároco, Pe João Menendes, chamado "construtor da Matriz", Pe Vicente Aguiar, natural de Paraibuna-SP que idealizou a pintura interna e trouxe para nossa cidade o italiano Antonio Limones para executar as belíssimas obras de arte em nossa Igreja Matriz São José.

Rendemos graças a Deus pelos 180 anos da Paróquia São José e os 100 anos da Igreja Matriz, que Deus nos dê a sua graça e sua bênção para continuarmos firmes na missão do anúncio do Evangelho.

Fotos gentilmente cedidas pela Foto Faria.

quarta-feira, 11 de janeiro de 2012

Papa Bento XVI nomeia Dom Lorenzo Baldisseri secretário da Congregação para os Bispos no Vaticano


Na manhã desta quarta-feira, 11 de janeiro, o papa Bento XVI transferiu o atual Núncio Apostólico no Brasil, dom Lorenzo Baldisseri para a Secretaria da Congregação para os Bispos, um dos dicastérios da Cúria Romana, no Vaticano. Dom Baldisseri havia completado nove anos de nomeação para a Nunciatura Apostólica no Brasil no dia 12 de dezembro passado. Antes, ele foi núncio no Haiti (1992 – 1995), no Paraguai (1995 – 1999), na Índia e no Nepal (1999 –2002).

No Brasil, ele sucedeu a dom Alfio Rapisarda. Dom Lorenzo Baldisseri passa a responder pela Secretaria da Congregação para os Bispos que tem como prefeito, desde junho de 2010, o cardeal canadense Marc Oullet, que esteve presente e orientou o retiro espiritual dos bispos na última Assembleia Geral da CNBB, em maio de 2011, em Aparecida (SP). O Secretário anterior da Congregação era o ex-núncio apostólico na Espanha, arcebispo português, dom Manuel Monteiro de Castro, que será criado cardeal no próximo Consistório, de 18 de fevereiro, conforme anúncio feito pelo Santo Padre no Angelus da Epifania, dia 6 de janeiro.

terça-feira, 10 de janeiro de 2012

Ordenações Diaconais em Mogi das Cruzes


(Mogi das Cruzes, 07/01/2012)  Foi celebrada hoje sábado, 7 de janeiro, às 9:00 horas da manhã, na Catedral Diocesana de Mogi das Cruzes, a Ordenação Diaconal de oito seminaristas.

Neste primeiro sábado de janeiro, o Senhor Bispo, Dom Airton José dos Santos, realizou a cerimônia de Ordenação, com a imposição das mãos aos escolhidos e a fórmula canónica da Ordenação.

Estiveram presentes o Bispo Emérito de Mogi das Cruzes, Dom Paulo Mascarenhas Roxo, Opraem., e o Bispo Auxiliar de Fortaleza, Dom Rosalvo Cordeiro de Lima, que foi durante anos o Diretor Espiritual do Seminário Sagrado Coração de Jesus, onde realizaram seus estudos os oito seminaristas.

Os oito candidatos foram apresentados ao Bispo pelo Reitor do Seminário, Padre Leandro Machado Silvestre.

Esteve presente na Catedral a totalidade do Clero da Diocese, assim como sacerdotes de outras Dioceses vizinhas e conhecidos dos neo-Diáconos.

Vaticano anuncia modificações no próximo Consistório

O papa Bento XVI aprovou a introdução de modificações na celebração do próximo consistório, que ocorrerá em 18 e 19 de fevereiro para a nomeação de 22 novos cardeais. Dentre eles, estará o brasileiro dom João Braz de Aviz, Prefeito da Congregação para os Institutos de Vida Consagrada e as Sociedades de Vida Apostólica.

As alterações serão aplicadas pelo Departamento de Celebrações Litúrgicas e implicarão em simplificações e revisões de alguns ritos.

“Na oração da coleta e na final serão retomados os versos do rito de 1969, mais ricos em conteúdo e provenientes da tradição dos ofícios. As duas preces falam explicitamente dos poderes que o Senhor confiou à Igreja, de modo especial o de Pedro: o Pontífice reza de modo direto por si mesmo, para bem realizar o seu ofício”.

Será encurtada a Proclamação da Palavra de Deus e serão unificados os três momentos da nomeação, que compreendem a imposição do barrete, a entrega do anel cardinalício e a assinatura do título da diaconia.

O jornal vaticano L'Osservatore Romano informa que “a partir de hoje, a distinção entre o consistório público e o secreto de fato não será mais observada, e portanto, é mais coerente incluir os três momentos significativos da criação dos novos cardeais no mesmo rito”.

“Conserva-se a celebração do Papa com os novos cardeais na missa do dia seguinte, que se abre com a homenagem e a gratidão que o primeiro dos cardeais expressa ao Papa em nome de todos os outros”.

fonte: CNBB

domingo, 8 de janeiro de 2012

Reportagem da TV Diário sobre as Ordenações Diaconais na Catedral de Santana em Mogi das Cruzes - 07/01/2012

Homilia do Papa Bento XVI na Festa do Batismo do Senhor - 08/01/2012


HOMILIA DO PAPA BENTO XVI
Santa Missa na Festa do Batismo do Senhor
Capela Sistina - Vaticano
Domingo, 08 de janeiro de 2012


Queridos irmãos e irmãs

É sempre uma alegria celebrar esta Santa Missa com os Batismo das crianças. Vos saúdo com afeto, caros pais, padrinhos e madrinhas, e todos vocês familiares e amigos! Viestes – a dissestes em alta voz – para que os vossos bebês recebam o dom da graça de Deus, a semente de vida eterna. Vós pais quisestes isso. Pensastes no Batismo antes mesmo que o vosso filho ou a vossa filha viesse à luz. A vossa responsabilidade de pais cristãos vos fez pensar logo no Sacramento que marca o ingresso na vida divina, na Comunidade da Igreja. Podemos dizer que esta foi a vossa primeira escolha educativa como testemunhas da fé em relação aos vossos filhos: a escolha é fundamental.

O objetivo dos pais, ajudados pelo padrinho e pela madrinha é o de educar o filho ou a filha. Educar é muito trabalhoso, às vezes é árduo para as nossas capacidades humanas, sempre limitadas. Mas educar se torna uma maravilhosa missão se a cumprimos em colaboração com Deus, que é o primeiro e verdadeiro educador de todos os homens.

Na primeiro leitura que escutamos tirada do livro do profeta Isaías, Deus se volta para o seu povo exatamente como educador. Protege os israelitas para que estem não saciem a sede e fome em fontes erradas: “Por que gastais dinheiro com aquilo que não é pão, o vosso salário com aquilo que não sacia?” (Is 55,2). Deus quer dar-nos sobretudo Si mesmo e a sua Palavra: sabe que distanciando-nos dEle, nos encontraremos logo logo em dificuldade, como o filho pródigo da palavra, e sobretudo perderemos a nossa dignidade humana. E por isto, nos assegura que Ele é misericordia infinita, que os seus pensamentos e as suas vias não são como as nossas – por sorte nossa! - e que podemos sempre retornar a Ele, à casa do Pai. Nos assegura que se acolhermos a sua Palavra, a mesma trará frutos bons para nossa vida, como a chuva que irriga a terra (Is 55, 10-11).

A esta Palavra que o Senhor dirigiu mediante o profeta Isaias, nós respondemos com o refrão do Salmo: “Chegaremos com alegria às fontes de salvação”. Como pessoas adultas, temos o compromisso de atingir fontes boas, pelo nosso bem e daqueles que foram confiados à nossa responsabilidade, em particular, vós, caros pais, padrinhos e madrinhas, para o bem destas crianças. E quais são as fontes de salvação? São a Palavra de Deus e os Sacramentos. Os adultos são os primeiros a alimentarem-se destas fontes, para poder guiar os mais jovens no crescimento deles. Os pais devem dar tanto, mas para poder dar têm a necessidade às vezes de receber, ao contrário, se esvaziarão, se secarão. Os pais não são a fonte, como também nós sacerdotes não somos a fontes: somos os canais, através dos quais deve passar a proteína vital do amor de Deus. Se nos distanciamos da fonte, nós mesmos por primeiro seremos atingidos negativamente e não teremos a capacidade de educar os outros. Por isto nos comprometemos dizendo: “Chegaremos com alegria às fontes da salvação”.

E agora vamos para a segunda leitura e para o Evangelho. Os trechos nos dizem que a primeira e principal educação vem através do testemunho. O Evangelho nos fala de João o Batista. João foi um grande educador dos seus discípulos porque os conduziu ao encontro com Jesus, ao qual rendeu testemunho. Não exaltou a si mesmo, não quis ter os discipulos ligados a si. João também era um grande profeta, a sua fama era muito grande. Quando Jesus chegou, ele se colocou atrás e indicou-o: “Depois de mim vem aquele que é mais forte que eu. Eu vos batizei com água, mas ele vos batizará no Espírito Santo" (Mc 1, 7-8). O verdadeiro educador não liga as pessoas a si, não é possessivo. Quer que o filho, o discípulo, aprenda a conhecer a verdade e estabeleça com ela um relacionamento pessoal. O educador cumpre o seu dever até o fim, não permite que falte a sua presença atenta e fiel, mas o seu objetivo é que o educando escute a voz da verdade falar ao seu coração e a siga em um caminho pessoal.

Retornemos agora ao testemunho. Na segunda leitura, o apóstolo João escreve: “É o Espirito que dá testemunho” (I Jo 5,6). Se refere ao Espírito Santo, o Espírito de Deus, que rende testemunho a Jesus, atestando que é o Cristo, o Filho de Deus. Isso se vê também na cena do batismo no rio Jordão: o Espírito Santo desce sobre Jesus como uma pomba para revelar que Ele é o Filho Unigênito do eterno Pai (Mc 1,10). Também no seu Evangelho, João sublinha este aspecto, lá onde Jesus diz aos discípulos: “Quando vier o Paráclito, que eu vos mandarei do Pai, o Espírito da verdade que procede do Pai, ele dará testemunho de mim, e também vós dareis testemunho, porque estais comigo desde o princípio” (Jo 15, 26-27). Este é um grande conforto no empenho de educar à fé, porque sabemos que não estamos sós e que o nosso testemunho é sustentado pelo Espírito Santo.

É muito importante para vós pais e também para os padrinhos e madrinhas, acreditar fortemente na presença e na ação do Espírito Santo, invoca-lo e acolhê-lo em vós, mediante a oração e os Sacramentos. É Ele, de fato, que ilumina a mente, inflama o coração do educador para que saiba transmitir o conhecimento e Amor de Jesus. A oração é a primeira condição para educar, porque rezando, nos colocamos na disposição de deixar a Deus a iniciativa, de confiar os filhos à Ele, que os conhece antes o melhor que nós, e sabe perfeitamente qual é o verdadeiro bem deles. E, ao mesmo tempo, quando rezamos, nos colocamos em escuta das inspirações de Deus para fazer bem a nossa parte, que nos cabe e devemos realizar. Os Sacramentos, especialmente a Eucaristia e a Penitência, nos permitem de cumprir a ação educativa em união com Cristo, em comunhão com Ele e continuamente renovados pelo seu perdão. A oração e os Sacramentos nos obtém a luz da verdade, graças a qual podemos estar ao mesmo tempo serenos e fortes, usar a docilidade e a firmeza, calar e falar no momento certo, exortar e corrigir na maneira justa.

Caros amigos, invoquemos juntos o Espírito Santo, a fim que desça em abundância sobre estas crianças, as consagre à imagem de Jesus Cristo e as acompanhe sempre no caminho da vida deles. As confiamos à direção materna de Maria Santíssima, para que cresçam em idade, sabedoria e graça e se tornem verdadeiros cristãos, testemunhas fiéis e alegres do amor de Deus. Amém

BENEDICTUS PP XVI

sexta-feira, 6 de janeiro de 2012

Dom Airton José dos Santos faz nomeações na Diocese de Mogi das Cruzes

Abaixo a íntegra do comunicado publicado no site da Diocese de Mogi das Cruzes:

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Considerando as necessidades pastorais de nossa Diocese, havemos por bem fazer as seguintes nomeações e provisões:

O Rev.do Pe. Cleiton Viana da Silva será nomeado Pároco da Paróquia São José Operário no Bairro Mogilar em Mogi das Cruzes;

O Rev.do Pe. José Eduardo Ferreira, Pároco da Paróquia Nossa Senhora da Paz em Ferraz de Vasconcelos, será nomeado Administrador Paroquial da Paróquia São Francisco de Assis no Parque São Francisco de Assis em Ferraz de Vasconcelos, sem prejuízo de sua nomeação anterior;

O Rev.do Pe. Odilon Rodrigues Camargos, que já possuía o Uso de Ordem, será nomeado como Vigário Paroquial da Paróquia Nossa Senhora da Paz em Ferraz de Vasconcelos e terá Uso de Ordem para atuar normalmente na Paróquia São Francisco de Assis no Parque São Francisco de Assis em Ferraz de Vasconcelos, como colaborador direto do Rev.do Pe. José Eduardo Ferreira;

O Rev.do Pe. JamesKuthy Varanuthu Matai, Pároco da Paróquia Santa Cruz de Capela do Ribeirão no Distrito de Taiaçupeba, em Mogi das Cruzes, será transferido para assumir o cargo de Pároco da Paróquia Nossa Senhora Aparecida em Santa Isabel;

A Congregação dos Padres Missionários de São José assumirá a responsabilidade pela Paróquia Santa Cruz de Capela do Ribeirão no Distrito de Taiaçupeba em Mogi das Cruzes;

O Rev.do Pe. Claudionir Braga do Carmo será nomeado como Vice-Diretor da Faculdade de Filosofia e Teologia Paulo VI; Também será nomeado como membro da Equipe dos formadores e responsável pelo acompanhamento da dimensão acadêmica na formação de nossos Seminaristas.

O Rev.do Pe. Claudio Taciano da Silva Querino será nomeado como Pároco da Paróquia Santana e Cura da Catedral Diocesana;

O Rev.do Pe. Alexandre Miranda será nomeado como Vigário Paroquial da Paróquia Santana em Mogi das Cruzes;

O Rev.do Pe. Sergio Luiz da Rocha Silva será nomeado como Vigário Paroquial da Paróquia Santana em Mogi das Cruzes;

O Rev.do Pe. Alberto Gomes da Silva será nomeado como Pároco da Paróquia Bom Pastor em Suzano, sem prejuízo de sua nomeação como Promotor Vocacional da Diocese e responsável pela Pastoral Vocacional e pela Obra das Vocações Diocesanas;

As Provisões serão publicadas entre os dias 8 e 15 de janeiro de 2012. Sem mais, aproveito-me desta para desejar-lhes um santo e feliz Natal do Senhor. Que as graças e riquezas destas festividades sejam abundantes em vossas vidas e, em vosso ministério sagrado.

Com minha bênção!

Dom Airton José dos Santos
Bispo Diocesano de Mogi das Cruzes

Homilia do Papa Bento XVI na Solenidade da Epifania do Senhor no Vaticano - 06/01/2012

SANTA MISSA NA SOLENIDADE DA EPIFANIA DO SENHOR
ORDENAÇÕES EPISCOPAIS
HOMILIA DO PAPA BENTO XVI
Basílica Vaticana
Sexta-feira, 6 de Janeiro de 2012


Queridos irmãos e irmãs,

A Epifania é uma festa da luz. «Ergue-te, Jerusalém, e sê iluminada, que a tua luz desponta e a glória do Senhor está sobre ti» (Is 60, 1). Com estas palavras do profeta Isaías, a Igreja descreve o conteúdo da festa. Sim, veio ao mundo Aquele que é a Luz verdadeira, Aquele que faz com que os homens sejam luz. Dá-lhes o poder de se tornarem filhos de Deus (cf. Jo 1, 9.12). Para a liturgia, o caminho dos Magos do Oriente é só o início de uma grande procissão que continua ao longo da história inteira. Com estes homens, tem início a peregrinação da humanidade rumo a Jesus Cristo: rumo àquele Deus que nasceu num estábulo, que morreu na cruz e, Ressuscitado, permanece connosco todos os dias até ao fim do mundo (cf. Mt 28, 20). A Igreja lê a narração do Evangelho de Mateus juntamente com a visão do profeta Isaías, que escutámos na primeira leitura: o caminho destes homens é só o início. Antes, tinham vindo os pastores – almas simples que habitavam mais perto de Deus feito menino, podendo mais facilmente «ir até lá» (cf. Lc 2, 15) ter com Ele e reconhecê-Lo como Senhor. Mas agora vêm também os sábios deste mundo. Vêm grandes e pequenos, reis e servos, homens de todas as culturas e de todos os povos. Os homens do Oriente são os primeiros, seguidos de muitos outros ao longo dos séculos. Depois da grande visão de Isaías, a leitura tirada da Carta aos Efésios exprime, de modo sóbrio e simples, a mesma ideia: os gentios partilham da mesma herança (cf. 3, 6). Eis como o formulara o Salmo 2: «Eu te darei as nações por herança, e os confins da terra para teu domínio» (v. 8).

Os Magos do Oriente vão à frente. Inauguram o caminho dos povos para Cristo. Durante esta Missa, vou conferir a Ordenação Episcopal a dois sacerdotes, consagrá-los-ei Pastores do povo de Deus. Segundo palavras de Jesus, caminhar à frente do rebanho faz parte da função do Pastor (cf. Jo 10, 4). Por isso naqueles personagens, que foram os primeiros pagãos a encontrar o caminho para Cristo, talvez possamos – não obstante todas as diferenças nas respectivas vocações e tarefas – procurar indicações para a missão dos Bispos. Que tipo de homens eram os Magos? Os peritos dizem-nos que pertenciam à grande tradição astronómica que se fora desenvolvendo na Mesopotâmia no decorrer dos séculos, e era então florescente. Mas esta informação, por si só, não é suficiente. Provavelmente haveria muitos astrónomos na antiga Babilónia, mas poucos, apenas estes Magos, se puseram a caminho e seguiram a estrela que tinham reconhecido como sendo a estrela da promessa, ou seja, a que indicava o caminho para o verdadeiro Rei e Salvador. Podemos dizer que eram homens de ciência, mas não apenas no sentido de quererem saber muitas coisas; eles queriam algo mais. Queriam entender o que é que conta no facto de sermos homens. Provavelmente ouviram falar da profecia de Balaão, um profeta pagão: «Uma estrela sai de Jacob, e um cetro se levanta de Israel» (Nm 24, 17). Eles aprofundaram esta promessa. Eram pessoas de coração inquieto, que não se satisfaziam com aparências ou com a rotina da vida. Eram homens à procura da promessa, à procura de Deus. Eram homens vigilantes, capazes de discernir os sinais de Deus, a sua linguagem subtil e insistente. Mas eram também homens corajosos e, ao mesmo tempo, humildes: podemos imaginar as zombarias que tiveram de suportar quando se puseram a caminho para ir ter com o Rei dos Judeus, enfrentando canseiras sem número. Mas, não consideravam decisivo o que se pensava ou dizia deles, mesmo pelas pessoas influentes e inteligentes. Para eles o que contava era a própria verdade, não a opinião dos homens. Por isso, enfrentaram as privações e o cansaço dum caminho longo e incerto. Foi a sua coragem humilde que lhes permitiu prostrar-se diante dum menino filho de gente pobre e reconhecer n’Ele o Rei prometido, cuja busca e reconhecimento fora o objectivo do seu caminho exterior e interior.

Queridos amigos, em tudo isto é possível ver alguns traços essenciais do ministério episcopal. Também o Bispo deve ser um homem de coração inquieto, que não se satisfaz com as coisas rotineiras deste mundo, mas segue a inquietação do coração que o impele interiormente a aproximar-se sempre mais de Deus, a procurar o seu Rosto, a conhecê-Lo cada vez melhor, para poder amá-Lo sempre mais. Também o Bispo deve ser um homem de coração vigilante que percebe a linguagem subtil de Deus e sabe discernir a verdade da aparência. Também o Bispo deve estar repleto da coragem da humildade, que não se interessa do que a opinião dominante diz dele, mas por critério toma a medida da verdade de Deus, comprometendo-se com ela «opportune – importune». Deve ser capaz de ir à frente indicando o caminho. Deve ir à frente seguindo Aquele que a todos nos precedeu, porque é o verdadeiro Pastor, a verdadeira estrela da promessa: Jesus Cristo. E deve ter a humildade de prostrar-se diante daquele Deus que Se tornou tão concreto e tão simples que contradiz o nosso orgulho insensato, que não quer ver Deus assim perto e pequenino. Deve viver a adoração do Filho de Deus feito homem, aquela adoração que lhe indica sem cessar o caminho.

A liturgia da Ordenação Episcopal exprime o essencial deste ministério em oito perguntas dirigidas aos Ordenandos, que começam sempre com a palavra: «Vultis? – Quereis?». As perguntas orientam a vontade e indicam-lhe o caminho a tomar. Gostaria de mencionar aqui, brevemente, algumas das palavras-chave desta orientação, nas quais se concretiza aquilo que há pouco reflectimos a partir dos Magos que aparecem na festa de hoje. A missão dos Bispos é «praedicare Evangelium Christi», «custodire», «dirigere», «pauperibus se misericordes praebere», «indesinenter orare». O anúncio do Evangelho de Jesus Cristo, guardar o depósito sagrado da nossa fé, ir à frente e guiar, a misericórdia e a caridade para com os necessitados e os pobres nas quais se reflecte o amor misericordioso de Deus para connosco e, finalmente, a oração contínua são características fundamentais do ministério episcopal. A oração contínua significa nunca perder o contacto com Deus, deixar-se tocar sempre por Ele no íntimo do nosso coração e deste modo sermos permeados pela sua luz. Só quem conhece a Deus pessoalmente é que pode guiar os outros para Deus. E só quem guia os homens para Deus é que os guia pela estrada da vida.

O coração inquieto, de que falámos inspirando-nos em Santo Agostinho, é o coração que, em última análise, não se satisfaz com nada menos do que Deus e é, precisamente assim, que se torna um coração que ama. O nosso coração vive inquieto por Deus, e não pode ser doutro modo, embora hoje se procure, com «narcóticos» muito eficazes, libertar o homem desta inquietação. Mas não somos só nós, seres humanos, que vivemos inquietos relativamente a Deus. Também o coração de Deus vive inquieto relativamente ao homem. Deus espera-nos. Anda à nossa procura. Também Ele não descansa enquanto não nos tiver encontrado. O coração de Deus vive inquieto, e foi por isso que se pôs a caminho até junto de nós – até Belém, até ao Calvário, de Jerusalém até à Galileia e aos confins do mundo. Deus vive inquieto connosco, anda à procura de pessoas que se deixem contagiar por esta sua inquietação, pela sua paixão por nós; pessoas que vivem a busca que habita no seu coração e, ao mesmo tempo, se deixam tocar no coração pela busca de Deus a nosso respeito. Queridos amigos, foi esta a missão dos Apóstolos: acolher a inquietação de Deus pelo homem e levar o próprio Deus aos homens. E, seguindo os passos dos Apóstolos, esta é a vossa missão: deixai-vos tocar pela inquietação de Deus, a fim de que o anseio de Deus pelo homem possa ser satisfeito.

Os Magos seguiram a estrela. Através da linguagem da criação, encontraram o Deus da história. É certo que a linguagem da criação, por si só, não é suficiente. Apenas a Palavra de Deus, que encontramos na Sagrada Escritura, podia indicar-lhes definitivamente o caminho. Criação e Escritura, razão e fé devem dar-se as mãos para nos conduzirem ao Deus vivo. Muito se discutiu sobre o tipo de estrela que guiou os Magos. Pensa-se numa conjunção de planetas, numa Supernova, ou seja, uma daquelas estrelas inicialmente muito débeis que, na sequência duma explosão interna, irradia por algum tempo um imenso esplendor, num cometa, etc. Deixemos que os cientistas continuem esta discussão. A grande estrela, a verdadeira Supernova que nos guia é o próprio Cristo. Ele é, por assim dizer, a explosão do amor de Deus, que faz brilhar sobre o mundo o grande fulgor do seu coração. E podemos acrescentar: tanto os Magos do Oriente, mencionados no Evangelho de hoje, como os Santos em geral pouco a pouco tornaram-se eles mesmos constelações de Deus, que nos indicam o caminho. Em todas estas pessoas, o contacto com a Palavra de Deus provocou, por assim dizer, uma explosão de luz, através da qual o esplendor de Deus ilumina este nosso mundo e nos indica o caminho. Os Santos são estrelas de Deus, pelas quais nos deixamos guiar para Aquele por quem o nosso ser anseia. Queridos amigos, vós seguistes a estrela que é Jesus Cristo, quando dissestes o vosso «sim» ao sacerdócio e ao ministério episcopal. E certamente brilharam para vós também estrelas menores, que vos ajudaram a não errar o caminho. Na Ladainha dos Santos, invocamos todas estas estrelas de Deus, a fim de que brilhem sempre de novo para vós e vos indiquem o caminho. Com a Ordenação Episcopal, vós mesmos sois chamados a ser estrelas de Deus para os homens, guiando-os pelo caminho que leva à verdadeira Luz: Cristo. Invoquemos, pois, agora todos os Santos, para que possais corresponder sempre a esta vossa missão mostrando aos homens a luz de Deus. Amém.

BENEDICTUS PP XVI

fonte: Santa Sé

Papa Bento XVI anunciou um Consistório para a criação de 22 novos cardeais, entre eles Dom João Braz de Aviz


O Papa Bento XVI anunciou durante o Angelus, após a missa da Solenidade da Epifania do Senhor presidida por ele nesta quarta-feira, 06, no Vaticano, a convocação de um novo Consistório que criará novos cardeais para a Igreja.

Entre os nomeados, está Dom João Braz de Aviz, prefeito da Congregação para os Institutos de Vida Consagrada desde o ano passado. O arcebispo, que durante muito tempo esteve à frente da arquidiocese de Brasília foi o único brasileiro nomeado desta vez, e a partir de fevereiro deste ano, passará a integrarar o grupo de cardeais brasileiros composto por Dom Eugênio Sales, Dom Evaristo Arns, Dom José Falcão, Dom Serafim Fernandes Araújo, Dom Claudio Hummes, Dom Geraldo Majella Agnelo, Dom Eusébio Sheid, Dom Odilo Pedro Sherer e Dom Raymundo Damasceno de Assis.

 

quarta-feira, 4 de janeiro de 2012

Matéria do site dos Arautos do Evangelho sobre o Tríduo do Centenário da Igreja Matriz São José


Tríduo e concerto de Natal com a presença de Dom Airton José dos Santos em Salesópolis – SP

No dia 27/12/11, oitava de Natal, uma grande festa realizou-se na cidade de Salesópolis – SP, a comemoração do Centenário da Igreja Matriz São José com o início do Tríduo e a realização de um Concerto Natalino pela orquestra dos Arautos do Evangelho.

A Santa Missa foi presidida pelo Bispo de Mogi das Cruzes, Dom Airton José dos Santos, com uma forte presença de clérigos concelebrantes ou que contribuíram para o maior decoro da solene cerimônia, entre eles:

•Pe. Edinei Maia dos Santos (Administrador Paroquial)
•Pe. Luciano Batata
•Pe. Vanderlei Malaquias
•Pe. José Luis de Zayas y Arancibia, EP
•Pe. Francisco Katsumassa Sakurata, EP
•Pe. Wanderlei Dansiger Xavier, EP
•Diác. Antônio Paulino de Miranda Melo
•Diác. Valmir Donizeti Pereira

Palavras de Dom Airton José após o Concerto de Natal: “Muito obrigado a todos! De vez em quando que se vê isso… Isso aqui é muito bom para o primeiro dia do Tríduo. Aos Arautos nós agradecemos de coração por esse presente para todos nós de Salesópolis! Vamos dar uma bênção para que vocês continuem firmes!…”

* * *

O antigo pároco, hoje Bispo Auxiliar de Fortaleza – CE, Dom Rosalvo Cordeiro de Lima, após tantos anos de dedicação à Matriz de São José também compareceu ao Tríduo em honra ao Padroeiro da cidade de Salesópolis para prestigiá-lo e, para encerrar com chave de ouro esses três dias de comemoração ao Centenário.




segunda-feira, 2 de janeiro de 2012

Tríduo do Centenário da Igreja Matriz São José - Parte 1


Uma grande benção para nossa paróquia! No primeiro dia do Tríduo Preparatório ao Centenário da Igreja Matriz São José, terça-feira, dia 27 de dezembro de 2011, Festa de São João, apóstolo e evangelista, o Bispo Diocesano de Mogi das Cruzes, Dom Airton José dos Santos, celebrou a Santa Missa que foi concelebrada pelo Administrador Paroquial Pe Edinei Maia dos Santos, Pe Luciano Batata, Pe Wanderlei Malachias, Pe José Luis de Zayas y Arancibia,EP e Pe. Francisco Katsumassa Sakurata,EP que foram auxiliados pelo Diácono Antonio Paulino de Miranda Melo e Diácono Valmir Donizeti Pereira.

Neste dia os filhos da Sra Thereza Rodrigues Miranda, falecida em 28/10/2011, que atuava como Ministra Extraordinária da Sagrada Comunhão na Igreja Matriz São José, ofereram um conjunto de 05 âmbulas para a utilização das celebrações na Igreja Matriz, ao início da Santa Missa apresentaram ao Bispo Diocesano que procedeu a benção solene.

Ao final da Santa Missa Dom Airton José dos Santos realizou solene coroação da imagem de Nossa Senhora de Fátima que foi trazida pelos Arautos do Evangelho que com seu Coro e Orquestra entoaram solenes cantos em latim durante a Santa Missa e após a celebração realizaram um belíssimo Concerto Natalino que foi apreciado por todos os presentes que encheram a Igreja Matriz.

Fotos gentilemente cedidas pelo fotógrafo Márcio José Faria da Foto Faria.

Tríduo do Centenário da Igreja Matriz São José - Parte 2


O segundo dia do Tríduo Preparatório para o Centenário da Igreja Matriz São José, quarta-feira, dia 28 de dezembro de 2011, Festa dos Santos Inocentes, a Santa Missa foi celebrada pelo Administrador Paroquial Pe Edinei Maia dos Santos e concelebrada pelo Pe Luciano Batata, auxiliados pelo Diácono Antonio Paulino de Miranda Melo.

Em sua homilia Pe Edinei falou que estes dias da celebração dos 100 anos da Igreja Matriz São José, em Salesópolis, eram dias de ação de graças a Deus por tantos anos de história em nossa paróquia. A Santa Missa contou com a participação do Coral Infanto Juvenil São José que entoou cantos natalinos com vozes infantis.

Imagens gentilmente cedidas pelo fotógrafo Márcio José Faria da Foto Faria.

Tríduo do Centenário da Igreja Matriz São José - Parte 3


No terceiro dia do Tríduo Préparatório ao Centenário da Igreja Matriz São José, quinta-feira, dia 29 de dezembro de 2011, os paroquianos foram agraciados pela honrosa visita do Pe Antonio Maria que visitando nossa paróquia celebrou a Santa Missa que foi concelebrada por Dom Rosalvo Cordeiro de Lima, Pe Edinei Maia dos Santos e Pe Luciano Batata, auxiliados pelo Diácono Antonio Paulino de Miranda Melo.

A Igreja Matriz São José estava repleta de pessoas, em sua homilia Pe Antonio Maria nos falou da graça da celebração do Natal do Senhor, visto celebrarmos a Oitava do Natal, e que as festividades do Centenário não podem ser somente lembrança do passado mas um reavivar da vida eclesial. Ao final da Santa Missa Pe Antonio Maria cantou belas canções para a comunidade de São José de Salesópolis.

Fotos gentilmente cedidas pelo fotógrafo Márcio José Faria da Foto Faria.

Intenções do Papa para o mês de Janeiro/2012

Intenções do Santo Padre o Papa Bento XVI para o mês de Janeiro de 2012

INTENÇÃO GERAL:
As vítimas dos desastras naturais

Para que as vítimas dos desastres naturais
recebam o conforto espiritual e material
necessário para reconstruir a sua vida.

INTENÇÃO MISSIONÁRIA:
Compromisso dos cristãos pela Paz

Para que o compromisso dos cristãos
em favor da paz seja ocasião para testemunhar
o nome de Cristo a todos os homens
de boa vontade.

domingo, 1 de janeiro de 2012

Mensagem do Papa Bento XVI para o Dia Mundial da Paz - 01/01/2012

MENSAGEM DE SUA SANTIDADE
BENTO XVI
PARA A CELEBRAÇÃO DO
XLV DIA MUNDIAL DA PAZ
1 DE JANEIRO DE 2012

EDUCAR OS JOVENS PARA A JUSTIÇA E A PAZ

1. O INÍCIO DE UM NOVO ANO, dom de Deus à humanidade, induz-me a desejar a todos, com grande confiança e estima, de modo especial que este tempo, que se abre diante de nós, fique marcado concretamente pela justiça e a paz.

Com qual atitude devemos olhar para o novo ano? No salmo 130, encontramos uma imagem muito bela. O salmista diz que o homem de fé aguarda pelo Senhor « mais do que a sentinela pela aurora » (v. 6), aguarda por Ele com firme esperança, porque sabe que trará luz, misericórdia, salvação. Esta expectativa nasce da experiência do povo eleito, que reconhece ter sido educado por Deus a olhar o mundo na sua verdade sem se deixar abater pelas tribulações. Convido-vos a olhar o ano de 2012 com esta atitude confiante. É verdade que, no ano que termina, cresceu o sentido de frustração por causa da crise que aflige a sociedade, o mundo do trabalho e a economia; uma crise cujas raízes são primariamente culturais e antropológicas. Quase parece que um manto de escuridão teria descido sobre o nosso tempo, impedindo de ver com clareza a luz do dia.

Mas, nesta escuridão, o coração do homem não cessa de aguardar pela aurora de que fala o salmista. Esta expectativa mostra-se particularmente viva e visível nos jovens; e é por isso que o meu pensamento se volta para eles, considerando o contributo que podem e devem oferecer à sociedade. Queria, pois, revestir a Mensagem para o XLV Dia Mundial da Paz duma perspectiva educativa: « Educar os jovens para a justiça e a paz », convencido de que eles podem, com o seu entusiasmo e idealismo, oferecer uma nova esperança ao mundo.

A minha Mensagem dirige-se também aos pais, às famílias, a todas as componentes educativas, formadoras, bem como aos responsáveis nos diversos âmbitos da vida religiosa, social, política, económica, cultural e mediática. Prestar atenção ao mundo juvenil, saber escutá-lo e valorizá-lo para a construção dum futuro de justiça e de paz não é só uma oportunidade mas um dever primário de toda a sociedade.

Trata-se de comunicar aos jovens o apreço pelo valor positivo da vida, suscitando neles o desejo de consumá-la ao serviço do Bem. Esta é uma tarefa, na qual todos nós estamos, pessoalmente, comprometidos.

As preocupações manifestadas por muitos jovens nestes últimos tempos, em várias regiões do mundo, exprimem o desejo de poder olhar para o futuro com fundada esperança. Na hora actual, muitos são os aspectos que os trazem apreensivos: o desejo de receber uma formação que os prepare de maneira mais profunda para enfrentar a realidade, a dificuldade de formar uma família e encontrar um emprego estável, a capacidade efectiva de intervir no mundo da política, da cultura e da economia contribuindo para a construção duma sociedade de rosto mais humano e solidário.

É importante que estes fermentos e o idealismo que encerram encontrem a devida atenção em todas as componentes da sociedade. A Igreja olha para os jovens com esperança, tem confiança neles e encoraja-os a procurarem a verdade, a defenderem o bem comum, a possuírem perspectivas abertas sobre o mundo e olhos capazes de ver « coisas novas » (Is 42, 9; 48, 6).

Os responsáveis da educação

2. A educação é a aventura mais fascinante e difícil da vida. Educar – na sua etimologia latina educere – significa conduzir para fora de si mesmo ao encontro da realidade, rumo a uma plenitude que faz crescer a pessoa. Este processo alimenta-se do encontro de duas liberdades: a do adulto e a do jovem. Isto exige a responsabilidade do discípulo, que deve estar disponível para se deixar guiar no conhecimento da realidade, e a do educador, que deve estar disposto a dar-se a si mesmo. Mas, para isso, não bastam meros dispensadores de regras e informações; são necessárias testemunhas autênticas, ou seja, testemunhas que saibam ver mais longe do que os outros, porque a sua vida abraça espaços mais amplos. A testemunha é alguém que vive, primeiro, o caminho que propõe.

E quais são os lugares onde amadurece uma verdadeira educação para a paz e a justiça? Antes de mais nada, a família, já que os pais são os primeiros educadores. A família é célula originária da sociedade. « É na família que os filhos aprendem os valores humanos e cristãos que permitem uma convivência construtiva e pacífica. É na família que aprendem a solidariedade entre as gerações, o respeito pelas regras, o perdão e o acolhimento do outro ».[1] Esta é a primeira escola, onde se educa para a justiça e a paz.

Vivemos num mundo em que a família e até a própria vida se vêem constantemente ameaçadas e, não raro, destroçadas. Condições de trabalho frequentemente pouco compatíveis com as responsabilidades familiares, preocupações com o futuro, ritmos frenéticos de vida, emigração à procura dum adequado sustentamento se não mesmo da pura sobrevivência, acabam por tornar difícil a possibilidade de assegurar aos filhos um dos bens mais preciosos: a presença dos pais; uma presença, que permita compartilhar de forma cada vez mais profunda o caminho para se poder transmitir a experiência e as certezas adquiridas com os anos – o que só se torna viável com o tempo passado juntos. Queria aqui dizer aos pais para não desanimarem! Com o exemplo da sua vida, induzam os filhos a colocar a esperança antes de tudo em Deus, o único de quem surgem justiça e paz autênticas.

Quero dirigir-me também aos responsáveis das instituições com tarefas educativas: Velem, com grande sentido de responsabilidade, por que seja respeitada e valorizada em todas as circunstâncias a dignidade de cada pessoa. Tenham a peito que cada jovem possa descobrir a sua própria vocação, acompanhando-o para fazer frutificar os dons que o Senhor lhe concedeu. Assegurem às famílias que os seus filhos não terão um caminho formativo em contraste com a sua consciência e os seus princípios religiosos.

Possa cada ambiente educativo ser lugar de abertura ao transcendente e aos outros; lugar de diálogo, coesão e escuta, onde o jovem se sinta valorizado nas suas capacidades e riquezas interiores e aprenda a apreciar os irmãos. Possa ensinar a saborear a alegria que deriva de viver dia após dia a caridade e a compaixão para com o próximo e de participar activamente na construção duma sociedade mais humana e fraterna.

Dirijo-me, depois, aos responsáveis políticos, pedindo-lhes que ajudem concretamente as famílias e as instituições educativas a exercerem o seu direito-dever de educar. Não deve jamais faltar um adequado apoio à maternidade e à paternidade. Actuem de modo que a ninguém seja negado o acesso à instrução e que as famílias possam escolher livremente as estruturas educativas consideradas mais idóneas para o bem dos seus filhos. Esforcem-se por favorecer a reunificação das famílias que estão separadas devido à necessidade de encontrar meios de subsistência. Proporcionem aos jovens uma imagem transparente da política, como verdadeiro serviço para o bem de todos.

Não posso deixar de fazer apelo ainda ao mundo dos media para que prestem a sua contribuição educativa. Na sociedade actual, os meios de comunicação de massa têm uma função particular: não só informam, mas também formam o espírito dos seus destinatários e, consequentemente, podem concorrer notavelmente para a educação dos jovens. É importante ter presente a ligação estreitíssima que existe entre educação e comunicação: de facto, a educação realiza-se por meio da comunicação, que influi positiva ou negativamente na formação da pessoa.

Também os jovens devem ter a coragem de começar, eles mesmos, a viver aquilo que pedem a quantos os rodeiam. Que tenham a força de fazer um uso bom e consciente da liberdade, pois cabe-lhes em tudo isto uma grande responsabilidade: são responsáveis pela sua própria educação e formação para a justiça e a paz.

Educar para a verdade e a liberdade

3. Santo Agostinho perguntava-se: « Quid enim fortius desiderat anima quam veritatem – que deseja o homem mais intensamente do que a verdade? ».[2] O rosto humano duma sociedade depende muito da contribuição da educação para manter viva esta questão inevitável. De facto, a educação diz respeito à formação integral da pessoa, incluindo a dimensão moral e espiritual do seu ser, tendo em vista o seu fim último e o bem da sociedade a que pertence. Por isso, a fim de educar para a verdade, é preciso antes de mais nada saber que é a pessoa humana, conhecer a sua natureza. Olhando a realidade que o rodeava, o salmista pôs-se a pensar: « Quando contemplo os céus, obra das vossas mãos, a lua e as estrelas que Vós criastes: que é o homem para Vos lembrardes dele, o filho do homem para com ele Vos preocupardes? » (Sal 8, 4-5). Esta é a pergunta fundamental que nos devemos colocar: Que é o homem? O homem é um ser que traz no coração uma sede de infinito, uma sede de verdade – não uma verdade parcial, mas capaz de explicar o sentido da vida –, porque foi criado à imagem e semelhança de Deus. Assim, o facto de reconhecer com gratidão a vida como dom inestimável leva a descobrir a dignidade profunda e a inviolabilidade própria de cada pessoa. Por isso, a primeira educação consiste em aprender a reconhecer no homem a imagem do Criador e, consequentemente, a ter um profundo respeito por cada ser humano e ajudar os outros a realizarem uma vida conforme a esta sublime dignidade. É preciso não esquecer jamais que « o autêntico desenvolvimento do homem diz respeito unitariamente à totalidade da pessoa em todas as suas dimensões »,[3] incluindo a transcendente, e que não se pode sacrificar a pessoa para alcançar um bem particular, seja ele económico ou social, individual ou colectivo.

Só na relação com Deus é que o homem compreende o significado da sua liberdade, sendo tarefa da educação formar para a liberdade autêntica. Esta não é a ausência de vínculos, nem o império do livre arbítrio; não é o absolutismo do eu. Quando o homem se crê um ser absoluto, que não depende de nada nem de ninguém e pode fazer tudo o que lhe apetece, acaba por contradizer a verdade do seu ser e perder a sua liberdade. De facto, o homem é precisamente o contrário: um ser relacional, que vive em relação com os outros e sobretudo com Deus. A liberdade autêntica não pode jamais ser alcançada, afastando-se d’Ele.

A liberdade é um valor precioso, mas delicado: pode ser mal entendida e usada mal. « Hoje um obstáculo particularmente insidioso à ação educativa é constituído pela presença maciça, na nossa sociedade e cultura, daquele relativismo que, nada reconhecendo como definitivo, deixa como última medida somente o próprio eu com os seus desejos e, sob a aparência da liberdade, torna-se para cada pessoa uma prisão, porque separa uns dos outros, reduzindo cada um a permanecer fechado dentro do próprio “eu”. Dentro de um horizonte relativista como este, não é possível, portanto, uma verdadeira educação: sem a luz da verdade, mais cedo ou mais tarde cada pessoa está, de facto, condenada a duvidar da bondade da sua própria vida e das relações que a constituem, da validez do seu compromisso para construir com os outros algo em comum ».[4]

Por conseguinte o homem, para exercer a sua liberdade, deve superar o horizonte relativista e conhecer a verdade sobre si próprio e a verdade acerca do que é bem e do que é mal. No íntimo da consciência, o homem descobre uma lei que não se impôs a si mesmo, mas à qual deve obedecer e cuja voz o chama a amar e fazer o bem e a fugir do mal, a assumir a responsabilidade do bem cumprido e do mal praticado.[5] Por isso o exercício da liberdade está intimamente ligado com a lei moral natural, que tem carácter universal, exprime a dignidade de cada pessoa, coloca a base dos seus direitos e deveres fundamentais e, consequentemente, da convivência justa e pacífica entre as pessoas.

Assim o recto uso da liberdade é um ponto central na promoção da justiça e da paz, que exigem a cada um o respeito por si próprio e pelo outro, mesmo possuindo um modo de ser e viver distante do meu. Desta atitude derivam os elementos sem os quais paz e justiça permanecem palavras desprovidas de conteúdo: a confiança recíproca, a capacidade de encetar um diálogo construtivo, a possibilidade do perdão, que muitas vezes se quereria obter mas sente-se dificuldade em conceder, a caridade mútua, a compaixão para com os mais frágeis, e também a prontidão ao sacrifício.

Educar para a justiça

4. No nosso mundo, onde o valor da pessoa, da sua dignidade e dos seus direitos, não obstante as proclamações de intentos, está seriamente ameaçado pela tendência generalizada de recorrer exclusivamente aos critérios da utilidade, do lucro e do ter, é importante não separar das suas raízes transcendentes o conceito de justiça. De facto, a justiça não é uma simples convenção humana, pois o que é justo determina-se originariamente não pela lei positiva, mas pela identidade profunda do ser humano. É a visão integral do homem que impede de cair numa concepção contratualista da justiça e permite abrir também para ela o horizonte da solidariedade e do amor.[6]

Não podemos ignorar que certas correntes da cultura moderna, apoiadas em princípios económicos racionalistas e individualistas, alienaram das suas raízes transcendentes o conceito de justiça, separando-o da caridade e da solidariedade. Ora « a “cidade do homem” não se move apenas por relações feitas de direitos e de deveres, mas antes e sobretudo por relações de gratuidade, misericórdia e comunhão. A caridade manifesta sempre, mesmo nas relações humanas, o amor de Deus; dá valor teologal e salvífico a todo o empenho de justiça no mundo ».[7]

« Felizes os que têm fome e sede de justiça, porque serão saciados » (Mt 5, 6). Serão saciados, porque têm fome e sede de relações justas com Deus, consigo mesmo, com os seus irmãos e irmãs, com a criação inteira.

Educar para a paz

5. « A paz não é só ausência de guerra, nem se limita a assegurar o equilíbrio das forças adversas. A paz não é possível na terra sem a salvaguarda dos bens das pessoas, a livre comunicação entre os seres humanos, o respeito pela dignidade das pessoas e dos povos e a prática assídua da fraternidade ».[8] A paz é fruto da justiça e efeito da caridade. É, antes de mais nada, dom de Deus. Nós, os cristãos, acreditamos que a nossa verdadeira paz é Cristo: n’Ele, na sua Cruz, Deus reconciliou consigo o mundo e destruiu as barreiras que nos separavam uns dos outros (cf. Ef 2, 14-18); n’Ele, há uma única família reconciliada no amor.

A paz, porém, não é apenas dom a ser recebido, mas obra a ser construída. Para sermos verdadeiramente artífices de paz, devemos educar-nos para a compaixão, a solidariedade, a colaboração, a fraternidade, ser activos dentro da comunidade e solícitos em despertar as consciências para as questões nacionais e internacionais e para a importância de procurar adequadas modalidades de redistribuição da riqueza, de promoção do crescimento, de cooperação para o desenvolvimento e de resolução dos conflitos. « Felizes os pacificadores, porque serão chamados filhos de Deus » – diz Jesus no sermão da montanha (Mt 5, 9).

A paz para todos nasce da justiça de cada um, e ninguém pode subtrair-se a este compromisso essencial de promover a justiça segundo as respectivas competências e responsabilidades. De forma particular convido os jovens, que conservam viva a tensão pelos ideais, a procurarem com paciência e tenacidade a justiça e a paz e a cultivarem o gosto pelo que é justo e verdadeiro, mesmo quando isso lhes possa exigir sacrifícios e obrigue a caminhar contracorrente.

Levantar os olhos para Deus

6. Perante o árduo desafio de percorrer os caminhos da justiça e da paz, podemos ser tentados a interrogar-nos como o salmista: « Levanto os olhos para os montes, de onde me virá o auxílio? » (Sal 121, 1).

A todos, particularmente aos jovens, quero bradar: « Não são as ideologias que salvam o mundo, mas unicamente o voltar-se para o Deus vivo, que é o nosso criador, o garante da nossa liberdade, o garante do que é deveras bom e verdadeiro (…), o voltar-se sem reservas para Deus, que é a medida do que é justo e, ao mesmo tempo, é o amor eterno. E que mais nos poderia salvar senão o amor? ».[9] O amor rejubila com a verdade, é a força que torna capaz de comprometer-se pela verdade, pela justiça, pela paz, porque tudo desculpa, tudo crê, tudo espera, tudo suporta (cf. 1 Cor 13, 1-13).

Queridos jovens, vós sois um dom precioso para a sociedade. Diante das dificuldades, não vos deixeis invadir pelo desânimo nem vos abandoneis a falsas soluções, que frequentemente se apresentam como o caminho mais fácil para superar os problemas. Não tenhais medo de vos empenhar, de enfrentar a fadiga e o sacrifício, de optar por caminhos que requerem fidelidade e constância, humildade e dedicação.

Vivei com confiança a vossa juventude e os anseios profundos que sentis de felicidade, verdade, beleza e amor verdadeiro. Vivei intensamente esta fase da vida, tão rica e cheia de entusiasmo.

Sabei que vós mesmos servis de exemplo e estímulo para os adultos, e tanto mais o sereis quanto mais vos esforçardes por superar as injustiças e a corrupção, quanto mais desejardes um futuro melhor e vos comprometerdes a construí-lo. Cientes das vossas potencialidades, nunca vos fecheis em vós próprios, mas trabalhai por um futuro mais luminoso para todos. Nunca vos sintais sozinhos! A Igreja confia em vós, acompanha-vos, encoraja-vos e deseja oferecer-vos o que tem de mais precioso: a possibilidade de levantar os olhos para Deus, de encontrar Jesus Cristo – Ele que é a justiça e a paz.

Oh vós todos, homens e mulheres, que tendes a peito a causa da paz! Esta não é um bem já alcançado mas uma meta, à qual todos e cada um deve aspirar. Olhemos, pois, o futuro com maior esperança, encorajemo-nos mutuamente ao longo do nosso caminho, trabalhemos para dar ao nosso mundo um rosto mais humano e fraterno e sintamo-nos unidos na responsabilidade que temos para com as jovens gerações, presentes e futuras, nomeadamente quanto à sua educação para se tornarem pacíficas e pacificadoras! Apoiado em tal certeza, envio-vos estas refl exões que se fazem apelo: Unamos as nossas forças espirituais, morais e materiais, a fim de « educar os jovens para a justiça e a paz ».

Vaticano, 8 de Dezembro de 2011.

BENEDICTUS PP XVI

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Notas

[1] Bento XVI, Discurso aos administradores da Região do Lácio, do Município e da Província de Roma (14 de Janeiro de 2011): L’Osservatore Romano (ed. port. de 22/I/2011), 5.

[2] Comentário ao Evangelho de S. João, 26, 5.

[3] Bento XVI, Carta encíclica Caritas in veritate (29 de Junho de 2009), 11: AAS 101 (2009), 648; cf. Paulo VI, Carta encíclica Populorum progressio (26 de Março de 1967), 14: AAS 59 (1967), 264.


[5] Cf. Concílio Ecumênico Vaticano II, Constituição pastosral sobre a Igreja no mundo contemporâneo Gaudium et spes, 16.

[6] Cf. Bento XVI, Discurso no Parlamento federal alemão (Berlim, 22 de Setembro de 2011): L’Osservatore Romano (ed. port. de 24/IX/2011), 4-5.

[7] Bento XVI, Carta encíclica Caritas in veritate (29 de Junho de 2009), 6: AAS 101 (2009), 644-645.


[9] Bento XVI, Homilia durante a vigília com os jovens (Colónia, 20 de Agosto de 2005): AAS 97 (2005), 885-886.

fonte: Santa Sé
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